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Regras de atuação

Supremo decide limites de atuação do CNJ na quarta

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Às vésperas de o Supremo Tribunal Federal decidir se esvazia e enxuga as atribuições do Conselho Nacional de Justiça, em decorrência da pressão das corregedorias dos tribunais e da Ação Direta de Inconstitucionalidade questionando as prerrogativas do órgão encarregado do controle externo do Judiciário, a corregedora Eliana Calmon disse que esse é o "primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga".

A declaração foi dada à Associação Paulista de Jornais. Hoje, o CNJ é divido em dois departamentos: um voltado para a racionalização do processo e outro para a correição. Foi em 2008 que o órgão, por iniciativa do então ministro corregedor-geral Gilson Dipp, passou a realizar inspeções e audiências públicas em diversas unidades do Judiciário.

A ADI 4.638, apresentada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), prevista na pauta desta quarta-feira (28/9), questiona as prerrogativas do órgão encarregado do controle externo do Judiciário. Segundo a entidade, o CNJ não poderia punir, devendo limitar-se a atuar nos casos de omissão das corregedorias dos tribunais.

De acordo com a AMB, a Resolução 135, "que dispõe sobre a uniformização de normas relativas ao procedimento administrativo disciplinar aplicável aos magistrados, acerca do rito e das penalidades, e dá outras providências", é inconstitucional. Segundo a entidade, "essa redação é inaceitável porque altera radicalmente o texto constitucional. Em termos de técnica legislativa configura hipótese clara de fraude 'normativa', pois de forma intencional o órgão a quem incumbe regulamentar ou disciplinar determinado diploma legal, cria dispositivo normativo com sentido oposto ao da lei".

Na entrevista à Associação de Jornalistas, Eliana Calmon contou que desde que assumiu o cargo, em setembro de 2010, tem se preocupado com outro aspecto de atuação do órgão, além da disciplinar: "A Corregedoria também tem por função orientar, direcionar, dirigir e facilitar a magistratura".

Para o decano do Conselho Nacional de Justiça, Marcelo Nobre, a AMB não entendeu a resolução que questiona. Em entrevista à Consultor Jurídico, ele disse que "a norma vem para cumprir exatamente o que a Constituição diz ser a atribuição do Conselho Nacional de Justiça. É uma resolução benéfica para a magistratura e para o Poder Judiciário porque padroniza os processos administrativos disciplinares em todo país. Aquele que tem visão estreita, ou seja, de um só lugar, de um só tribunal, pode achá-la estranha". Ou seja, para ele, o CNJ está longe de ter se desviado de sua principal função, transformando-se em uma supercorregedoria.

Nelson Calandra, presidente da AMB, declarou, em artigo publicado na ConJur, que "o CNJ tem contribuído na fiscalização e orientação da gestão administrativa e financeira dos tribunais e até mesmo corrigido, na forma da lei, excessos ou desvios eventualmente praticados. A AMB e os seus associados respeitam as sanções aplicadas a magistrados que descumpram a sua missão constitucional, desde que assegurados o devido processo legal e a ampla defesa. O que se reprova-e que é a exceção, o açodamento, acompanhado da atuação midiática, sem observância das regras constitucionais".

De acordo com ele, "ao STF, órgão jurisdicional, compete, precipuamente, a guarda da Constituição e também processar e julgar ações contra atos do Conselho Nacional de Justiça. A este, compete o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, sujeitando-se, como qualquer outro órgão do Poder Judiciário, ao controle constitucional pelo STF".

Para a ministra Eliana Calmon, o problema do Judiciário ainda é a gestão. "O CNJ veio para ensinar gestão ao Poder Judiciário, mostrar como é que se gere e criar um padrão uniforme para todos os tribunais. Antes do CNJ, nós tínhamos 27 tribunais estaduais que eram ilhas isoladas", conta.

Tem a mesma visão o presidente da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp), Arystóbulo de Oliveira Freitas. Em entrevista à ConJur, ele disse que a Emenda Constitucional 45, que criou o CNJ, foi uma das medidas mais acertadas dos legisladores. "Estruturalmente, todo órgão público deveria ter um plano diretor, com regras e parâmetros mínimos a serem seguidos nas diversas gestões. É necessário que existam parâmetros permanentes para que a instituição não fique ao sabor da vontade dos gestores", opina.

Ele lembrou ainda que dadas as dimensões do território brasileiro e as realidades distintas, "é necessário um órgão que tenha independência e decida sobre isso concorrentemente, às vezes até antes da atuação da corregedoria local".

O secretário-geral do Conselho Federal da OAB, em artigo publicado na ConJur, manifestou-se pelo papel não subsidiário do CNJ em relação às outras corregedorias. "Seria muito luxo para uma nação criar um órgão constitucional para atuar no banco de reserva das corregedorias estaduais. O CNJ, que tem se demonstrado não subserviente aos donos do poder, também não há de ser considerado subsidiário", disse.

Maria Tereza Sadek, diretora de pesquisa do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas Judiciais, é enfática. "A tese de que a competência do CNJ é subsidiária, e, assim, somente pode ser exercida após a constatação de que os tribunais de origem foram inertes ou parciais, interessa tão somente àqueles que depositam suas fichas no jogo do tempo, da prescrição e do esquecimento", declarou em artigo para o jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a pesquisadora, "um conselho criado justamente porque os meios de controle existentes até a década passada eram ineficazes e parciais não pode ter a sua atuação condicionada ao prévio esgotamento dos meios de que os tribunais há muito tempo dispõem e que, na prática, pouco ou nunca utilizaram para corrigir os desvios de seus integrantes".

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 26 de setembro de 2011, 18h40

Comentários de leitores

17 comentários

Parabenização

ALVARO CARRASCO - ADVOGADO (Advogado Autônomo - Empresarial)

Parabenizo à Dra. Eliana Calmon pela proba e prestigiosa atuação como Ministra do colendo Tribunal da Cidadania e, especialmente, neste momento, como Corregedora Nacional de Justiça, muito feliz por suas duras e necessárias palavras a respeito da essencial função judicante e do alarmante descrédito atualmente existente quanto a ela, recém proferidas em estrodosa e oportuna entrevista a Associação Paulista de Jornais e ao periódico Folha de São Paulo, certo de que, além de corretas, fortalecem a magistratura e o Poder Judiciário e contribuem enormemente para a consolidação do Estado Democrático de Direito.

Contraponto

Anna Gilda Dianin (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Sabe o que seria cômico, se não fosse trágico? É que a ADI 4.638 foi autuada em 16/08/2011 e no dia 05/09/2011 a MC foi apresentada em mesa para julgamento. Que urgência, não? Que questão urgente é esta? Quantas outras ações diretas estão pendentes de julgamento? Quantos Recursos Extraordinários com repercussão geral reconhecida? Quantos assuntos urgentes que dizem respeito ao direito de inúmeros cidadãos estão à espera de solução? Quantos processos com pedidos de vista e que adormecem nos gabinetes? E as altas Cortes gastando tempo em resolver problemas decorrentes de processos disciplinares, com bate-boca sobre se tem ou não "bandidos de toga"! ou treinando para "dançar na boquinha da garrafa", ou "segurar o Tcham", como se pode ler no Portal do UOL neste início de semana, ao se reportar às declarações de Demóstesnes Torres. Ora pois! Os cidadãos merecerem respeito! Que nos avisem o dia em que os ilustres representantes entrarem na idade adulta e cessarem de ficar examinas os próprios umbigos.

Contraponto

Anna Gilda Dianin (Advogado Sócio de Escritório - Empresarial)

Sabe o que seria cômico, se não fosse trágico? É que a ADI 4.638 foi autuada em 16/08/2011 e no dia 05/09/2011 a MC foi apresentada em mesa para julgamento. Que urgência, não? Que questão urgente é esta? Quantas outras ações diretas estão pendentes de julgamento? Quantos Recursos Extraordinários com repercussão geral reconhecida? Quantos assuntos urgentes que dizem respeito ao direito de inúmeros cidadãos estão à espera de solução? Quantos processos com pedidos de vista e que adormecem nos gabinetes? E as altas Cortes gastando tempo em resolver problemas decorrentes de processos disciplinares, com bate-boca sobre se tem ou não "bandidos de toga"! ou treinando para "dançar na boquinha da garrafa", ou "segurar o Tcham", como se pode ler no Portal do UOL neste início de semana, ao se reportar às declarações de Demóstesnes Torres. Ora pois! Os cidadãos merecerem respeito! Que nos avisem o dia em que os ilustres representantes entrarem na idade adulta e cessarem de ficar examinas os próprios umbigos.

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