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Contra a maré

Colunista ganha prêmio por cobertura do mensalão

Devido a uma análise técnica do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, contrária à corrente acusatória optada por grande parte da imprensa, o jornalista Marcelo Coelho, da Folha de S.Paulo, ganhou o Grande Prêmio Folha de Jornalismo 2012. A coluna "Questões de Ordem" foi publicada entre os meses de agosto e setembro, no caderno Poder, durante o julgamento da Ação Penal 470.

Foram 53 textos do jornalista, que é membro do conselho editorial da Folha de S.Paulo. Ele analisou, passo a passo, as 53 sessões do julgamento e explicou questões tidas como complicadas, esclarecendo as decisões dos ministros.

Em um dos textos, publicado no dia 24 de agosto, por exemplo, Coelho destacou o voto do ministro Ricardo Lewandowski que absolveu João Paulo Cunha das acusações de corrupção passiva e peculato. Coelho mencionou comentários na internet falando em "pizza" no julgamento. O colunista defendeu o voto do ministro: "Pizza haveria se o voto fosse genérico, nebuloso, sem tocar nos pontos levantados pela acusação". Porém, ressaltou que o ministro "só omitiu um detalhe: a decisão anterior do Supremo, na qual ele se fundamentou por várias vezes, foi a que absolveu Fernando Collor de Mello".

Foi a primeira vez que o Grande Prêmio Folha não foi concedido a uma reportagem, fotografia ou série, mas sim a uma coluna de análise.

À Folha, Marcelo Coelho disse que aceitou o desafio de escrever sobre o julgamento pois tinha interesse no caso. Após iniciado o julgamento, confessou que suas ilusões quanto ao PT acabaram.

"Quando o mensalão estourou, eu já acreditava pouco no governo do PT. Mesmo assim, o escândalo me surpreendeu e acabou com as ilusões que ainda tinha quanto à pureza do PT. Seguir o julgamento, acompanhar todos os debates, era coisa que me interessava muito", observa.

O colunista disse ainda que a linguagem dos ministros utilizadas no julgamento do mensalão não é difícil de endenter. "Eles mesmos tinham consciência de estar falando para o público e na maior parte das vezes explicavam, em verdadeiras aulas, os termos técnicos, os raciocínios jurídicos e o conteúdo da legislação."

Filho de um desembargador do Tribunal de Justiça, Marcelo Coelho é formado em Ciências Sociais pela USP, com mestrado sobre "Brasília e a ideologia do desenvolvimento". Desde 1981 colabora com a Folha. Tornou-se editorialista do jornal em 1984 e, a partir de 1990, passou também a assinar uma coluna no caderno Ilustrada. Escreveu, entre outros livros, Crítica Cultural: Teoria e Prática (Publifolha, 2006). 

Revista Consultor Jurídico, 19 de fevereiro de 2013, 12h17

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