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Investigação suprema

Irmão de ministro do STJ é um dos presos da Operação Hurricane

O irmão do ministro do Superior Tribunal de Justiça Paulo Medina, o advogado Virgílio de Oliveira Medina, foi um dos presos nesta sexta-feira (13/4) na Operação Hurricane da Polícia Federal. Ele é investigado por envolvimento com esquema de jogo do bicho e máquinas caça-níqueis no Rio de Janeiro.

No segundo semestre de 2006, o ministro Paulo Medina concedeu liminar liberando 900 máquinas caça-níqueis que haviam sido apreendidas na operação Vegas 2. Mais tarde, a liminar foi cassada por decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie. As suspeitas sobre a lisura da decisão do ministro deslocaram o processo para a alçada do Supremo Tribunal Federal, onde o caso está sob os cuidados do ministro Cezar Peluso.

Reportagem do jornalista Marcelo Auler, publicada no site do jornal O Estado de S. Paulo, afirma que na véspera da concessão da liminar por Medina, o grampo feito pela PF captou uma conversa do advogado representante dos bingos, Sérgio Luzio Marques de Araújo, também detido durante a Operação Hurricane, com Virgílio Medina. Na gravação da PF, o irmão do ministro aparece negociando a concessão da liminar em troca de dinheiro.

Por esse motivo o inquérito foi processado no Supremo Tribunal Federal. Como o nome do ministro do STJ apareceu nas investigações da PF, o inquérito, que até então tramitava na 6ª Vara Federal Criminal do Rio, foi encaminhado para o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza. Foi Souza quem então levou a investigação para o STF.

O relator do inquérito, ministro Peluso, reuniu-se demoradamente nesta sexta-feira com a presidente do Supremo, ministra Ellen Gracie, para discutir o inquérito. O ministro Paulo Medina foi procurado pela revista Consultor Jurídico, mas não foi encontrado em sua casa, nem em seu gabinete no STJ.

Histórico

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (13/4) a Operação Hurricane, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e no Distrito Federal para deter envolvidos em esquemas exploração de jogo ilegal (caça-níqueis) e crimes contra a administração pública.

De acordo com a PF, entre os presos estão o desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, José Eduardo Carreira Alvim. Também foram detidos Anísio Abraão David, ex-presidente da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis; Capitão Guimarães, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro; Antônio Petrus Kalil, conhecido como Turcão, apontado pela Polícia como um dos mais influentes bicheiros do Rio; o procurador regional da República João Sérgio Leal Pereira; outro desembargador federal, José Ricardo Regueira; a corregedora da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Suzi Pinheiro Dias de Matos; o juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, Ernesto da Luz Pinto Dória.

No total, foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão. Os presos serão transferidos para Brasília (DF), onde serão interrogados e permanecerão à disposição da Justiça. O material apreendido será analisado na Diretoria de Inteligência Policial com o objetivo de complementar os trabalhos de investigação.

O trabalho que resultou na Operação Hurricane teve início com a identificação de uma organização criminosa especializada e estruturada para a prática de vários crimes, incluindo exploração de jogos ilegais, corrupção de agentes públicos, tráfico de influências e receptação.

Togas

Conforme publicou ontem a Consultor Jurídico, Carreira Alvim foi vice-presidente do TRF-2 até quinta-feira (12/4), quando tomou posse a nova direção. Pela tradição, se tornaria presidente por ser o mais antigo da casa, mas foi preterido por entrar em atrito com seus colegas.

Na sessão administrativa que elegeu a nova direção do TRF-2, em 1º de março, Carreira Alvim havia afirmado ter sido vítima de escuta ambiental em seu gabinete e que seus familiares haviam sido grampeados (Clique aqui para ler a notícia). As acusações foram feitas depois que ele foi preterido pelos colegas na eleição para a presidência do TRF-2. O clima entre o desembargador e seus colegas era de estranhamento, causado justamente por liminares dadas por Carreira Alvim em casos de bingos e caça-níqueis.

Confira a relação das pessoas presas pela PF nesta sexta

Ailton Guimarães Jorge

Ana Claudia Rodrigues do Espírito Santo

Anísio Abrão Davi

Antonio Petrus Kallil

Carlos Pereira da Silva

Delmiro Martins Ferreira

Ernesto da Luz Pinto Dória

Evandro da Fonseca

Francisco Martins da Silva

Jaime Garcia Dias

João Sérgio Leal Pereira

José Eduardo Carreira Alvim

José Luiz Rebello

José Renato Granado Ferreira

José Ricardo de Figueira Regueira

Julio Guimarães Sobreira

Laurentino Freire dos Santos

Licinio Soares Bastos

Luiz Paulo Dias de Mattos

Marcos Antônio dos Santos Bretas

Paulo Roberto Ferreira Lima

Sérgio Luzio Marques de Araújo

Silvério Néri Cabral Junior

Suzi Pinheiro Dias de Mattos

Virgilio de Oliveira Medina

Notícia atualizada às 19h para acréscimo de informações.

Inquérito 2.424/06

Revista Consultor Jurídico, 13 de abril de 2007, 16h55

Comentários de leitores

20 comentários

ATENÇÃO. Sr. Juizes, Desembragadores e Ministr...

Inácio Henrique (Serventuário)

ATENÇÃO. Sr. Juizes, Desembragadores e Ministros do Poder Judiciaário. Por entendimento de alguns, deferir liminares acaba de ser capitulado como crime. Portanto, cuidado ao receberem pedidos de liminares. Não defiram, pois poderão ser considerados criminosos. Vossas Excelências poderão ter seus telefones grampeados e serem presos. Doravante nada de concessão de liminares a quem quer que seja.

A Polícia Federal não tomaria uma atitude dessa...

Cissa (Bacharel - Administrativa)

A Polícia Federal não tomaria uma atitude dessas sem provas. A prisão é temporária e prevista em lei (graças a Deus). Arapongagem é julgar ser crime comum o sequestro e morte do carona, e não do motorista(suposto dono do carro), como foi o caso do Prefeito de Santo André. Prisão temporária não é motivo para alarde, se for visto que não há envolvimento, serão soltos. Qual o problema? Só pobres e pretos podem ser presos? Qual é problema de prender temporariamente se há provas de envolvimento? Que sejam vistos caso a caso. Há a necessidade de investigar, interrogar e evitar que se comuniquem entre eles, pronto. Não é passado nobre que dita ser o acusado inocente ou não, são as provas que comprovem ser ele culpado ou inocente. Quem não deve não teme, principalmente se não for pobre ou preto, como não o são... não há que se preocuparem.

Não vejo motivo algum para comemorar. Se confir...

JB. (Procurador do Município)

Não vejo motivo algum para comemorar. Se confirmada a participação das pessoas presas em crimes, será um desastre. Se tudo isso não passar de mais uma arapongagem da PF (que no governo lula tem sido muito frequente), será uma tragédia.

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