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Disfarçado de policial

Polícia instaura inquérito contra repórter da TV Globo

O Ministério Público mandou instaurar inquérito policial para apurar a conduta do repórter César Tralli, da TV Globo, no episódio da prisão de Flavio Maluf, filho do ex-prefeito paulistano Paulo Maluf. O inquérito foi aberto no 7º Distrito Policial de São Paulo. Disfarçado de policial federal, Tralli acompanhou e filmou a prisão do empresário.

O pedido de abertura de inquérito foi feito pela promotora Marucia Barros Ramos, a partir de uma representação do Ministério Público Federal. “Temos a obrigação de encaminhar as representações que recebemos. Vamos apurar se houve infração penal ou não”, disse ela. As informações são da repórter Laura Diniz, do jornal O Estado de S.Paulo.

O advogado da TV Globo, Nilson Jacob, disse ao jornal que ainda não foi informado oficialmente do caso. “De antemão, posso afirmar que o repórter não se fez passar por policial federal, não estava com roupa da Polícia federal. Ele foi ouvido em sindicância na própria PF e não foi constatada nenhuma irregularidade”, afirmou.

De acordo com o assessor de imprensa de Flavio Maluf, Adilson Laranjeira, “a PF armou um circo para a televisão filmar”.




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Revista Consultor Jurídico, 9 de dezembro de 2005, 11h31

Comentários de leitores

4 comentários

Isso não vai dar em nada. Ele sabe podre de mui...

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal (Advogado Autônomo - Criminal)

Isso não vai dar em nada. Ele sabe podre de muita gente...

Esse é o nosso "sistema" democrático. A TV, di...

Ottoni (Advogado Sócio de Escritório)

Esse é o nosso "sistema" democrático. A TV, diariamente, filma delinquentes sendo conduzidos presos, buscando ângulos favoráveis a captar-lhes as feições. Geralmente furtaram alguns reais, ou mesmo um vidro de shampoo. Quem desvia milhões está protegido pela Lei e pela Justiça, sob os auspícios do MP. E há quem goste desse sistema!

Já era tempo de uma medida ser tomada em face d...

Vinicius Lapetina (Estagiário)

Já era tempo de uma medida ser tomada em face da irresponsabilidade jornalística e da falta de ética de alguns profissionais da imprensa brasileira. Ainda que a instauração de inquérito policial não possa significar uma severa punição ao suposto agente de uma irregularidade penal, temos a iniciativa para coibir, ou, ao menos refletir, sobre qual é forma do jornalismo que se produz no Brasil. É certo que em décadas passadas, lutamos para podermos nos expressar e nos comunicar por quaisquer meios de comunicação existentes. Pois bem, as portas se abriram, e tal conquista foi alcançada. Hoje em dia, é muito freqüente vislumbrar jornalistas que recorrem ao direito a liberdade de imprensa, alcançado bravamente pós ditadura, para produzirem reportagens que violam direitos alheios, atrapalham procedimentos investigativos (procedimentos respaldados pelo segredo de justiça divulgados na mídia) ou exploram algumas falhas da organização estatal. Poucos profissionais se lembram que junto da liberdade de imprensa vieram à ética profissional e a responsabilidade jornalística. Um bom profissional, seja qual for sua seara, deve produzir o melhor de si, respeitando as normas as quais está sujeito.

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