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Fitas de Celso Daniel discutidas no Senado são filme antigo

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Na tarde desta quarta-feira (26/10), políticos protagonizaram na CPI dos Bingos uma tempestade cujo epicentro eram as fitas feitas no caso da morte do prefeito Celso Daniel.

Ideli Salvatti (PT-SC) afirmou que as fitas passam a ser “elemento importante” e que todos membros da CPI devem ter acesso à íntegra. O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) diz que as fitas entregues pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) não têm validade. A revista Consultor Jurídico publicou degravação das escutas do caso em janeiro do ano passado, portanto quase dois anos antes do turbilhão desta quarta-feira.

A revista teve acesso a duas fontes que dispunham da fita. Uma dessas fontes é o próprio juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, condenado por negociar sentenças, que as entregou à reportagem dentro da carceragem da Polícia Federal, em janeiro de 2004, embaladas dentro de uma capa de um CD (pirata) do jazzista Dizzy Gilespie.

No dia 18 de janeiro, completam-se dois anos do seqüestro de Celso Daniel. O corpo dele foi encontrado dois dias depois — 20 de janeiro. Embora não constem dos autos de apreensão da chamada Operação Anaconda, fontes que participaram da operação feita pela Polícia Federal garantem que cópia destas gravações foi encontrada no apartamento de Norma Emílio Cunha, ex-mulher de Rocha Mattos.

A ConJur descreveu as quase oito horas de conversações do CD. Num dos arquivos, intitulado “Sombra”, a PF colocou a escuta feita sobre membros do PT. Nos demais arquivos, constam escutas feitas na casa de Bozinho, um dos assassinos de Celso Daniel, localizada na Favela Pantanal — onde estava o cativeiro.

Nestes arquivos, aparecem as conversas entre Bozinho (Rodolfo Oliveira) e sua namorada, Elaine. Numa delas, ele conta que está em Itabuna, na Bahia — o que acabou levando a PF a seu encontro. Num outro arquivo, intitulado Bozinho/Elaine/Augusto, curiosamente um membro da Polícia Civil de São Paulo (de nome Augusto) revela a Elaine todos os passos da investigação da PF para prender Bozinho.

Outro extrato, intitulado “Seqüestro Jundiaí”, revela que mesmo com a quadrilha presa os telefones de Bozinho eram empregados para combinar o seqüestro de um empresário em Jundiaí “dono de três galerias de lojas”.

O empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo sob acusação de ser o mandante do assassinato de Celso Daniel. Seu depoimento à Justiça já foi adiado duas vezes. E agora está marcado para 5 de fevereiro.

Em abril de 2003, Dionísio Severo foi assassinado após ter dito que conhecia bem “Sombra” e sua mulher Adriana Pugliese. Esta declaração foi fundamental para o MP, que via em Severo uma ligação entre Sombra e a quadrilha que seqüestrou e matou Celso Daniel, composta por Ivan Rodrigues (Monstro), José Edison, Itamar Messias, Rodolfo Oliveira (Bozinho), Elcyd Brito (John), Marcos Bispo e José Erivam.

Em um trecho — cujos personagens não dão os nomes — ouvem-se coisas como “quero em dinheiro, quero em numeral”. As fitas, destruídas por ordem do juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, são consideradas ilegais. Estão claramente editadas. Com trechos suprimidos tecnicamente, encobertos por chiados.

Aparecem ali vários xingamentos contra os jornalistas Roberto Cabrini e Boris Casoy, contra o então presidente do PT, José Genoíno, e o senador petista Eduardo Suplicy. A maioria de interlocutores que conversavam com a viúva de Celso Daniel. Aliás, num desses trechos ela é orientada a “posar de viúva” no programa de Hebe Camargo. As escutas mostram claramente o quanto o PT temia estar sendo usado, no episódio, pela PF e pela Polícia Civil. Gilberto Carvalho, hoje chefe de gabinete do presidente Lula, chega a disparar vários palavrões contra a PF.

Em vários trechos, o advogado da viúva de Celso Daniel alerta-a para que recolha do apartamento do prefeito as fitas da secretária eletrônica antes que a polícia as pegue. Num outro trecho, a viúva chega a dizer que quer tomar um porre “mas não pode ser na minha casa”, tamanhas as pressões que vinha sofrendo.

Leia trechos do CD:

01 - PADRÃO VOZ WILSON - NADA CONSTA

1 - FG2 - SÉRGIO 29.341

GILBERTO CARVALHO E VIÚVA

11:38 Ele diz que o depoimento dela à polícia foi "show de bola"; que isso vai mudar o rumo das investigações; que não adianta os sindicalistas fazerem passeio na Sé pelo Celso Daniel; reclamam que todos agora vão querer aparecer em cima do caso e "dar uma beliscadinha". Elogiam Lula.

14:30 Ele diz a ela "você foi brilhante em todos os aspectos".

15:07 A viúva diz que "não há indícios de nada, a polícia não está preparada para nada".

15:30 Gilberto Carvalho diz "nós seremos os próximos, eles querem destruir vidas, mataram a imagem do Celso".

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 26 de outubro de 2005, 17h52

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