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O veredicto

Ex-assessor de vice-presidente americano é condenado

Lewis "Scooter" Libby, ex-chefe de gabinete do vice-presidente americano Dick Cheney, foi considerado culpado na terça-feira (6/3) em quatro das cinco acusações que pesam contra ele. Entre elas obstrução da justiça, falso testemunho e perjúrio.

Libby foi absolvido da acusação de mentir ao FBI, a polícia federal americana. O ex-assessor de Cheney pode pegar uma prisão de 25 anos. O veredicto foi divulgado depois de 10 dias de deliberações, em um julgamento que durou cinco semanas.

Ele continua em liberdade, enquanto seus advogados tentam um novo julgamento. A sentença só será anunciada em 5 de junho, mas o recurso pode adiá-la.

Por enquanto, Libby é o único acusado a ser punido no caso Plamegate, que começou em julho de 2003.

O caso

Lewis Libby renunciou no final de 2005, quando foi acusado de mentir aos investigadores que tentavam identificar quem vazou a identidade da ex-espiã Valerie Plame , que trabalhava para CIA (agência de inteligência americana). A informação foi publicada pelo colunista Robert Novak e pela jornalista Judith Miller, do New York Times.

O vazamento aconteceu depois que o marido de Plame, o ex-embaixador Joseph Wilson, publicou artigo no New York Times, acusando a Casa Branca de usar motivos falsos para justificar a guerra do Iraque.

Na época da invasão, o embaixador desmentiu publicamente que aquele país tivesse adquirido urânio enriquecido em níger para fabricar armamento nuclear. A fabricação de bombas nucleares foi um dos argumentos usados pelo presidente Bush para deflagrar a guerra contra Saddam Hussein.

O promotor Patrick Fitzgerald alega que Libby soube da identidade da ex-espiã através de Cheney e de outros funcionários. Fitzgerald não acusou ninguém de identificar intencionalmente Plame, revelação considerada crime nos Estados Unidos.

Segundo os advogados de Libby, seu cliente foi usado de bode expiatório. Ele não teria mentido intencionalmente em seus depoimentos. As contradições do ex-chefe de gabinete se devem a um problema de memória.

Durante o julgamento, o subsecretário de estado Richard Armitage confessou ser um dos responsáveis pelo vazamento. O secretário de imprensa da Casa Branca, Ari Fleischer, também testemunhou. Ele disse que soube da identidade da agente por Libby. Posteriormente, a informação foi repassada ao repórter por Fleischer.

Mancha na administração Bush

Especialistas entrevistados pela agência de notícias Reuters acreditam que o veredicto contra Libby deve perseguir o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pelo resto do mandato.

As especulações sobre um possível perdão presidencial começaram logo depois da condenação. Os planos de entrar com um recurso na forma de uma ação civil independente prometem manter o assunto no noticiário pelos quase dois anos que restam do governo Bush.

O professor de governo Anthony Corrado, do Colby College, afirmou que o caso vai abalar a governabilidade de Bush."É um resultado que vai afetar ainda mais a posição do presidente no Capitólio e que vai tornar mais difícil para a administração pressionar pelo que quiser fazer em seus dois últimos anos aqui."

O professor Larry Sabato, da Universidade de Virginia, acrescentou: "O maior problema de Bush é o Iraque, mas isso reforça os problemas dele."

"Estou muito decepcionado com o veredicto", disse Cheney em um comunicado. "Scooter serviu nossa nação incansavelmente e com grande distinção durante muitos anos de serviço público".

Revista Consultor Jurídico, 7 de março de 2007, 18h09

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