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Não pergunte, não diga

Marinha dos EUA revoga permissão a casamento gay

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Enquanto no Brasil o Supremo Tribunal Federal decidiu a favor da legalidade da união entre casais do mesmo sexo, nos Estados Unidos, a Marinha americana voltou, esta semana, ao centro do debate sobre os limites da lei e o direito de casais homossexuais.

Nos EUA, onde em alguns estados o casamento entre casais do mesmo sexo é permitido, a Marinha revogou uma orientação anterior que permitia a realização de cerimônias de matrimônio de casais homossexuais nas bases e instalações da própria Marinha localizadas em estados onde a prática é legal.

A Marinha dos Estados Unidos possui uma corporação de capelães, que são sacerdotes geralmente vinculados a igrejas e denominações cristãs. Os capelães militares são oficiais das Forças Armadas, sujeitos à hierarquia e prestam aconselhamento às tropas, realizando batizados e casamentos em capelas sediadas nas próprias bases militares.

Desde que o presidente Barack Obama sancionou, em dezembro, a lei que derrubava a norma “Don’t ask, don’t tell” (não pergunte, não diga) anulando a ordem que impedia os membros das Forças Armadas de se declararem homossexuais, bases militares em todo o país têm empregado programas de orientação e esclarecimento sobre a nova lei.

Em 13 de abril, a Marinha americana divulgou um memorando sobre a queda da norma “Don’t ask, don’t tell", assinado pelo contra-almirante Mark L. Tidd, chefe dos capelães militares, explicando que as capelas localizadas nas bases eram “de orientação sexual neutra”. Dessa forma, o chefe dos capelães autorizava que os clérigos militares oficializassem cerimônias de casamento de casais homossexuais dentro das bases da Marinha em estados onde a lei permitisse.

Contudo, a norma durou menos de um mês e foi suspensa na terça-feira (10/05) após uma série de protestos promovidos por congressistas do Partido Republicano e grupos conservadores, que afirmaram que a autorização violava outra lei que proíbe o reconhecimento, em esfera federal, de casamentos entre casais do mesmo sexo. Trata-se da lei de Defesa do Casamento (DOMA, na sigla em inglês de Defense of Marriage Act)

O contra-almirante Tidd supendeu a realização de casamentos entre homossexuais em bases da Marinha por todo o país, em nota divulgada na terça-feira, até “a devida análise jurídica e de procedimentos adicionais, bem como a revisão da coordenação inter-regional”.

Em abril, logo após a divulgação, pela Marinha, do memorando que autorizava capelães militares a oficializar casamentos de casais do mesmo sexo, o deputado republicano Todd Akin reuniu 62 assinaturas de outros congressistas intimando a Marinha a observar a lei DOMA.

Entidades a favor dos direitos humanos e de homossexuais nos EUA se manifestaram nesta quarta-feira (11/5) contrários à decisão da Marinha de revogar o memorando e prometeram contestar a decisão na Justiça.




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 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 11 de maio de 2011, 16h00

Comentários de leitores

1 comentário

BRASIL, NA CONTRAMÃO!

Cláudio João (Outros - Empresarial)

Interessante como nossos "liberais" de plantão, quem diria, ligados à ideologia dominante do governo, vêem as "novidades" vindas de fora, adotam-nas, mas esquecem-se que verificar quais os seus efeitos, onde já foram testadas, É o clássico, aprender com a prática, que, infelizmente, agora, não está sendo adotado no Brasil. Demoramos para a tomar a atitude e, quando a tomamos, os outros paises que já o fizeram, verificaram a sua incoveniência. E, em vez de aproveitarmos a sua experiência, a destempo, anacronicamente, as tomamos como novidade e vanguarda. Fizemos isto com as leis de quotas, que foi revista nos USA que a usaram por mais de 30 anos, esquecendo que temos, e muito, pobres e excluídos brancos, não somente negros, índios, mamelucos, cafusos etc. No caso do casamento gay, alguém perguntou para a sociedade se isto é de seu agrado? Por que, então, o grande Supremo, "legislou", ao seu alvedrio, alegando falta de apetite do Legislativo, poder legal para fazê-lo? E, a Constituição, que reza que a família se constitui entre homem e mulher, como darmos uma interpretação contrária aos seus ditames? E, partindo-se do Egrégio STF, que deveria protegê-la em seus estritos termos, como entender, sem se preocupar os outros "temas" que poderão advir com esta intepretação?

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