Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Mais aprovados

Aprovação de 25% no Exame de Ordem surpreende

Por 

A proporção de aprovados na segunda fase do Exame de Ordem aumentou do ano passado para cá. A coordenação da prova admite ter se surpreendido positivamente com o resultado, mas também reconhece que ele não representa ganho significativo em relação aos outros anos. De acordo com os resultados preliminares divulgados pela Fundação Getúlio Vargas, responsável pela elaboração, aplicação e correção da prova, dos 124,8 mil candidatos inscritos na última edição do Exame, 31,9 mil foram aprovados. Uma proporção de 25%.

Na edição anterior, o IX Exame de Ordem Unificado, percentual de aprovados foi menor, o número de inscritos também. Foram 114,7 mil candidatos, dos quais 11,8 mil passaram da segunda fase. Pouco mais de 10%. Os números de ambas as edições são dos resultados preliminares, antes de os candidatos insatisfeitos com os resultados impetrarem recursos para que as provas sejam revistas (os recursos contra o X Exame podem ser enviados até as 12h do dia 13 de julho).

Considerando os resultados unificados, que é o número de aprovados depois que todos os recursos são apreciados, 16% dos candidatos que participaram do IX Exame Unificado foram aprovados. A previsão do Conselho Federal da OAB para o X Exame para depois da análise dos recursos é que 26% dos candidatos sejam aprovados.

Para o advogado Leonardo Avelino, presidente da comissão nacional do Exame de Ordem do Conselho Federal da OAB, o resultado “foi totalmente atípico e inesperado”, mas não chegou a empolgar. “Não é uma superaprovação: de cada quatro candidatos, um passou. Não está nem fora da média histórica do Exame Unificado”, afirmou.

Avelino lembra que o VIII Exame, que aconteceu no segundo semestre de 2012, teve média de aprovação de 22%. “Apesar de o décimo exame ter tido um resultado inesperado, não chegou a nos surpreender. Não foi uma proporção muito mais alta que o normal”, resumiu.

Uma interpretação dos resultados dos exames seria a de que os candidatos estão mais preparados. Outra é a de que a prova ficou mais fácil. Mas, para Avelino, nem um, nem outro. “Nem a prova mudou nem o ensino jurídico melhorou. Estamos fazendo o possível, indo a faculdades praticamente toda semana, mas o volume de cursos de Direito é muito grande.”

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 10 de julho de 2013, 16h00

Comentários de leitores

7 comentários

Concordo.

Daveslley Oliveira Cardoso (Advogado Autônomo - Administrativa)

Dr. Sérgio Niemeyer, o senhor está certíssimo! Só gente cega é que não quer perceber o óbvio diante dessa triste realidade, qual seja, o inchaço profissional de bacharéis em Direito no Mercado de Trabalho. Depois que foi aberto o "mercado do peixe das faculdades de Direito", os verdadeiros "caça-níquéis", as "máquinas de diploma" que vendem sonhos, mas a colheita no final será de pesadelos, o ensino no Brasil foi gradativamente se arruinando, e o que é pior, criou um excesso de profissionais que, dificilmente, será absorvido pela dura realidade do Mercado de Trabalho! Sou realista!

Ao José Guimarães (Professor Universitário) (1)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Não defendo mercado ou reserva de mercado. Apresento uma visão realista de um fenômeno que só quem milita no foro contencioso, como eu, pode prestar testemunho.
.
É verdade que existem outras formas de solução de conflitos de interesse. A mediação e a arbitragem é uma delas. Porém, não só ainda se mostra muito incipiente, como os advogados de um modo geral também se mostram ou refratários a tal ideia, seja porque insipientes sobre o que ela representa e como pode ser explorada, seja porque não vislumbram nela a mesma possiblidade de obter os mesmos ganhos que a prática da advocacia contenciosa lhes oferece.
.
Só para seu conhecimento, em 1996, quando foi promulgada a Lei 9.307 (Lei da Arbitragem), eu crie um tribunal de mediação e arbitragem independente. Cheguei a elaborar um anteprojeto de lei para que houvesse um rodízio de câmaras arbitrais nas delegacias de trânsito, a fim de resolver os litígios decorrentes de acidentes de veículos com celeridade. A ideia foi simplesmente repudiada por todos. O Judiciário via com maus olhos a arbitragem, porque ela retira dele boa parcela de poder de decidir, diziam-na inconstitucional (violação ao art. 5º, XXXV, da CF). Os advogados, a rechaçavam porque não poderiam cobrar os honorários que normalmente cobram para atuar em juízo. A algumas pessoas partes, muitas vezes não interessa exatamente por causa da rapidez com que produz seu veredito.
.
Somente já entrados no séc. XXI é que esse cenário começou a mudar. Mas ainda assim, a mediação e arbitragem representa uma fração diminuta dos litígios emergentes. Nem mesmo a conciliação judicial pode dizer-se gozar de grande sucesso, pois o volume de conciliações em ações já propostas é muito pequeno no confronto do total de demandas.
.
(CONTINUA)...

Ao José Guimarães (Professor Universitário) (2)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

(CONTINUAÇÃO)...
.
Concluo que uma visão mais otimista, segundo a qual o ingresso de cerca de 30.000 novos profissionais no mercado por ano pode ser uma coisa boa é que se afigura raquítica, porque não leva em consideração os traços característicos da sociedade contemporânea, as pressões econômicas que as pessoas sofrem para sobreviver, o tamanho da máquina estatal, a descontentamento que resultará da insatisfação e da frustração de se ter galgado a um patamar mais elevado de qualificação profissional, mas nem por isso conseguir auferir a remuneração capaz de dignificar o esforço empreendido (hoje tem muito bacharel em direito que, sem conseguir sucesso na profissão, é motorista de táxi; há muitos advogados empregados exercendo a advocacia, mas recebendo uma remuneração igual a de uma empregada doméstica, etc.).
.
Minha visão tem apenas a pretensão de ser realista, embora eu consinta que muitos também vivam de ilusão.
.
(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 18/07/2013.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.