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Movimentação financeira

Guerra do MP contra Eduardo Jorge tem novo capítulo

Acrescentou V.Sa. que esse fato era baseado em relatório do COAF, que informava ter havido movimentação financeira em minha conta bancária no valor de cerca de 1,47 milhão durante determinado período no ano de 2007. Valor este, segundo o mesmo, incompatível com o meu patrimônio e minha renda.

Além disso, mencionava o referido relatório ter havido depósito em minha conta corrente, através de Guia – utilizada para comercialização de imóveis – feito pelo Sr. Roberto Carlos Nascimento, no valor de cerca de 150 mil reais – fato este que o relatório, segundo a sua informação, havia ligado à CPI da grilagem ocorrida na Câmara Legislativa do DF. V.Sa. a seguir me indagou – ainda com base no referido relatório – sobre a minha ligação com grileiros de terra além de solicitar explicações sobre os fatos descritos.

Manifestei minha incredulidade e solicitei tempo para procurar os fatos e documentos explicativos. Afirmei que Roberto Carlos Nascimento era meu motorista, que apenas transportava os valores que eu determinasse fossem depositados em minha conta bancária – e que, portanto a responsabilidade seria inteiramente minha.

A seguir acessei minha declaração de IR referente a 2007 e, imediatamente, retornei a sua ligação informando que o depósito de R$ 150 mil reais se referia ao valor de indenização paga a mim pelo próprio Correio Braziliense, que tinha sido liberada pelo juiz responsável pelo processo através de Guia específica e rotineira. Afirmei que V.Sa. poderia confirmar este fato na própria contabilidade do jornal.

No dia 28, sábado, retornei a sua ligação, no telefone (61) 9674.9056, para informar que, depois de verificar, constatei que a informação que havia lhe passado estava equivocada: a indenização do Correio Braziliense tinha sido paga em parcelas havendo ainda outra de indenização em idênticas condições e valores similares recebidas da INFOGLOBO, como pode ser visto nos autos (Processo 2003.01.1.056243-4 – sentença anexa). Nesta ligação, fui informado por V.Sa. que estava com cópia do procedimento em mãos.

Expliquei, então, que o valor específico de que trata o relatório é referente a débito em conta (ou seja, débito e não depósito em minha conta) para a EMISSÃO pelo banco de um cheque administrativo contra a minha conta no mesmo banco. Por minha ordem, o banco entregou este cheque administrativo, no valor de R$ 153 mil, ao meu motorista – Roberto Carlos Nascimento- que me entregou. Este cheque foi, então, destinado a empréstimo a minha cunhada Isaura Joana Coelho da Cunha para que ela adquirisse um imóvel em Niterói (escritura anexa com os dados do cheque).

Tal empréstimo e a aquisição do imóvel constam de minha declaração de IR e da declaração de IR de minha cunhada. Os recursos para emissão do cheque se originaram de resgate de Fundo de Investimento existente no próprio banco, como se pode ver no extrato. O valor do empréstimo foi devolvido pela Sra. Isaura, recentemente, quando vendeu o imóvel (Escritura e recibo do depósito anexos). Não tem, portanto, qualquer sentido se imaginar que a emissão de cheque administrativo possa ser lavagem de dinheiro.

Informei ainda ter solicitado ao meu banco o extrato de minha conta e que mostraria este extrato a V.Sa. para provar a inexistência de qualquer irregularidade (assegurado, obviamente, o sigilo de meus dados).

Outrossim, tendo recebido – após gestões de meus advogados – a íntegra do processo, verifiquei que a hipotética movimentação acima das minhas possibilidades se referia a minha conta no Banco do Brasil, conta essa destinada exclusivamente ao depósito de meus proventos no Senado e na qual realizo apenas esporádicos depósitos de fins específicos.

No caso houve um depósito, em julho de 2007, no valor de R$ 1,3 milhão. Este depósito refere-se ao valor de venda de um imóvel (escritura anexa) que fiz, COMO INVENTARIANTE, no espólio de meus sogros (Alvará anexo), devidamente autorizado pelo juiz. Por não mais existir conta em nome dos falecidos, o cheque foi emitido em meu nome e depositado em minha conta. Em seguida, o valor correspondente foi INTEGRALMENTE depositado em conta vinculada da Justiça do Estado do Rio de Janeiro – NO PRÓPRIO BANCO DO BRASIL, como, aliás, havia sido determinado pelo juiz que autorizou a venda (Guia de Depósito-recibo anexo).

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Revista Consultor Jurídico, 3 de abril de 2009, 14h03

Comentários de leitores

5 comentários

Ele ainda vai ficar milionário

Issami (Advogado da União)

De tanto acusarem Eduardo Jorge de ser milionário, ele ainda vai acabar virando um, só com as polpudas indenizações por danos morais que ele vai receber. Deve estar rindo à toa com cada acusação infundada que lhe é feita.

Bela equipe!

Armando do Prado (Professor)

Até hoje essa equipe do professor Cardoso está devedora de explicações do porquê entregaram o país. A história não perdoa os entreguistas.

Passar a limpo todos os lados

Nado (Advogado Autônomo)

Analisando friamente, PT e PSDB se corromperam feio. Mas, para mim, todos os partidos brasileiros praticam forte corrupção e, inclusive, exigem uma contrapartida de seus filiados, pressionados a aderirem quando já em campanha. As verbas públicas como são destinadas às ONGs, hoje, são corrupção abonada até pela legislação. É apropriação indevida do erário. E que ainda sofre desvio. Lembremos dos milhões à ONG de Ruth Cardoso, cujo desvio alertado não foi esclarecido ao público. O problema do MPF é que ele começa, mas não acaba. Denuncia e deixa desandar. Nunca anuncia as punições. Isso frustra. Agora, PT e PSDB mentem descaradamente, mas, a diferença entre eles é que, embora pareça que a turma do PSDB tenha apropriado de um valor muito maior (não digo nem das coisas que se devia contabilizar, mas digo daqueles "por fora" que todo mundo sabe que existe e que fica apenas de boca), essa tucanada dissipa e dilui tudo no papel e mantém uma lei do silêncio entre eles aos moldes da "cosa nostra". Vejam como o NOVOJORNAL explicou a volumosa fortuna do Aécio, por exemplo. Tudo dele, mas quase nada no nome dele. Já a turma do PT, menos preparada e menos acompanhada dos tubarões da advocacia sempre entrelaçados com gente dos três poderes, acaba complicando a si mesma e até denunciando uns aos outros. O Brasil precisava de um regime ainda mais rigoroso que a ditadura que todos agoram atacam para poder realizar um limpeza geral. Como não querem, a tendência é a democracia andar para trás e favorecer a impunidade. Não sou chavista, acredito que a democracia só existe com rigor punitivo, que mete fundo a mão no bolso e nos direitos eleitorais e de locomoção, mas jogaria no lixo todo nosso ordenamento atual.

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