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Jornalista secreto

Justiça decreta sigilo em ação de Amorim contra Mainardi

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O processo criminal que o animador de programas da TV Record e blogueiro do portal iG Paulo Henrique Amorim move contra o colunista de Veja Diogo Mainardi passou a ser protegido por segredo de Justiça. A decisão foi adotada a pedido de Amorim depois que a revista Consultor Jurídico relatou a audiência em que houve a infrutífera tentativa de conciliação e a oitiva de testemunhas.

O blogueiro do iG processa Mainardi por injúria e difamação. O motivo do processo é um texto no qual Mainardi afirma que Amorim, na fase descendente de sua carreira, foi contratado pelo portal iG por R$ 80 mil e se engajou pessoalmente “na batalha comercial do lulismo contra Daniel Dantas”.

Leia o texto publicado há dez dias na ConJur

Opinião e fato

“Perdi! Não vou conseguir metê-lo na cadeia!” A frase foi dita pelo jornalista Paulo Henrique Amorim ao sair da sala de audiências da 1ª Vara Criminal do Fórum de Pinheiros, em São Paulo. Amorim, blogueiro do portal iG e animador de programas da TV Record, queria colocar na cadeia o colunista Diogo Mainardi, da revista Veja, porque este escreveu que ele, na fase descendente de sua carreira, foi contratado pelo portal iG por R$ 80 mil e se engajou pessoalmente “na batalha comercial do lulismo contra Daniel Dantas”.

Paulo Henrique Amorim e Diogo Mainardi compareceram nesta segunda-feira (17/12) ao Fórum de Pinheiros na primeira audiência do processo criminal que o primeiro move contra o segundo por injúria e difamação. A avaliação de Amorim sobre o possível desfecho da causa é calcada em seu próprio comportamento em Juízo. Na audiência, comandada pela juíza Aparecida Angélica Correia Nagao, Amorim rejeitou qualquer tentativa de acordo e se alterou em diversas ocasiões nos cerca de 30 minutos em que a juíza tentou, em vão, compor as partes.

No tribunal, os dois jornalistas interpretaram papéis trocados. Amorim tentou demonstrar que já não tem a credibilidade que teve um dia e que a culpa disso é de Mainardi, a seu ver, um dos jornalistas mais influentes do país. O colunista de Veja, por sua vez, tentou evidenciar que o prestígio do colega é o mesmo de sempre e que se projeta pelo seu salário: Amorim disse que ganha cinco vezes mais que o colega “em apenas uma das atividades”.

“A senhora confiaria em um jornalista que escreve a soldo? Em um jornalista filiado a um partido político? Ele escreveu que eu trabalho a soldo, por interesses comerciais”, repetia Paulo Henrique Amorim, demonstrando inconformismo com o texto de Mainardi. O jornalista insistiu na tese de que perdeu credibilidade em razão da coluna publicada em setembro de 2006 na Veja. “A senhora não deve acreditar no que eu escrevo porque eu sou um jornalista sem credibilidade. Não sei por que a senhora me ouve”, disse à juíza.

Separados por uma cadeira na qual estava sentada a advogada Maria Cecília Lima Pizzo, Amorim e Mainardi trocaram acusações, ofensas e filosofaram sobre o que é fato e o que é opinião. Como se estivessem em um talk-show, discorreram sobre as intenções de quem escreve uma notícia com o intuito de ofender pessoas ou simplesmente de narrar fatos — foi a batalha do animus injuriandi versus o animus narrandi. A discussão entre os dois, tendo como moderadora a juíza, durou quase meia hora, praticamente toda a primeira parte da audiência.

“Eu não o processo quando você me chama de caluniador e fascista em seu blog”, disse Mainardi a Amorim. “Ou a minha credibilidade não é atingida quando você escreve que eu sou fascista?”, questionou. “Mas isso é opinião, não matéria de fato”, respondeu Amorim. “Então, o que você diz é opinião e o que eu digo é fato? Ok, assino embaixo”, ironizou Mainardi.

A juíza perguntava a Amorim: “O senhor acredita que um artigo pode abalar sua credibilidade? Que o texto mudou a opinião que o público do senhor tem a seu respeito?”. Apaziguadora, a juíza indicava uma possível saída conciliatória. Sem sucesso.

“Este rapaz é best-seller. Quanto vendeu até agora seu livro?”, perguntou Amorim. “55 mil exemplares”, respondeu Mainardi. “Qual é a tiragem de Veja?”, insistia Amorim. “Mais de 1 milhão de exemplares”, respondeu Mainardi.

Para Amorim, o fato de a Veja imprimir 1 milhão de revistas, de o livro do colunista, Lula é Minha Anta, já ter vendido 55 mil exemplares e de o programa Manhatan Connection, no qual Mainardi é um dos debatedores, ter audiência “qualificada” demonstram o alcance do suposto ataque à sua honra. “Ele tem influência e disse a todos que eu escrevo a soldo”, afirmou. Para se vitimizar, Amorim fez a única coisa que não gostaria de fazer: reconheceu o sucesso do inimigo.

Mainardi também resolveu falar de soldo: “E ainda assim você ganha cinco vezes mais do que eu”. Amorim respondeu: “Mas aí é problema de incompetência”. O advogado Alexandre Fidalgo, um dos que representam o colunista de Veja, perguntou: “Acusação de incompetência é fato ou opinião?”. E a juíza, novamente, entrou para esfriar os ânimos.

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 é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 28 de dezembro de 2007, 15h53

Comentários de leitores

39 comentários

Prezado Lawyer. A classe média paulista possui...

Mauro (Professor)

Prezado Lawyer. A classe média paulista possui formação técnica para o trabalho, mas não cultural, filosófica ou polítca suficiente para se autodenominar melhor informada que o cidadão nordestino. Votar em Alckimim e em Lula é a mesma coisa. Você acha que eleger Maluf e Clodovil como deputados federais é coisa de gente bem informada? E ler jornais é bom... quando eles informam, mas quando eles desinformam, como é o caso da grande maioria dos veículos da imprensa brasileira, é melhor não lê-los.

Caro Professor Mauro: não sou professor e, de f...

Issami (Advogado da União)

Caro Professor Mauro: não sou professor e, de filosofia, não passo de um aluno. Mas sempre ouvi que a generalização é um vitupério, daí pq. incompreensível sua afirmação de que "a classe média paulistana não tem nenhum conhecimento filosófico/cultural". Mas o pior foi ler que os nordestinos somente votaram no Lula porque não lêem jornais, pois se lessem seriam manipulados. Que tese esdrúxula é essa? Será que não ter acesso a jornais, revistas, enfim, à informação significa estar imune à manipulação? Partindo de um professor, num país tão carente de educação...!!! Lastimável.

De nada, caro Haroldo, conte sempre com a min...

Richard Smith (Consultor)

De nada, caro Haroldo, conte sempre com a minha máxima disposição. Até.

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