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Olho no furacão

Carreira Alvim revela detalhes da ação em que é réu

Por 

livro Operação Hurricane

No livro Operação Hurricane — Um Juiz no Olho do Furacão, o ex-desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª região, José Eduardo Carreira Alvim, que foi afastado do cargo por ser acusado de vender decisões judiciais em favor do jogo ilegal no Rio de Janeiro, diz contar a verdadeira história por trás do furacão. Em abril de 2007, ele passou nove dias preso e diz ter sido vítima de uma farsa armada por um grupo que não o queria ver na presidência do tribunal, que foi aceita pela Justiça e pela mídia.

"Nunca dei decisões para o funcionamento de bingos. Quem deu várias foram meus ex-colegas que estão lá", afirma Carreira Alvim. Ele deixa claro que autorizou a liberação de máquinas caça-níqueis apreendidas em operações policiais, mas o fez porque o TJ-RJ já tinha concedido uma liminar para os bingos funcionarem. Nesse sentido, conta que nesses casos nem o pedido do Ministério Público para impedir a liberação dizia respeito à proibição do jogo, o argumento era que as máquinas continham componentes importados ilicitamente.

“Fui crucificado pela mídia”, reclama. Segundo Alvim, “a Polícia Federal fez um relatório sem pé nem cabeça. Para suas suposições terem fundamento o relógio teria que ter andado para trás”.

Ele explica que não quis falar sobre o assunto antes porque não tinha nada concreto e “ficava minha palavra contra da Globo, da Polícia Federal e do MP”. Na obra, que será lançada na próxima terça-feira (14/6), no Rio de Janeiro, Carreira Alvim diz ter juntado documentos que provam a farsa.

Supremo
O ex-desembargador acusa PF, MP e STF de terem se juntado para armar uma farsa contra ele. E diz ter esperança de que o Brasil terá responsabilidade para apurar o que aconteceu.

No livro, Alvim dedicou um capítulo exclusivo ao atual presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, relator do inquérito e da Ação Penal a que responde: “Decifra-me ou te devoro”. Na época do recebimento da denúncia o ex-desembargador criticou a atuação do ministro ao ter autorizado os grampos no inquérito policial e ser relator da ação. “Pela irresponsabilidade de um ministro do STF, que acreditou no que disse a Polícia Federal e o Ministério Público, eu fui preso”, disse.

O autor conta que logo após ter autorizado o grampo telefônico contra ele, Peluso o encontrou em um evento do qual ele foi um dos organizadores, e discutia exatamente o tema corrupção. “Mesmo assim ele não se interessou em certificar o que estava por trás das denúncias”, critica. “A quem vou recorrer se o ministro do STF faz isso?” questiona.

Em maio de 2008, a ConJur publicou reportagem sobre os grampos telefônicos. O desembargador José Eduardo Carreira Alvim foi grampeado pela Polícia Federal por dois anos e meio e nesse período foram encontradas apenas duas ligações suspeitas, que não somam um minuto de conversa.

Ao final, o ex-desembargador deixa claro que a publicação do livro e a divulgação de sua versão da história, não é por ele, é pelo povo brasileiro. “O que fizeram comigo, que era vice-presidente do TRF-2, com mais de 50 obras publicadas, conhecido dos ministros que acreditaram na maquinação é um absurdo. Imagina se fizerem isso contra um ‘João da Silva’.”

Réus
O inquérito da investigação da Operação Furacão deu origem à Ação Penal a qual também respondem o ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça Paulo Medina, o procurador regional da República João Sérgio Leal, o juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas Ernesto Dória, e o advogado e irmão do ministro Virgílio Medina.

Paulo Medina responde por corrupção passiva e prevaricação. A denúncia foi rejeitada quanto ao crime de formação de quadrilha. Carreira Alvim vai responder por corrupção passiva e formação de quadrilha. João Sérgio Leal e Ernesto Dória vão responder por formação de quadrilha. Virgílio Medina por corrupção passiva. O pedido de prisão preventiva dos acusados foi negado, mas foi determinado o afastamento cautelar dos magistrados.

Leia trechos do livro Operação Hurricane – Um Juiz no Olho do Furacão:

"Confesso que minha indignação foi ter que tirar a cueca, porque me ficou a impressão de que, no fundo, o que os policiais queriam era 'ver um desembargador pelado'; prazer mórbido para a maioria dos homens, mas prazeroso para quem queria me expor ao ridículo, por tudo que eu havia determinado à Polícia Federal por ocasião do cumprimento da decisão sobre a liberação de máquinas caça-níqueis, que ela se recusava a cumprir".

"Em Buenos Aires, o ministro Cezar Peluso, que então já comandava o inquérito no qual eu era um dos principais indiciados, participou inclusive da abertura do 69º Curso Internacional de Criminologia, compondo muitas das Mesas de Trabalho, fazendo-se também presente em todos os painéis que lá realizamos. O ministro deve ter-se sentido muito desconfortável me ouvindo falar sobre corrupção e os meios de combatê-la, o que eu fazia a cada intervalo de cada palestra, porque o tema central do evento era justamente "Os desafios da corrupção"; e ele supunha, induzido pelo então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, que eu pudesse ser um corrupto".

"Como os grampeadores estavam à cata de uma conversa minha, fosse com quem fosse, a ligação que fiz para o meu genro foi para eles como "a sopa no mel", porque, naquela oportunidade eu pronunciara exatamente as palavras que eles precisavam para montar a frase que me incriminaria, pois, tendo eu falado em "parte aérea" e em "parte terrestre", em que que a palavra "parte" aparece duas vezes, e em compra de passagem "em dinheiro", foi montada a partir daí a farsa que aparece no relatório da Polícia Federal "[...]arte em dinheiro,tá?", tendo sido involuntariamente cortada a letra "p" de "parte"; o que facilitou a comprovação da montagem pelo assistente técnico da perícia feita no processo a que responde meu genro."

Serviço
Lançamento do livro Operação Hurricane — Um Juiz no Olho do Furacão
Data: 14 de junho a partir das 18h
Local: Saraiva Mega Store Shopping Rio Sul - Av. Aluro Muller, 116 - Botafogo - 3° piso
Editora: Saraiva
Páginas: 374
Preço: R$31,90

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 9 de junho de 2011, 9h22

Comentários de leitores

9 comentários

pergunte à outra parte

Bellbird (Funcionário público)

Bem, seria ideal perguntar à outra parte o que ela achou da sentença. Não é de hoje que a polícia tem apurado venda de sentenças, mas os Deuses nunca são punidos. Lembro de um lívro. " Eram os deuses astronauta??? Seria melhor: Eram os deuses juízes?

Apoio ao digno Carreira Alvim

JAAG (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

Lamentável sob todos os aspectos, muito mais ainda por se tratar de dignos juízes e ou ministros. Mas é assim mesmo. São percalços do direito e são percalços da justiça. O senhor, digno professor Carreira Alvim, em quem sempre busco modelar meu estudo e conhecimento, é um exemplo de dignidade e heoísmo em nosso País. Dignidade porque além de seu notório saber, sempre pautou sua vida pela observância das lei e aplicação da justiça. Heroísmo, porque é um guerreiro que se assemelha aos grandes nomes da história da humanidade. Não se trata de buscar o elogio fácil, mas de reconhecer quando um homem atesta dua força e sua sabedoria, com talento, esforço, compreensão e pena daqueles que, não se sabe o porquê, tanto buscaram eclodir setas aventureiras e perdidas, porque sem nenhum lastro de autenticidade. Parabéns pela firmeza e pelo caráter que possui. Imediatamente irei comprar o seu livro. É assim; todo o justo pode também sofrer a mazela da incompreensão.

A MELHOR PIADA DO GOVERNO: POLÍCIA REPUBLICANA!

Luiz Carlos de Oliveira Cesar Zubcov (Advogado Autônomo)

A compreensão é um atributo de homens admiráveis, portanto, Senhor Desembargador, esteja preparado para conviver com as desconfianças e críticas malévolas.
Leviano é adotar postura acusatória ou de defesa alheias ao conteúdo dos autos e dos fatos.
A vala comum da humanidade é a mediocridade.
Quem já leu os tais relatórios de “inteligência(?)” teve oportunidade de conhecer com que qualidade, seriedade, isenção e cuidado que são elaborados.
Meras peças passionais que seriam bem aproveitadas nos cursos de psiquiatria.
Longe de pretensa defesa de mérito, no mínimo houve excessos em todas essas operações monstruosas.
Abusos esses cometidos em função do método de investigação inaugurado pelo angelical diretor geral da PF que repousou em terras lusitanas e seus acólitos: descobrir ou industriar fatos típicos a partir de escutas telefônicas e prender para investigar.
O povo brasileiro acredita em tudo, até em polícia republicana.

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