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Delegados da PF reclamam de vazamento de inquérito

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal divulgou nota para reclamar do vazamento do inquérito da Operação G, que investiga os desmandos do delegado Protógenes Queiroz durante a Operação Satiagraha. A associação manifestou sua irresignação porque os jornalistas da Veja tiveram acesso às informações.

Neste final de semana, Veja divulgou detalhes da investigação contra Protógenes, mostrando que o delegado grampeou e bisbilhotou autoridades dos três poderes, advogados e jornalistas. “É preciso ser exemplar, quando se quer cobrar respeito ao Estado Democrático de Direito. Isso não é possível com a violação de uma investigação que tramita em segredo de justiça”, afirmou a ANDPF. Na quarta-feira (4/3), o juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, decretou o fim de segredo de Justiça do caso.

Para os delegados da PF, o Estado Democrático de Direito “não é compatível com acusações de escutas clandestinas baseadas em ilações e conjecturas sem apresentação de qualquer áudio ou outra prova material dos noticiados grampos telefônicos”.

Os delegados reclamam que não é aceitável que setores da imprensa se esforcem para investigar o delegado Protógenes sem dedicar o mesmo esforço contra os acusados da Operação Satiagraha. “Essa movimentação jornalística coincide com a apresentação do Relatório da CPI das Escutas com o claro objetivo de forçar uma prorrogação e de indiciamentos até então não propostos”, afirma a associação.

Leia a nota

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal – ADPF manifesta sua irresignação com a informação de que jornalistas da Revista VEJA tiveram acesso ao suposto conteúdo de material apreendido em investigação da Polícia Federal sobre os procedimentos do Delegado de Polícia Federal Protógenes Queiroz a frente da Operação Satiagraha.

É preciso ser exemplar, quando se quer cobrar respeito ao Estado Democrático de Direito. Isso não é possível com a violação de uma investigação que tramita em segredo de justiça.

Assim como não é compatível com acusações de escutas clandestinas baseadas em ilações e conjecturas sem apresentação de qualquer áudio ou outra prova material dos noticiados grampos telefônicos.

Não é aceitável que segmentos da mídia nacional se esforcem tanto em apurar os procedimentos do Delegado de Polícia Federal Protógenes Queiroz sem dedicar, ao menos, igual esforço para a apuração dos fatos principais da Operação Satiagraha envolvendo o empresário Daniel Dantas.

Essa movimentação jornalística coincide com a apresentação do Relatório da CPI das Escutas com o claro objetivo de forçar uma prorrogação e de indiciamentos até então não propostos.

Por fim, os Delegados de Polícia Federal reafirmam seu compromisso com a necessidade de investigação de tudo e de todos os envolvidos na Operação Satiagraha, inclusive, se for o caso de prorrogação da CPI das Escutas, da autoria de mais essa violação de segredo de justiça.

Comissão de Prerrogativas — ADPF




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Revista Consultor Jurídico, 10 de março de 2009, 19h30

Comentários de leitores

6 comentários

Superficialidade

Emerson Reis (Bacharel - Criminal)

A mídia, governo e outros interessados, estão conseguindo seu intento que é o desvio de atenção no caso do banqueiro Daniel Dantas, Celso Pita e outros.Ou seja, dicutir superficialmente o problema.
Óbvio está que; se há irregularidades, que estas sejam discutidas após o termino das investigações contra o ciatado banqueiro, pois, foi a mesma mídia que cobrava providencias do então prefeito Celso Pita e sua ligações com Daniel Dantas à época de seu governo

A PROVA DO VENENO

Comentarista (Advogado Sócio de Escritório)

Em centenas de outros casos foi vazado para a mídia o conteúdo de interceptações telefônicas, inclusive com danos irreversíveis para pessoas de bem.Nem sempre a Polícia se preocupou em apurar os autores. Como exemplo, citem-se as interceptações telefônicas colhidas na chamada "Operação Diamante", ocorrida em 2002, fartamente divulgadas pela imprensa, com o único propósito de constranger e intimidar órgãos do Judiciário. Por determinação do TRF-1, foi instaurado um inquérito pela Polícia para apurar os autores do vazamento. Isso em 2004. Qual a conclusão? Ninguém sabe!É verdade que a intimidade e a dignidade das pessoas devem ser mantidas, a fim de que não sejam execradas e condenadas sem o devido processo legal - daí o sigilo na coleta de certas provas. Mas, o princípio deve valer para todos, sem distinção.

VAZAMENTO FERE PRINCIPIO CONSTITUCIONAL II

Quintela (Engenheiro)

Mais uma vez está claro que nosso Estado de Direito só assiste a Banqueiro Bandido!
Estranho a falta do STF em chamar o presidente da república as falas para cobrar providencias sobre o vazamento do processo que corre em segredo de justiça!
Está claro, cada vez mais claríssimo!

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