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Benefício continuado

Juiz aposentado quer continuar com foro especial

O juiz aposentado compulsoriamente Eustáquio Nunes Silveira pediu ao Supremo Tribunal Federal para continuar a ter prerrogativa de foro especial. Ele contesta decisão do Superior Tribunal de Justiça, que determinou o envio à primeira instância dos autos do processo a que responde por venda de decisões. O relator do pedido de Habeas Corpus é o ministro Cezar Peluso.

De acordo com a denúncia, o esquema consistia na venda de Habeas Corpus e contava com o envolvimento de desembargadores do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O juiz foi afastado das suas funções e aposentado compulsoriamente em 2003, depois de processo administrativo disciplinar em que foi acusado de participar da elaboração de inicial de pedido de Habeas Corpus..

O STJ, ao remeter a ação ao juiz de primeira instância, argumentou que juiz aposentado compulsoriamente perde a prerrogativa para ser julgado por seus ministros. A decisão se baseou no fato de o Supremo ter declarado a inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do artigo 84 do Código de Processo Penal, no julgamento da ADI 2.797. Os dispositivos previam que a foro especial deveria prevalecer mesmo quando o réu não estivesse mais no exercício da função.

Silveira alega que a decisão do STJ afronta os artigos 5º, inciso LIII, e 105, I, a, da Constituição Federal. No primeiro caso, porque o dispositivo constitucional assegura a qualquer cidadão “ser processado e julgado pela autoridade competente”, que, no caso dele, seria o STJ. Quanto ao segundo, alega que compete ao STJ processar e julgar, entre outras autoridades, os juízes do TRF.

O juiz sustenta, ainda, que a Constituição não distingue juízes em atividade e aposentados. Pelo contrário, assegura vitaliciedade aos juízes (CF, artigo 95, I), “o que significa dizer que, apesar da aposentadoria, não perdem a prerrogativas que lhes conferem a CF e as leis, incluindo, entre aquelas, o foro por prerrogativa de função”.

Ele sustenta que, conforme orientação jurisprudencial do próprio STF, “o predicado da vitaliciedade é inerente à carreira do magistrado, distinguindo-o dos demais servidores públicos que, ao ingressarem na inatividade, perdem os atributos inerentes ao exercício do cargo”.

Com essas alegações, pede liminar para que seja determinado o sobrestamento da remessa dos autos do inquérito do STJ para o juízo federal do Distrito Federal, até o julgamento final do HC impetrado no Supremo. E, no mérito, que seja confirmada a ordem para que o STJ o julgue.

1ª Turma
Em 2007, os ministros da 1ª Turma do Supremo decidiram por unanimidade que o juiz aposentado compulsoriamente, como sanção disciplinar, perde a prerrogativa de foro e pode, inclusive, ir a júri popular (HC 89.677). Com informações da Assessoria de Imprensa do Supremo Tribunal Federal.

HC 99.212




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Revista Consultor Jurídico, 26 de maio de 2009, 5h58

Comentários de leitores

1 comentário

Correção de notícia

Comentarista (Advogado Sócio de Escritório)

Senhor Redator:
A propósito da notícia veiculada nessa revista eletrônica sob o título "Venda de decisões. Juiz aposentado quer continuar com foro especial", devo esclarecer que não é verdade que eu responda a processo por "venda de decisões", como consta da matéria. Na verdade, trata-se de um inquérito nº 392/STJ, em que sequer sou indiciado, e que, há sete anos, busca investigar se houve pagamento de vantagem ilícita no julgamento de HCs impetrados junto ao TRF-1 e ao STJ, sem que eu tenha participado de qualquer desses julgamentos e sem que haja qualquer conclusão. Esclareço, mais, que o motivo alegado para a minha aposentadoria não foi "venda de decisões", mas porque, segundo o voto do relator, Desembargador Jirair Meguerian, eu teria tido "alguma intervenção" na impetração do HC. Abaixo, envio trechos do voto-condutor do acórdão administrativo, demonstrativo, inclusive, de que fui condenado por meras conjecturas de que eu teria feito ou corrigido uma minuta de hc impetrado perante o STJ. Lembro, finalmente, que o Conjur, anteriormente, já pediu desculpas a mim e a meu advogado por veicular notícia falsa de que eu teria sido aposentado por "vendas de decisões". Assim sendo, a notícia contém inverdades, que só agravam os danos morais já sofridos.
Atenciosamente.
Eustáquio Nunes Silveira
“Assim, sem sombra de dúvidas, correta a conclusão da Comissão de Sindicância de que haveria alguma intervenção do Desembargador na inicial do HC nº. 18167/STJ, impetrado pelo Dr. Márcio a favor dos “três alqueires.(...) um terceiro ou corrigiu a petição feita pelo advogado ou este recebeu um esboço ou croqui, idéias ou pontos a explorar na petição e redigiu o texto final...não ficando descartada a possibilidade desse terceiro ser o

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