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EUA quer condenar Wikileaks em tribunal secreto

O governo dos Estados Unidos montou um tribunal secreto, em Alexandria, na Virgínia, para tentar prender os responsáveis pelo site Wikileaks sob acusação de espionagem. Segundo o jornalista islandês e número dois do Wikileaks, Kristinn Hrafnsson, as empresas Google e Facebook colaboraram com autoridades dos EUA, repassando dados confidenciais de seus usuários que lastreiam dados do Wikileaks. As informações são do site Brasil247.

Também de acordo com Hrafnsson, nesta quinta-feira (7/7) a rede ajuizou, em Bruxelas, na Bélgica, ações por perdas e danos contra as empresas Visa, MasterCard e o sistema de pagamentos online Pay Pal. No mesmo dia, após sete meses de embargo financeiro, esses serviços suspenderam o veto ao Wikileaks quando souberam do processo.

A Visa e a MasterCard haviam suspendido repasses ao WikiLeaks em dezembro de 2010, após o site ter publicado cerca de 250 mil telegramas diplomáticos secretos norte-americanos. Agora o Wikileaks pede a devolução de 130 mil euros por dia, custo gerado pelo embargo.

De acordo com o jornalista, as ações são decorrentes do fato de Visa, MasterCard e Pay Pal, atendendo a um chamado do governo dos EUA, terem lançado uma campanha mundial contra o Wikileaks para impedir que clientes dos cartões de crédito fizessem doações.

Quanto à ideia de que Google e Facebook colaboraram com os EUA, o jornalista fala que o Twitter se negou a dar dados de seus usuários ao governo americano. “O Twitter bravamente entrou na Justiça alegando que dar dados é contra a política de proteção aos seus clientes e avisou seus usuários. Examinando os documentos judiciais desse caso do Twitter, descobrimos que o governo americano solicitou dados de nossos colaboradores a outras organizações, que em segredo entregaram o material”.

O número dois do Wikileaks diz que há muita força política para que redes sociais atuem contra Julian Assange, fundador do site. “Não tenho nenhuma prova cabal disso, quais são essas entidades, mas eu posso supor que pode ser Facebook e Google”.

Ele diz que isso mostra que, “para pedir ajuda a redes sociais contra nós, eles [EUA] devem ter provas muito fracas. O tipo de informação que eles querem dos nossos colaboradores é: quais são seus números de cartão de crédito, seus endereços pessoais de trabalho, seus endereços de IP. E assim localizar os nossos colaboradores no espaço e no tempo quando estão twittando”.

Forças Ocultas
“O governo dos Estados Unidos parece estar muito determinado em derrubar de uma vez por todas a nossa organização, que é notável pelo que tem feito pela comunidade jornalística, sobretudo lutando pela liberdade de expressão. É quase uma situação única que eles estejam usando todos os seus instrumentos para nos destruir”, relata.

No que diz respeito ao julgamento secreto, Kristinn Hrafnsson conta que não se sabem os procedimentos, as acusações concretas ou quando a corte tomará alguma decisão.

“Isso não tem nenhum tipo de representação legal em todo o mundo. Esse é o pior exemplo que pode ser dado no sistema judicial do mundo. Sobre a nossa segurança, sabemos que estamos sendo investigados secretamente por pessoas que querem acesso aos dados de nossos colaboradores para poder processá-los”, critica.

Hrafnsson diz que outro problema é o ataque que o grupo tem sofrido de instituições financeiras. “Essa força está sendo exercida contra nós desde dezembro do ano passado para que organizações parem de nos doar dinheiro. Estou falando de empresas de cartão de crédito como Visa, MasterCard e PayPal e outras instituições financeiras estão pulando todas neste vagão contra nós. E veja que essas doações feitas por essas formas de pagamento são a nossa única forma de manutenção financeira”, diz.

Marcha lenta
Ele prossegue. “Toda essa movimentação fez com que diminuíssemos um pouco a nossa marcha, isso também tem feito nosso trabalho muito mais duro de ser exercido. Mas nós não estamos nos desviando da meta principal, que nós sempre seguimos. Temos que nos adaptar a essa nova realidade, e isso torna muito árduo fazermos planos para o futuro, porque nós não sabemos de onde virão os lucros. Mais para frente iremos ajuizar ações em todas as jurisdições de outros países onde estamos tendo perdas econômicas”.

Segundo Kristinn Hrafnsson, “nada disso nos impede de continuar a disseminar essas informações de interesse público e para isso contamos com cerca de 80 parceiros da mídia no mundo todo”.

O jornalista de 50 anos de idade fez fama como o maior jornalista investigativo da Islândia. Comandava um programa muito popular, o “Stöð 2”, mantido pela TV estatal islandesa. Foi cortado da rede após ter denunciado, em fevereiro de 2009, corrupção no banco islandês Kaupthing Bank. Ele passou então a trabalhar no Icelandic National Broadcasting Service, espécie de BBC islandesa. Divulgou ali mais dados da corrupção no Kaupthing Bank, na rede e no Wikileaks. O Kaupthing Bank logrou ordem judicial para retirar do ar a reportagem da Icelandic National Broadcasting Service. A proibição foi posteriormente retirada. Em julho de 2010 Kristinn Hrafnsson foi convidado por Assange para assumir o posto de número 2 do Wikileaks.

Revista Consultor Jurídico, 9 de julho de 2011, 9h26

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