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Investigações secretas

Anonymous grava conversa do FBI com a Scotland Yard

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O FBI (Federal Bureau of Investigation — o equivalente nos Estados Unidos à Polícia Federal brasileira) admitiu neste fim de semana que o grupo internacional de hackers, conhecido como Anonymous, conseguiu interceptar e gravar uma teleconferência entre seus agentes, integrantes da Scotland Yard, da Inglaterra, e de outras agências internacionais de Polícia. O grupo gravou 16 minutos de conversa entre os agentes e colocou a gravação no YouTube, como noticiam os jornais The New York Times e o The Washington Post.

Entre piadas sobre um hacker suspeito, de apenas 15 anos, que um agente descreveu como "um tanto idiota", e gracejos sobre o McDonald’s, os participantes da teleconferência discutiram a investigação em andamento contra os hackers e um pedido do FBI à Scotland Yard para retardar a prisão de dois suspeitos de hacking. O FBI pediu mais tempo para terminar as investigações que está realizando sobre as atividades do Anonymous e de outros aliados, como o Lulzsec, o Antisec e outros grupos fragmentados. Em outras palavras, os hackers gravaram uma discussão de táticas dos órgãos de segurança internacionais para pegar os hackers (clique aqui para ouvir a teleconferência em inglês).

"O FBI deve estar curioso para saber como podemos ler, continuamente, suas comunicações internas, já por algum tempo", disseram membros do Anonymous, que celebraram o episódio via Twitter. De fato, o FBI decidiu ampliar o escopo de suas investigações do grupo. Agora, quer descobrir como o Anonymous conseguiu gravar a teleconferência entre alguns órgãos de segurança mais poderosos do mundo. O FBI emitiu uma breve declaração que confirma a invasão e anuncia a nova investigação. "As informações eram destinadas a autoridades policiais e foram obtidas ilegalmente. Uma investigação criminal foi aberta para identificar o punir os culpados", diz o comunicado.

Horas mais tarde, o grupo assumiu a responsabilidade pelo hacking do site da firma de advocacia Puckett & Faraj, que representa o sargento americano Frank Wuterich. O militar é acusado de liderar um grupo de Marines que assassinou 24 civis desarmados, no Iraque, em 2005, que é chamado o massacre de Haditha — uma cidade à beira do Rio Eufrates. Entre os mortos, um homem de 76 anos, mulheres e crianças (algumas com menos de um ano). Algumas da vítimas foram encontradas com as cabeças cortadas.

O militar responde o processo em liberdade, porque confessou o crime e se declarou arrependido ao juiz, por haver ordenado "atirar primeiro, fazer perguntas depois". Ele foi punido apenas com rebaixamento de posto e consequente redução de salário, o que provocou reações iradas dos iraquianos e a decisão dos hackers de intervir no caso. Arquivos de 2,55 gigabytes da Puckett & Faraj, firma de Washington, D.C., foram colocados no Pirate Bay, um site frequentemente usado pelos hackers. E o grupo anunciou que, brevemente, vai tornar públicas "correspondências e transcrições" da firma sobre o caso.

As conversações entre os agentes do FBI, Scotland Yard e seus pares na França, Alemanha, Irlanda, Holanda e Suécia se relacionavam a uma investigação internacional, iniciada em 2010, depois que o grupo Anonymous montou ataques contra a MasterCard, PayPal, Amazon e outros sites que interromperam a coleta de doações para a WikiLeaks, a pedido do governo dos Estados Unidos. A Wikileaks havia divulgado centenas de milhares de documentos militares e diplomáticos em seus sites.

No mês passado, o grupo Anonymous, que é "um grupo desorganizado de programadores de computação, adolescentes traquinas e ativistas", segundo Washington Post, atacou o site do Departamento da Justiça dos Estados Unidos, em retaliação à abertura de ação criminal contra os fundadores do Megaupload, um serviço popular na internet de transferência de música e filmes anonimamente. A Anonymous tem preferência por ataques aos sites de grandes corporações, dos militares, dos órgãos de segurança, em geral, e do FBI, em particular.

De acordo com o professor de ciências da computação do Instituto Politécnico da Universidade de Nova York, Keith Ross, os hackers podem ter invadido contas de e-mail pessoais das autoridades policiais ou redes wireless não criptografadas ou, mais provavelmente, usado a tática relativamente simples, conhecida como phishing attack. Essa tática consiste em mandar um e-mail que parece ser de um amigo ou familiar, persuadindo o recipiente a clicar em um link. Isso feito, qualquer tecla pressionada em um computador pode ser gravada. Essa gravação é uma maneira eficiente de roubar nomes de usuário e senhas.

Esse método deve ter sido usado para fazer o hacking do site dos advogados Neal Puckett e Haytham Faraj, que representam o sargento Wuterich, diz o professor. O site da firma foi desfigurado pelos hackers, para exibir uma mensagem do Anonymous, segundo a qual o grupo estava expondo "a corrupção dos sistemas judiciários e a brutalidade do imperialismo americano", relata o site Gawker.com. A firma foi obrigada a tirar seu site do ar.




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 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 6 de fevereiro de 2012, 13h01

Comentários de leitores

1 comentário

"Robins Hoods" modernos

Wescley Furtado (Estudante de Direito)

Burlaram o sistema para compartilhar informações de interesse PÚBLICO, não devem ser considerados criminosos! É a mesma relação "Facebook" x "Wikileaks": ambos divulgam informações, contudo, o primeiro expõe dados PESSOAIS, sem sofrer nenhum tipo de intervenção estatal, ao passo que o segundo, compartilha informações de interesse PÚBLICO e, curiosamente, sofre intervenções governamental.

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