Consultor Jurídico

Acusação de extorsão

PF faz operação para prender policiais

Para tentar “desarticular uma quadrilha voltada à prática de crimes de corrupção passiva, concussão e extorsão”, a Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (23/3), em São Paulo, uma operação batizada como Persistência.

A PF afirma que “o núcleo da quadrilha era formado por dois policiais federais, um ex-policial civil que fora expulso da corporação acusado de cometer crimes da mesma natureza, e um ex-policial militar, condenado em 2001 a 23 anos de reclusão pelo assassinato do Delegado de Polícia Federal Alcioni Serafim De Santana, ex-corregedor da PF que investigava atos de corrupção na corporação”.

Foram cumpridos sete mandados de prisão e onze ordens de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. Segundo a PF, “durante as diligências, foram encontradas, armas, carteiras policiais falsas, veículos roubados, bens que eram utilizados nos achaques e também foi apreendida certa quantidade em dinheiro, supostamente proveniente das extorsões”.

De acordo com a PF, as investigações, iniciadas em novembro de 2008, demonstram que “a quadrilha atuava extorquindo diversos empresários na região metropolitana de SP, além de ônibus de sacoleiros provenientes do Paraguai. Eles exigiam valores a pretexto de não efetuarem prisões e apreensões de mercadorias”.

Morte de delegado

O assassinato do então delegado-corregedor da PF de São Paulo, Alcioni Serafim de Santana, ocorreu em 27 de maio de 1998, quando ele saía de sua casa na Vila Mazzei, na capital paulista.

O delegado estava acompanhado da mulher. Segundo a denúncia do MPF, Carlos Alberto da Silva Gomes e Gildásio Teixeira Roma dispararam dois tiros, cada um, contra o delegado, mediante promessa de pagamento por parte do contratante Gildenor Alves de Oliveira. Este, por sua vez, teria sido contratado por Carlos Leonel da Silva Cruz e Sérgio Bueno. O fato de o delegado ter sido morto por causa de suas funções acarretou o trâmite do processo na Justiça Federal.

A 2ª Turma do Tribunal Regional da 3ª Região manteve a condenação do ex-delegado federal Carlos Leonel da Silva Cruz a 27 anos de prisão em regime fechado. Ele foi condenado por júri popular por mandar matar Alcioni.




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Revista Consultor Jurídico, 23 de março de 2009, 15h32

Comentários de leitores

1 comentário

Absolvição de um dos acusados

Alexandre de Sá (Advogado Sócio de Escritório)

Fui advogado de Carlos Alberto da Silva Gomes, e pude demonstrar perante o Egrégio Conselho de Sentença que a acusação formulada contra "Carlinhos" era infundada e foi fruto de denúncia anônima, formulada provavelmente pelo próprio co-réu, policial militar, acima citado. Ocorre que o réu alegou haver sido torturado para confessar na fase policial e no afã de solucionar o crime, a investigação trocou os pés pelas mãos, não por acaso os jurados absolveram o réu por quase unânimidade de votos (6x1). A descoberta de policiais corruptos, como no caso acima, deve servir de alerta, para que o representantes do Ministério Público e da Magistratura, apreciem as provas com maior cautela e independência, afim de evitar que as mazelas praticadas por maus policiais se perpetue, distorcendo a Justiça merecida por todos.
Já dizia o Barão de Montesquieu, há mais de trezentos atrás: A injustiça que se faz a um, é a ameaça que se faz a todos".

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