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Punição coletiva

Justiça afasta alunos de Medicina acusados de fraudar vestibular

A Justiça Federal concedeu liminar que afasta 21 alunos do curso de Medicina da Universidade Federal do Acre. A medida foi tomada em ação civil pública cumulada com ação de improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público Federal.

Segundo os procuradores, há fortes evidências de que houve fraudes no concurso vestibular feito em 2002, quando os então candidatos foram aprovados. A liminar ainda determina que a universidade cancele a matrícula dos estudantes, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Ainda cabe recurso.

Consta da denúncia que o grupo de estudantes, vindos em excursão para prestar o vestibular, obteve pontuação absolutamente idêntica, apresentando o mesmo escore padrão total nas provas da primeira etapa. Ou seja, acertaram e erraram as mesmas questões.

Todos os alunos citados na ação conseguiram aprovação na primeira fase do vestibular 2002 com notas altíssimas. Já na segunda fase, os mesmos 21 candidatos caíram bruscamente em suas classificações. Eles obtiveram nota inferior a 15 pontos na redação. Segundo o MPF, esse fato é compreendido facilmente, pela maior dificuldade em fraudar uma prova de redação.

Além destas evidências, ainda segundo a denúncia, os candidatos tiveram, com exceção de 3 deles, notas iguais (12 pontos) na prova de língua estrangeira -- inglês. Cerca de 11 dos candidatos são da Bolívia, onde já estudavam medicina há pelo menos dois anos, e mesmo assim optaram por fazer as provas de língua inglesa no vestibular da universidade e não língua espanhola, na qual, presume-se que eles têm maior conhecimento.

Uma avaliação pericial, que comparou o desempenho dos 21 acusados de fraude com o dos outros 19 aprovados no mesmo concurso, mostrou uma diferença classificada como "espantosa" pelo MPF. O grupo acusado teve, no primeiro dia de provas, uma probabilidade cem vezes maior de acertar todas as questões do que os demais candidatos.

Testemunhas denunciaram esquema

Depoimento prestado por uma mulher que tem filhos estudando na Bolívia levantou a suspeita de que os candidatos teriam utilizado de um dispositivo eletrônico que tem a aparência de uma caixinha de chicletes com uma abertura que dá acesso a um visor de cristal líquido, como de celulares, para obter as respostas corretas.

Professores e alunos do curso de Medicina foram ouvidos. Em seus depoimentos, alguns professores afirmaram que existem alunos que não possuem capacidade intelectual suficiente para terem passado com notas tão excelentes no processo vestibular e que devido a esta desqualificação muitos deles reprovaram em algumas disciplinas logo no começo do curso.

O depoimento de um aluno que dividia o aluguel de casa com alguns dos envolvidos foi crucial para basear a denúncia. Ele contou que se hospedou no mesmo hotel dos suspeitos quando veio fazer as provas do vestibular e que, após as provas, conferiam juntos as respostas e que ficou intrigado com o fato de que os colegas acertavam e erravam exatamente as mesmas questões.

O Ministério Público afirma também que, depois que as investigações chegaram ao conhecimento público, os integrantes do grupo acusado passaram a ameaçar, cada vez mais severamente, pessoas que conheciam os fatos que os comprometiam. Um estudante que depôs contra eles, por exemplo, teve de ser transferido para outro Estado por causa das sucessivas ameaças que recebiam. (PR-AC)

Revista Consultor Jurídico, 14 de maio de 2004, 15h54

Comentários de leitores

4 comentários

Peço desculpa para o senhor Juarez Ribeiro Ferr...

Lara Franco Paes Leme ()

Peço desculpa para o senhor Juarez Ribeiro Ferreia, mas nao acho procedente o que escreveu, pois se os alunos fossem realmente de famílias abastadas nao estariam estudadando numa Universidade Federal do Acre e sim em uma particular que por sinal teriam lhe dado muito mais reforços nos estudos, pois é improcedente quando se diz que é uma universidade preparada para o curso de medicina. E quando se referiu em "açougueiros travestidos de médicos" minha nossa! então possui uma mente muito degradadora dos médicos e futuros médicos. Mas em relaçao a ser futuros açougueiros ou médicos, isso nos irá provar quando o MEC, comparecer com seus serviços em agosto deste mesmo ano. Existe algumas coisas que foram citadas neste processo que deixam uma impetuosa dúvida, como pode 21 alunos pegarem as mesmas provas e obtiverem os mesmos pontos se nada foi comprovado e o mais interessante que a ANATEL esteve presente no dia do vestibular e não conseguir pegar nenhum sinal???.... como pode a UFAC constatar que por cada aluno ser gasto mais de 10 mil reais???... Seria um absudo... porque as salas, os blocos estão numa situação simplemente precária, e para comprovar isso basta apenas fazer uma vizitinha a Universidade. A certeza fica de que a justiça existe, que não falha. Mas há a esperança de que simplesmente nao acreditem em uma denuncia anonima, mas sim nas evidências. Fica claro e até trasnlúcido que esses alunos devem estar passando por momentos terríveis que foram impostos pela sociedade e pela justiça, pois acaba de passar um filme que o sonho vira pesadelo. Raciocinar é fácil demais para muitos e esta questao é simplesmente observar os fatos. Fica aqui declarado o que penso sobre o assunto, mesmo sabendo que muitos podem ser contra, mas a justiça será feita, se nao for pelos homens tenho certeza que Deus encarregará disto.

Acho um absurdo esta historia, acho que todos d...

Jonas de sousa ()

Acho um absurdo esta historia, acho que todos devemos analisar os fatos e provas dos altos do processo, visto que estamos pecando até agora, pois nao a provas contra estes alunos. Vi algo muito estranho nos meus colegas ao chamarem estes alunos de criminosos sem ter uma unica prova concreta, podemos pecar feio, o que me deixa mais indignado são pessoas ignorantes que não analisam antes de comentar (Juarez Ribeiro), vejo que a questão destes alunos deve ser olhada de modo individual e não agressiva como foi a decisão deste juiz.

Como as pessoas julgam esses alunos sem conhec...

Sônia Maria de Paula ()

Como as pessoas julgam esses alunos sem conhecerem. Eles são inocentes. Tudo não passou de uma cilada do aluno ÂNGELO(conhecido como Piauí por seus colegas),que queria sua transferência para o seu estado. Este ÂNGELO morava com alguns colegas Victor, Fábio e Balduino. Esses meninos sempre o ajudavam, pagando seu aluguel, as xerox da faculdade, comida, e o que ele fez??? Inventou histórias absurdas sobre todos seus colegasde sala para CONSEGUIR SUA TRANSFERÊNCIA.O ÂNGELO que não é um cara decente, levou vários livros da universidade, saiu devendo parte dinheiro do ar condicionado que comprou de uma colega de sala, devia todos da sala com xerox que tirava, comprou uma cama e não pagou, além de tudo isso tentou comprar um professor porque ficou de final na sua matéria. Tem muitas coisas mais!!! Dizia ser poeta, mais escrevia mais errado que uma criança de 7 anos. Olhe em quem a polícia federal acredita!!!!!!!!! Pensem bem, o que estão fazendo com esses alunos é uma covardia, pois estão sendo bombardeados de todos os lados e não tiveram a chance de se defenderem!!!!

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