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Incêndio em boate

Três pessoas são detidas após tragédia em Santa Maria

A Polícia deteve na manhã desta segunda-feira (28/1) um dos donos da boate Kiss e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, segundo informações do delegado Sandro Meinerz. Um incêndio no momento em que o grupo musical se apresentava deixou 231 mortos na casa noturna de Santa Maria (RS). As informações são do portal G1.

Elissandro Sphor, conhecido como Kiko, um dos donos da casa noturna, foi preso em um hospital do município de Cruz Alta. O vocalista e um responsável pela segurança do palco da banda foram detidos na cidade Mata.

Eles tiveram o pedido de prisão temporária de cinco dias decretada pelo juiz Regis Adil Bertolindurante a madrugada desta segunda-feira. O vocalista do grupo que se apresentava no momento do incêndio foi detido durante o velório do gaiteiro Danilo Jaques, no município de Mata, na região central. O segurança da banda também foi localizado na cidade.

O outro proprietário da casa noturna também teve prisão temporária decretada, mas ainda não foi localizado pela polícia. Ele é considerado foragido.

Em entrevista à Rádio Gaúcha antes da prisão de Kiko, o advogado Jader Marques disse que o dono da boate foi a Cruz Alta para se submeter a um tratamento de desintoxicação e que a viagem foi informada para as autoridades. Ele também disse que seu cliente prestou todo atendimento às vítimas.

"Esta tragédia também está marcando o Kiko e toda a sua família. Todas as pessoas naquela boate eram amigas dele. Ele esteve lá recebendo, atendendo. Perdeu funcionários", disse o advogado.

Palavra da boate
O escritório de advocacia Kümmel & Kümmel divulgou comunicado neste domingo (27/1) em nome da Boate Kiss. Na nota, a empresa Santo Entretenimento manifesta o seu “maior sentimento de dor e de solidariedade em decorrência da lamentável tragédia”.

Segundo o documento, a situação da empresa é regular e a boate tinha todos os equipamentos “previsíveis e necessários” para combater incêndios, conforme normas do Corpo de Bombeiros. A boate ainda informa que os equipamentos atendem “às necessidades da casa e de seus frequentadores”.

A empresa diz lamentar a extensão da tragédia, “que excedeu a toda a normalidade e previsibilidade de qualquer atividade empresarial”, e credita o incêndio a uma fatalidade. “Somente Deus tem condições de levar o consolo e o conforto espiritual que desejamos a todos os familiares e ao povo santamariense, gaúcho e brasileiro”.

A nota informa, ainda, que a empresa já se colocou à disposição para fornecer documentos necessários para a apuração dos fatos e que todas as informações serão esclarecidas.

Em conversa com a Agência Brasil, o advogado Eduardo Kümmel informou que a nota divulgada em uma página atribuída à Boate Kiss no Facebook não foi redigida pelos donos da empresa. O documento, assinado por um administrador chamado Armando Neto, afirmava que o quadro de funcionários tem a “mais alta qualificação técnica” e estava “devidamente treinado e preparado para qualquer situação de contingência”.

Ao tomar conhecimento da nota mais cedo, a Agência Brasil entrou em contato com os telefones divulgados. Um dos números foi atendido por uma mulher que se disse funcionária da empresa. Ela garantiu que Armando Neto é gerente da boate e estaria disponível para falar em horário comercial a partir desta segunda-feira (28/1).

Kümmel não quis dar mais detalhes sobre a situação de seus clientes, inclusive sobre o teor dos esclarecimentos prestados à polícia e sobre a validade do alvará de funcionamento. O advogado disse que o contato com seus clientes é recente e que as estratégias de defesa ainda estão sendo definidas.

Revista Consultor Jurídico, 28 de janeiro de 2013, 11h25

Comentários de leitores

9 comentários

Os "suspeitos de sempre"

Observador.. (Economista)

Como bem disse alguém por aqui, acho que estão prendendo os "suspeitos de sempre".
Uma boate com espaço ínfimo ( diante do público que usualmente comportava ), sem portas de emergência de fácil abertura e de área suficiente ( para dar vazão à quantidade de pessoas que comportava, em pouco tempo ) e sem alvará, chega a ser piada prenderem "um dos músicos da banda".
Nem deveria estar funcionando.Pois não era um local adequado para os fins a que se propunha.

Memória curta

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Brasileiro tem mesmo memória curta. Há alguns anos houve no Brasil um outro evento de repercussão mundial. Uma adolescente era mantida presa com dezenas de homens, que a estupravam dia e noite. A notícia correu o mundo e os agentes envolvidos com o caso não foram presos. Resultado: a Juíza responsável pela prisão falsificou documentos, visando elidir sua responsabilidade. Acabou aposentada compulsoriamente pelo CNJ, mas voltou à ativa quando tudo caiu no esquecimento. A tragédia de Santa Maria, infelizmente, segue pelo mesmo caminho.

A prisão tardou realmente

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Sim, a prisão tardou. Óbvio que muitos ficarão perplexos com a afirmação, e dirão inclusive que sou defensor a liberdade. Mas o fato é que no direito, ao contrário do que muitos devoradores de resumo pensam, não há fórmula pronta para tudo. Estamos a falar de um evento singular, que culminou na morte de quase 250 pessoas. Não se trata de um acidente de trânsito sem vítimas, ou de um cidadão que xingou a mãe do outro. E, como mostra a experiência, todos os envolvidos com o episódio vão destruir provas, arquitetar depoimentos forjados, enfim, tentar afastar ou ao menos minimizar a responsabilidade civil e criminal, lembrando que os atos omissivos foram cometidos por servidores municipais, pessoal do corpo de bombeiros, além de possíveis outros agentes públicos, todos mestres na arte de formar conchaves com magistrados e membros do Ministério Público e permanecer impunes. Todos deveriam ser presos, mantidos isolados, ouvidos, e posteriormente mantidos sob prisão domiciliar até que não pudessem mais alterar provas ou depoimentos.

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