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Violência em São Paulo

Bandidos agem com ideologia, diz especialista

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Juiz de Direito por 14 anos e secretário Nacional Antidrogas entre 1994 e 1998, além de professor de Direito Constitucional, o advogado gaúcho Mathias Flach afirmou nesta segunda-feira (15/5) que o terror imposto a São Paulo pela organização criminosa PCC — Primeiro Comando da Capital evidencia uma mudança no comportamento ideológico do crime organizado. "Os bandidos antes aceitavam a condenação admitindo que cometeram delitos contra o sistema. Mas a intensidade dos ataques e rebeliões de agora evidenciam que eles se sentem bodes expiatórios, no meio de uma sociedade corrupta".

Para Flach, ideologicamente, os autores do ataque sinalizam que não querem mais aceitar o papel de bandidos. "Somos pessoas que sofrem os efeitos de um meio cada vez mais pontuado por escândalos, roubos e corrupção é a mensagem que nos passam, traduzidas nesses mais de 120 atentados já realizados, desde sexta-feira".

"No fundo, eles perderam a ilusão de serem sozinhos os criminosos. Reagem diante da realidade de absolvição dos muitos envolvidos em falcatruas. Negam a legalidade da pena que lhes foi aplicada pelo Judiciário, reagindo e desafiando com violência. Não se consideram mais os piores elementos da sociedade. A consciência ideológica nos presídios é uma realidade que salta aos olhos nessa crise", acentuou o ex-juiz.

Apesar de considerar que a população também está muito desconfiada dos Poderes constituídos, Flach entende que é preciso ter convicção nas instituições e acreditar que a crise será superada. "Temos uma jovem democracia, mas ela parece razoável e suficiente."

Em que pese esse atestado de fé, o ex-secretário Nacional Antidrogas é de opinião que estados e governo federal precisam dar as mãos para superar o impasse em São Paulo, principalmente compreendo melhor e juntos o que está ocorrendo nos presídios. "Os fatos precisam ser lidos de forma efetiva. As Forças Armadas estiveram há pouco no Rio. Quem mandou entrar na cidade? Por que saíram? Quais os resultados práticos dessa ação? Que fim levaram os processos instaurados? "

Para ele, a reflexão é fundamental para assegurar um amanhã mais sólido. "O que vemos hoje é que o país tem dificuldades para lidar com ameaças externas, como o caso da Bolívia, e a interna, traduzida nos ataques desferidos em São Paulo". E emendou: "A população desconhece o resultado prático da ida das Forças Armadas ao Rio. Há um poder paralelo nos morros, que agia àquela época e ainda se faz presente nas favelas".

Em relação a São Paulo, no entender de Flach, houve lentidão na hora de agir. "Não posso imaginar que as autoridades de um estado desse porte, com a estrutura financeira e administrativa que tem, desconhecesse uma ação tão ousada do crime organizado. O governo de São Paulo tem que ser sincero em admitir seu fracasso e saber pedir ajuda. A soberania do estado foi atingida de forma violenta e cruel".


 é jornalista.

Revista Consultor Jurídico, 16 de maio de 2006, 12h40

Comentários de leitores

6 comentários

Ideologia ou não , o problema esta ai...

hammer eduardo (Consultor)

Ideologia ou não , o problema esta ai para quem quiser ver. Depois de algumas dezenas de mortos , veiculos incendiados a vontade e cadeias dominadas pela "fina flor da marginalia" , acredito que ja passou e muito da hora de revermos radicalmente as penas e as condições de confinamento para os coitadinhos que vão parar atras das grades. Hoje vi no noticiario absurdos completos como a ideia de exigir das operadoras de celulares que "inventem" uma maneira qualquer de bloquear os sinais dos mesmos proximo das penitenciarias, é de matar de rir! Nem o genial Renato Aragão faria melhor!O estado completamente falido, corrupto e desmoralizado tenta agora terceirizar a culpa pelo verdadeiro circo do absurdo que se instalou e reinou de maneira breve por um periodo que "ELES" escolheram. Fica a pergunta do porque de não se submeter a uma revista eletronica TODOS que entram em penitenciarias seja la para qual for a finalidade. Todos deveriam deixar seus aparelhinhos modernos na entrada , inclusive os nobres e insuspeitos Advogados. Uma revista igual aos aeroportos na entrada dos estabelecimentos penais seria o MINIMO que a Sociedade deveria cobrar , empurrar o pepino para as operadoras de celular é que não dá. Tambem precisamos reformar urgentemente as penitenciarias pois impressiona a maneira como os ilustres "hospedes" daqueles estabelecimentos providenciam facas, porretes , estoques e toda a sorte de armamento improvisado. Não adianta ficar aqui enumerando, é longo demais. Urge que na possibilidade de ainda existirem verdadeiros "homens de calça" em Brasilia , se mude rapidamente o modelo existente que faliu indiscutivelmente para quem quiser ver. O resto é papo pra adormecer a boiada.

A OAB deveria rever a "benesse" de permitir que...

Comentarista (Outros)

A OAB deveria rever a "benesse" de permitir que egressos de outras profissões possam advogar após suas aposentadorias (principalmente policiais, membros do MP, Magistrados, Delegados, etc).

Roland Freisler (Civil - - ), seus comentários ...

Pintão (Bacharel)

Roland Freisler (Civil - - ), seus comentários são de causar ânsia. Seria me melhor o senhor ficar calado que vomitar bosta.

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