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Outro lado da vida

Depois de um dia no hospital, Maluf volta à prisão na PF

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Na noite deste sábado (8/10), o ex-prefeito Paulo Maluf, de 74 anos de idade, foi reconduzido à sede da PF, na zona oeste de São Paulo, após ter atravessado uma bateria de exames no Instituto Central do Hospital das Clínicas, na região central de São Paulo.

Os exames detectaram que o ex-prefeito tem "hérnia de hiato com esofagite leve; varizes esofágicas finas, gastrite erosiva e moléstia diverticular do cólon". Os exames são chancelados pelos médicos Sérgio Nahas e Shinichi Ishioka.

Maluf chegou ao HC por volta das 8 da manhã. Caso passassem 12h de sua internação, ele seria, por decisão judicial, conduzido ao Hospital Penitenciário, em Heliópolis, onde morreu, por exemplo, em condições ainda suspeitas, o sequestrador de Patrícia Abravanel, Fernando Dutra Pinto. O hospital costuma receber doentes carcerários em fase terminal. Segundo o próprio Maluf, entendimentos entre seu advogado, José Roberto Leal, e a juíza de seu caso, Raecler Baldresca, indicaram que o cumprimento do rito penal requeria que ele fosse reconduzido à PF caso sua doença não fosse grave.

A revista Consultor Jurídico entrevistou Maluf na porta da ambulância que o reconduziu à PF. Ele confessa que, preso, conheceu um lado da vida "que ainda não havia visto". Confira:

"Apesar de apenas 60 anos de sua fundação, o HC, junto do Incor e dos outros institutos, se constituem a melhor referência na América Latina. Quem entra aqui para ser tratado tem 99,9% de chances de sair curado. Quero agradecer a todos os médicos e enfermeiras que nos ajudaram, quero agadecer à polícia, eu sinto ainda dores, sinto friagens e dores no coração. Eles acharam que isto aqui não é uma coisa para tratamento imediato, mas os médicos me deram seus telefones para que, caso se agrave, eu volte, depois da carceragem, aqui para o hospital. Devo dizer com franqueza que estou muito cansado. São 30 dias em que eu me canso dia após dia. Eu estou com o corpo debilitado. Se eu pudesse ficar aqui mais 24 horas, eu confesso que seria o melhor. Mas o meu advogado, o doutor José Roberto Leal, combinou com a juíza que eu ficaria aqui somente na parte de ambulatório e que aí eu iria para o Hospital Penitenciário ou então para a própria custódia onde eu estou. Esse Hospital Penitenciário é de um estado pré-morte, todos aqueles da vida penitenciária que estão em estado terminal, os homopositivos, com Aids, HIV, até lepra tem lá, eles estão lá para passar 30 dias e irem para o outro mundo. Quer dizer: não é um hospital que cuide de ninguém, é um depósito de mortos, de terminais. Mas a vida nos ensina muita coisa, muita lição, eu quero dizer a vocês que mudei muito o meu enfoque de vida vendo as orações que se fizeram em casa, na casa do meu filho, o Flávio, os milhares de e-mails de apoio que chegam, telegramas de solidariedade. Mas valeu a pena, eu conheci um pedaço da vida que eu não conhecia"

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 8 de outubro de 2005, 21h44

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