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Crime continuado

Polícia Federal pede, de novo, prisão de banqueiro Daniel Dantas

O delegado Ricardo Saadi, que assumiu o inquérito contra o banqueiro e chefia a Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros em São Paulo na Operação Satiagraha, pediu a prisão do banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity. É a terceira vez que o pedido é feito. Nas duas primeiras, o juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto de Sanctis, acatou o pedido. O juiz deve decidir na próxima semana se aceita ou não o novo pedido.

De acordo com reportagem do jornalista Mario Cesar Carvalho, da Folha de S. Paulo, Saadi, ao justificar o pedido de prisão, afirma que Dantas continuou a praticar os crimes pelos quais é acusado: gestão fraudulenta do Banco Opportunity, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Segundo o delgado, há várias provas dos crimes de banqueiro e diz que ele continuou a praticá-los mesmo depois de ser preso duas vezes, em julho.

O delgado cita o artigo 312 do Código de Processo Penal que prevê: "a prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria".

Dentro da PF, o terceiro pedido de prisão é interpretado por alguns delegados como uma tentativa de mostrar que a PF não se dobrou às pressões do banqueiro. Isso porque o afastamento do delegado Protógenes Queiroz da investigação foi interpretado como um recuo da polícia no sentido de apurar as irregularidades atribuídas ao banqueiro.

A investigação da Corregedoria da PF em torno do delegado Protógenes é vista por setores da polícia como desastrosa, porque passaria à opinião pública a idéia de que o governo sucumbiu às ameaças de Dantas.

Quando foi solto pela segunda vez, o banqueiro disseminou a versão de que poderia contar os podres que conhece do PT. De acordo com a PF, duas empresas que pertenciam a Dantas – a Telemig Celular e a Amazônia Celular – repassaram dinheiro às agências de publicidade de Marcos Valério de Souza, que por sua vez entregou o dinheiro a parlamentares da base do governo. Valério é réu no escândalo do “mensalão”.

Em 8 de julho, Dantas foi preso temporariamente. Libertado dois dias depois por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, o banqueiro foi preso novamente. Dessa vez, o juiz havia decretado a prisão preventiva. Mendes interpretou a segunda prisão como um desafio do juiz ao Supremo e concedeu liminar para que o banqueiro fosse solto.

De Sanctis também pode decidir na próxima semana a sentença para o processo em que Dantas é acusado de corrupção. Segundo a PF, o banqueiro ofereceu US$ 1 milhão ao delegado da PF Vitor Hugo para que excluísse ele e seus familiares do rol de investigados na Satiagraha.

"A polícia quer a cabeça do meu cliente como um troféu. Parece coisa da época do bangue-bangue", rebateu o advogado de Dantas, Nélio Machado, para quem o pedido é absurdo.

"Isso representa uma retaliação não do juiz, mas da autoridade policial. É fácil usar frases ecumênicas de valor universal, como essa da prática reiterada de crimes, para tentar justificar a prisão. Mas que crimes? Meu cliente nunca foi condenado", afirmou.

Segundo Machado, a Operação Chacal, em 2005, na qual Dantas era acusado de espionar executivos com quem tinha uma disputa empresarial, a polícia pediu a prisão do banqueiro "quatro ou cinco vezes". Naquela operação, todos os pedidos de prisão foram negados. O advogado afirma, ainda, que toda a investigação da Satiagraha é irregular por causa dos desmandos da PF.

Revista Consultor Jurídico, 29 de novembro de 2008, 14h54

Comentários de leitores

15 comentários

Não dá pra jogar esse DD para o povo julgar? Ti...

DAddio (Outros)

Não dá pra jogar esse DD para o povo julgar? Tipo juri popular aberto! Ia tomar tanta porrada...

Pelo que vi na TV, ainda há poico, parece que e...

Zerlottini (Outros)

Pelo que vi na TV, ainda há poico, parece que este empurra-empurra teve um final: o "honorável" Dantas pegou 10 anos de cana e mais uma multa de 10 milhões, parece. Se ele cumprir 2 anos vai ser muito - e amulta vai ficar na conta do Abreu: se ele não pagar, nem eu. Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG

Dá-lhe, Polícia Federal, o Brasil precisa mostr...

Cananéles (Bacharel)

Dá-lhe, Polícia Federal, o Brasil precisa mostrar ao mundo que banqueiro corruptor não pode ser referência de moralidade. O Brasil precisa descobrir quem são os seus verdadeiros heróis. P.S. Isso mesmo, mais uma viuvinha recalcitrótski, choronavska, petralhuska, esperançovska e blá blá blá...

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