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Livro sagrado

Pastor que queimou Alcorão será julgado pela Justiça

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Depois da polêmica da construção de uma mesquita no marco zero, em Nova York, e da onda de projetos de lei anti-Charia (a legislação de conduta do Islã), segue mais um capítulo da batalha entre ativistas contra o islamismo e os seguidores da religião.

O pastor norte-americano Terry Jones, que queimou um exemplar do Alcorão durante protesto organizado por sua igreja, no mês passado, se apresentou a um tribunal, nesta quinta-feira (21/04), em Dearborn, região metropolitana de Detroit, estado de Michigan, por não pagar uma multa de US$ 100 mil ao desrespeitar normas policiais que orientam a organização de manifestações.

Jones, que é um militante anti-islâmico, foi multado por desrespeitar as instruções das autoridades policiais ao promover protestos em frente a mesquitas.

No dia 20 de março, o pastor simulou um julgamento simbólico contra extremistas islâmicos de todo o mundo e, ao final da encenação, colocou fogo em um exemplar do Alcorão.

A queima do livro sagrado do islamismo pelo pastor gerou críticas do presidente Barack Obama e de outras autoridades dentro e fora dos EUA. Como resposta a iniciativa do pastor, radicais islâmicos deram início a uma onda de violência no Afeganistão ainda no final de março. No dia 2 de abril, na sede da ONU em Kandahar, doze pessoas foram mortas como retaliação pelo protesto e a queima do Alcorão organizados pelo pastor Jones.

Na audiência desta quinta-feira, o juiz distrital Mark Somers aceitou o argumento da promotoria e determinou que o réu se apresentasse a um tribunal de júri. O caso repercutiu porque, como costuma ocorrer, bate de frente com a emenda constitucional que regulamenta a liberdade de expressão.

Jones, que tentara queimar o Alcorão no dia 11 de setembro de 2010, desistiu de fazê-lo depois que o presidente Obama foi à televisão e às rádios apelar para que o pastor não levasse a iniciativa adiante. O próprio secretário de Defesa, Robert Gates, também pediu para que Jones desistisse da ideia na época.

Em março, contudo, Jones queimou um exemplar do Alcorão acompanhado de um pequeno número de seguidores. O pastor, no entanto, foi levado à Justiça depois que organizou protestos armados em frente a mesquitas no estado de Michigan. De acordo com a Polícia da cidade de Dearborn, Jones desrespeitou regras que orientam manifestações do tipo. Portar armas durante protestos é uma das violações a essas regras.

Agora um tribunal de júri deve decidir o futuro do pastor por deixar de pagar a multa e também por incitação de violência. O corpo de jurados também irá decidir se Jones pode seguir com seus protestos ou se será proibido de fazê-los.

Um júri de seis pessoas começa a avaliar o caso já na sexta-feira (22/04). O juiz determinou, por ora, que o pastor e seu grupo estão proibidos de organizar protestos em frente ao Centro Islâmico da América, localizado nos arredores da cidade de Detroit. Contudo, Jones prometeu comparecer ao Centro Islâmico, em uma nova manifestação na sexta-feira, mesmo dia do julgamento.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 22 de abril de 2011, 10h58

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