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Direitos humanos

Ex-ditador será julgado por morte de bispo de Rioja

Denunciado por inúmeros crimes contra a humanidade, o ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla, de 85 anos, deve ser julgado em fevereiro de 2011 pela acusação de ordenar o assassinato do bispo da província de Rioja, Enrique Angelelli. Videla, que ficou no poder de 1976 a 1981, foi acusado diversas vezes de violação de direitos humanos. As ações contra ele foram movidas em diferentes regiões do país. As informações, reproduzidas pela Agência Brasil, são da Télam, agência oficial de notícias da Argentina.

Há cinco dias, o ex-ditador foi condenado pela Justiça Argentina à prisão perpétua por crimes de lesa-humanidade durante o período em que esteve à frente da ditadura no país, entre 1976 e 1981, como comandante militar. De acordo com o jornal argentino Clarín, Luciano Menéndez, outro importante líder da ditadura que atuou como ex-chefe militar, recebeu a mesma sentença.

É a segunda condenação por prisão perpétua que o ex-ditador recebe. Em 1985, a corte já havia decidido pela punição. Cinco anos depois, no entanto, foi anistiado por força de uma lei. Em 2007, o tribunal derrubou a anistia e a sentença voltou a valer. Videla e Menéndez foram acusados pelo assassinato de 31 presos políticos numa prisão de Córdoba. Segundo a versão oficial, os presos foram baleados quando tentavam fugir. Videla cumpre a pena em um presídio da capital, Buenos Aires.

Nesta segunda-feira (27/12), foi definido que Videla terá de responder ainda sobre o crime de assassinato do bispo Rioja. O juiz federal Daniel Piedra Herrera reiterou o pedido para que Videla compareça pessoalmente à sessão em que será julgado. 

A acusação é que Videla e Luciano Benjamin Menéndez lideraram o ataque e o assassinato do religioso, em 4 de agosto de 1976, na cidade de Punta de los Llanos. Angelelli era um dos líderes da Igreja da Libertação na Argentina e o assassinato dele virou uma espécie de símbolo de combate aos crimes ocorridos durante a ditadura militar argentina — uma das mais violentas da América Latina.

No último dia 22, Videla foi julgado e condenado pela morte de 31 prisioneiros em San Martín de Córdoba. Em sua defesa, o ex-ditador alegou que há “inimigos” no poder na Argentina que querem instaurar um regime político à “maneira marxista”. Ele disse que aceitava a pena de prisão perpétua  “sob protesto”.

Revista Consultor Jurídico, 27 de dezembro de 2010, 19h03

Comentários de leitores

2 comentários

Repristinação só não vale para a esquerda

Alex Tube (Outros)

Sou capaz de apostar que se fosse um terrorista de esquerda no lugar do militar argentino, muitos tirariam do bolso teses prontas classificando como aberração jurídica o fato de se admitir repristinação da lei em prejuízo do réu.
Sem dúvida, o general Videla está certo quando reconhece a vitória do gramscismo sobre boa parte do pensamento latino-americano contemporâneo. E vamos pagar caro por esta falha de percepção. Meia dúzia de esquerdistas facínoras esfregam as mãos de contentamento com sentenças como esta que condenou o general Videla.

Enquanto isso, na Banânia...

Armando do Prado (Professor)

Os fascistas torturadores e criminosos continuam impunes e dando nomes a pontes e elevados...

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