Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Justiça Militar

PMs são condenados por sequestro e extorsão no Rio

A juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, da Auditoria da Justiça Militar do Rio de Janeiro, condenou quatro policiais militares pelos crimes de extorsão mediante sequestro, roubo qualificado e extorsão. Por duas vezes, eles exigiram dinheiro de um frequentador da Vila Mimosa, na Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro.

Entre os réus está o 2º tenente da PM Vítor Alexandre Silveira, condenado a 13 anos e dois meses de prisão. Já o cabo Alexandre Roberto dos Santos Rodrigues foi condenado a 18 anos e quatros meses de prisão, o soldado PM Josemir Flávio Pereira a 10 anos e noves meses e o soldado PM Wandercleison Pires dos Santos a 12 anos de reclusão. Todos cumprirão a pena em regime, inicialmente, fechado.   

A vítima em questão frequentava uma boate na Vila Mimosa e, na madrugada do dia 21 de janeiro do ano passado, foi abordada pelo soldado Wandercleison e pelo cabo Alexandre Roberto. Os policiais lhe deram voz de prisão, acusando-o de ser traficante de drogas, e passaram a exigir propina para que ele não fosse preso. A vítima entregou, então, R$ 6 mil aos PMs.

O homem voltou a ser abordado na semana seguinte, na madrugada do dia 28 de abril , pelos mesmos policias e mais o 2º tenente e o soldado Josemir. Dessa vez, foram exigidos R$ 20 mil, mas a vítima só tinha R$ 1 mil. O homem foi, então, detido até o dia amanhecer, quando foi levado a uma agência da Caixa Econômica Federal para que fossem sacados mais R$ 1 mil.

Segundo a juíza, a condenação deve servir de exemplo para os policiais que utilizam sua posição contra a população. “Ante todo o exposto, percebe-se que os acusados, a quem a Constituição da República delegou a preservação da ordem pública, utilizaram-se de suas fardas e do poder ostensivo inerente a sua função para obter vantagens ilícitas, em atuação ainda mais danosa do que aquela de bandidos que se comprometeram a combater”, completou Ana Paula.

Para decidir, a juíza ouviu testemunhas das extorsões e baseou-se em imagens dos circuitos internos de câmeras dos estabelecimentos próximos à boate frequentada pela vítima. As informações são da Assessoria de Imprensa do TJRJ.

014033178.2010.8.19.0001

Revista Consultor Jurídico, 9 de junho de 2011, 7h42

Comentários de leitores

2 comentários

Resumindo

João Carlos Silva Cardoso (Jornalista)

Resumindo: quem paga sob coação ou ameaça é vítima, não corruptor.

Parabéns!

João Carlos Silva Cardoso (Jornalista)

Esse raciocínio de que a culpa é sempre de quem paga é quem corrompe é uma mentalidade tacanha.
Tenho alguns ex-colegas de colégio que hoje são da Polícia e todos - TODOS - falam a mesma ladainha.
Se pensar assim, V. pune só o lado mais fraco e a extorsão (no caso, concussão, por serem funcionários públicos) não seria crime. E é pior: o policial corrupto “trai” a confiança que o Estado lhe depositou, ao lhe conferir a autoridade que lhe foi investida. Merece punição dobrada, justamente porque “joga dos dois lados”: da lei e do crime. Haja vista que você pode mandar um sequestrador às favas com a coação, mas não pode mandar um policial corrupto, porque aí ele passa para o lado de “homem da lei” e te prende por desacato.
E se não pagasse? Plantariam um saquinho de cocaína em seu caminhão? Sumiriam com ele, como alguns PMs fizeram com a engenheira na Barra da Tijuca/Recreio?
É o lema: “criar dificuldades para ganhar facilidade”.
Isso também põe por terra essa história infantil (que alguns colegas meus que são policiais) falam de que “se você estiver certo, o cara não faz nada com você”. Mentira.
Tem que punir de cima para baixo. A magistrada está de parabéns.

Comentários encerrados em 17/06/2011.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.