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Operação antifraudes

Especialista é condenado por desvio de verbas

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O consultor político John Haggerty, do Partido Republicano, nos Estados Unidos, conhece os labirintos da fraude por todos os seus lados. Em 2009, na condição de um dos principais articuladores da campanha de reeleição do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ele montou uma intrincada operação de vigilância para evitar fraudes no dia das eleições. Na sexta-feira (21/10), ele foi condenado, por um Júri na Suprema Corte de Manhattan, por fraudar os cofres da campanha em US$ 1,1 milhão – o dinheiro da operação antifraude.

A pena ainda vai ser definida pelo tribunal. Mas Haggerty, 42, pode pegar até 15 anos de prisão. O Júri o condenou por roubo de grande porte (grand larceny) e lavagem de dinheiro ao final de um julgamento que durou várias semanas, noticiam o Político, a Reuters e diversos jornais. 

Para conseguir uma verba para montar a operação antifraude, Haggerty disse a Bloomberg que iria montar um escritório só para essa finalidade, contratar 1.300 observadores, vários motoristas e alugar quartos de hotel. As investigações revelaram que, ele só empregou, nessa operação, US$ 32 mil. O restante, ele aplicou na própria fraude. Segundo a Associated Press, ele montou uma empresa para fazer a lavagem do dinheiro e comprou uma casa por US$ 750 mil. Segundo a Reuters, ele teria comprado a casa do próprio pai (já falecido), no bairro de Queens.

O prefeito Michael Bloomberg, um bilionário que financia a maior parte dos gastos das próprias campanhas eleitorais, teria feito uma doação de US$ 1,2 milhão para o Partido Independência do estado, que teria repassado a maior parte para a firma de Haggerty. A intenção era deixar o Partido Republicano fora da operação. Políticos do Partido Democrata e de todo o país se queixaram, dizendo que tais operações são uma cobertura para supressão de eleitores, especialmente em áreas onde prevalecem minorias que não votam no Partido Republicano.

Interrogado duramente pelo advogado de defesa de Haggerty, no julgamento, Bloomberg não perdeu a calma, noticiam os jornais. Ele apenas disse, repetidamente, que não se recordava dos fatos – entre eles, o de que havia doado US$ 1,2 milhão ao Partido Independência. Para o promotor, seria natural que alguém, que gastou mais de US$ 100 milhões na campanha, não se lembrasse de US$ 1 milhão.

 Depois do julgamento, a jurada Piper Gray disse que nunca ia se esquecer da promessa que fez a si mesma: "Nunca mais vou doar um centavo para campanhas políticas".

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 23 de outubro de 2011, 15h56

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