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Polícia que mata

PMs paulistas acusados de matar dentista vão a julgamento

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O julgamento dos policiais militares acusados de matar à queima-roupa um dentista, a 3 de fevereiro de 2.004, começa na próxima terça-feira, no 2º Tribunal do Júri de São Paulo, na Zona Norte da capital. Os detalhes do caso são de uma sordidez brutal, suficientes para incluí-lo entre as maiores vilanias aprontadas pela Polícia Militar de São Paulo.

A história começa numa madrugada quente, 3 de fevereiro, por volta da 1h20. Cinco Policiais Militares estão numa viatura, bem ao lado do Deic, na avenida Zaki Narchi, na zona norte de São Paulo. São abordados por um homem que se diz vítima de um roubo de RS$ 42,00. Seu nome é mantido em sigilo. E ele vive sob escolta policial, posto que os PMs que foram em seu socorro naquela madrugada tenham se convertido em seus principais algozes.

Da viatura, saltam três dos cinco homens da guarnição: o soldado Luciano Dias, o tenente Carlos Santos e o cabo Ricardo Arse Rivera. Entram no carro da vítima e procedem à busca do ladrão. Na altura do número 54 da avenida Santos Dumont, já colados ao Campo de Marte, divisam um homem, na calçada. Usava camisete preta, como o ladrão dos RS$ 42,00. Tanto bastou para que fosse abordado. Recebe voz de prisão. Levanta os braços. Mesmo rendido, seis tiros são disparados. Dois acertam à morte o dentista Flavio Santana, 28 anos de idade, que havia colado grau, com distinção, apenas cinco dias antes.

Os três policiais procedem à confecção de uma farsa pericial, repleta de sons, ruídos, gritos e tiros. Já com a viatura a seu lado, os PMs pegam um revólver calibre 357, com numeração raspada. Ligam o rádio comunicador. Botam em rede, para todo o Copom da polícia, os tiros farsescos que disparam, como se estivessem trocando balaços com o dentista. "Queriam teatralizar uma pequena guerra", avalia o promotor que cuida do caso Francisco José Tadei Cimbranelli.

O dentista Flavio Santana é então levado ao PS Santana. Chega morto. Em seguida, os PMs perguntam à vítima do assalto, que é dono de um estacionamento na Bela Vista, sobre os detalhes do assalto que sofrera. Ficam sabendo que o ladrão levara RS$ 42,00, mas devolvera a carteira de couro e os cartões de crédito. Os PMs se cotizam, juntam a soma, botam dentro da carteira. E a apresentam como o butim encontrado com o dentista que "atirara" contra eles. O falso boletim de ocorrência, em que os PMs figuram como vítimas, é lavrado no 13 DP da zona norte.

O dentista iria ser enterrado como indigente. Seu pai localiza o corpo dois dias depois no IML. Inidgnado, inicia uma saga em busca da verdade. Afinal o dentista apenas fora levar sua namorada, naquela noite, para embarcar num vôo no aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, a 35 km da capital paulista.

Mesmo tendo assentido na primeira versão mentirosa, o assaltado que procurou o socorro dos PMs entra em conflito. Passa a ser ameaçado, em sua casa, pelo cabo Ricardo Arse Rivera. A frase do cabo mais repetida era: "Se você nos desmentir o mundo vai ficar pequeno para você".

A farsa foi, finalmente, desmontada pelo assaltado, que vive agora sob proteção policial. O promotor Francisco José Tadei Cimbranelli pede condenação para os três PMs que abordaram o dentista sob acusação de homicídio qualificado, fraude processual e porte ilegal de arma.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 12 de agosto de 2005, 15h40

Comentários de leitores

1 comentário

Continua o preconceito em relação à função poli...

Isaias Pontes de Melo (Delegado de Polícia Estadual)

Continua o preconceito em relação à função policial. Será que não há nenhuma ação meritória digna de nota no CONJUR? É o PM que mata, é o Delegado de Polícia condenado, tudo para demonstrar demérito em relação à função policial.

Comentários encerrados em 20/08/2005.
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