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Ligações perigosas

Bumlai afirma que foi usado por banco devido a sua amizade com Lula

O empresário José Carlos Bumlai afirmou à Justiça Federal de Curitiba que, por ser amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi usado por uma instituição financeira interessada em se beneficiar de contratos com a Petrobras. Em petição protocolada nesta quinta-feira (21/1), ele nega ter cometido crimes e diz nunca ter se beneficiado da relação próxima a Lula. Pelo contrário, a amizade só “degringolou” sua situação financeira, afirma.

Bumlai é suspeito de ter repassado ao PT um empréstimo de aproximadamente R$ 12 milhões que havia contraído com o Banco Schahin, para o partido pagar dívidas da campanha à reeleição do ex-presidente. O grupo Schahin teria então perdoado o empréstimo, ganhando em troca um contrato de navio-sonda com a Petrobras, de forma irregular.

Bumlai diz que tentou pagar empréstimo de R$ 12 milhões, mas banco negou oferta
Reprodução

Já o advogado Arnaldo Malheiros Filho aponta versão do cliente para o episódio: segundo ele, Bumlai foi convocado pela presidência do banco para uma reunião em 2004 e só durante o encontro descobriu que o PT queria usar seu nome para acertar dívida com publicitários e outros prestadores de serviços de campanha.

“Sem saber dizer ‘não’, como era de seu costume, e constrangido com a presença do tesoureiro do PT, o peticionário afirmou inicialmente que aceitava a proposta do grupo, até porque acreditava, em seu íntimo, que esta não se concretizaria, dada a precariedade da reunião e a ausência naquele momento de elementos concretos para realização do mútuo”, diz a petição.

O advogado diz que o empresário tentou pagar a dívida com parte de uma fazenda, mas a oferta foi recusada pelo grupo Schahin. Assim, alega que em nenhum momento Bumlai participou de esquema de fraudes, e sim foi “usado pelos sócios da instituição financeira, que buscavam utilizar-se do crédito com o PT para beneficiar-se indevidamente de negócios com a petroleira”.

O criminalista Guilherme San Juan Araujo, que defende Milton e Fernando Schahin (antigos membros da cúpula do grupo), afirma que não teve acesso ao documento e que só se manifestará nos autos. O advogado do delator Salim Schahin, Rogério Taffarello, também planeja se manifestar apenas nos autos.

Isca
A defesa de Bumlai também afirma que ele tem sido usado “como se fosse ele a isca perfeita para se conseguir fisgar o peixe (ou melhor, o molusco cefalópode) que muitos queriam — e ainda querem — na frigideira”. Para Malheiros, essa estratégia é falha, porque o cliente nunca se beneficiou da amizade com Lula.

Segundo a petição, Bumlai formou-se em engenharia civil, atuou em uma série de obras importantes, como linhas do metrô de São Paulo, e teve trajetória bem-sucedida como empresário até 2008, quando decidiu junto com a família investir praticamente todos os seus recursos no setor sucroalcooleiro.

A ideia, relata, era construir “um dos maiores e mais modernos complexos de usinas para produção de açúcar e álcool e de energia elétrica a partir do processamento do bagaço de cana-de-açúcar do Brasil”, prejudicada pela política de contenção artificial do preço da gasolina somada ao baixo incentivo do governo federal à produção de etanol.

“Esse, MM. juiz, é o maior argumento a demonstrar que o defendente, contrariamente ao que se propala há tanto tempo, nunca se beneficiou — lícita ou ilicitamente — de sua relação com Lula. Pelo contrário, desde que sua amizade com o ex-presidente (...) se tornou notória, sua situação financeira só degringolou.”

Malheiros também questiona a competência do juiz federal Sergio Moro para julgar o caso, por entender que ocorreram em São Paulo todos os crimes apontados na denúncia do Ministério Público Federal. Aponta ainda problemas nas interceptações telefônicas e critica a falta de acesso pela defesa a documentos da investigação. 

Clique aqui para ler a petição.

* Texto atualizado às 21h30 do dia 21/1/2016 para acréscimo de informação.

Revista Consultor Jurídico, 21 de janeiro de 2016, 19h58

Comentários de leitores

3 comentários

P.... Arnaldo m. Filho

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

P.Q.P. e pensar que esses "advogados" altamente especializados em Dir. Penal estão cobrando,em média, R$ 1.500,00/hora para "defender" os magnatas empreiteiros acusados. Com essa tese ? Fazer o cliente assinar atestado de idiotice perante o Juiz Moro, é ruim heim? Hum.....De certa forma Bumlai parece mesmo muito ingênuo. Como tem cara perfeita de uma b....... deve ter tomado muita injeção no rosto sem sequer ter questionado o "por quê" .

Bumlai amigo de Lula - (2)

Bia (Advogado Autônomo - Empresarial)

Além disso, que "AMIGO" mais do que bonzinho, além de muito milionário, não? Muito, mas MUITO conveniente dispor de uma tal amizade, com tal grau de fidelidade ("como nunca dantes neste país ....."): dispor-se, sem contestação ou constrangimento, a tomar atitudes concretas para obter, avalisar, endossar e cumprir, até o fim, empréstimo milionário do qual, afinal, NADA teria do que se beneficiar ...... Brasil, país impressionante em número de almas "honestas", boas, limpas e bondosas .....

Bumlai AGORA é, afinal, amigo do Lula?

Bia (Advogado Autônomo - Empresarial)

"Ué"!!!!! AGORA o Bumlai é, afinal, AMIGO do Lula??? Os advogados dos implicados no "petrolão" começam a se enganar e a se contradizer quanto às próprias alegações. Logo no início, BUMLAI afirmou - segundo sua defesa - NÃO ser amigo íntimo de Lula. Depois, com fotos das relações de muito mais do que simples conhecimento entre eles, divulgadas na imprensa - que tais advogados, AGORA, também tentam reprimir, a exemplo dos membros do "partidão", acusando-a de parcialidade na divulgação das notícias - o mesmo advogado vem ao processo peticionar que o banco envolvido teria se aproveitado da amizade do acusado com o Lula????? Ou estão se enganando, enroscando-se, na verdade, diante das provas que se escancaram a cada dia que passa, ou PENSAM que podem manipular a imprensa, o povo, os outros advogados que não possuem interesse algum nessas operações contra a corrupção etc..

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