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Avaliação polêmica

Professor é acusado de apologia ao crime em Santos

O professor de matemática da Escola Estadual João Octávio dos Santos, na periferia de Santos (SP) está sendo acusado de fazer apologia ao crime. Segundo a denúncia feita por pais de uma aluna, ele passou aos estudantes do primeiro ano do Ensino Médio seis problemas que citam temas como tráfico de entorpecentes, prostituição, roubo de veículos, assassinato e uso de armas de fogo. A notícia foi publicada na quinta-feira (17/2) pelo jornal A Tribuna e divulgada no Portal UOL.

Uma das questões pergunta qual a quantidade de pó de giz que um traficante deverá misturar para ganhar 20% na venda de 200 gramas de heroína e, em outra, quantos clientes cada prostituta deverá atender para que o cafetão compre uma dose diária de crack.

Os pais procuraram a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Santos na quarta-feira. Na segunda, a adolescente comentou com a mãe que não havia conseguido responder um exercício com seis questões aplicado em sala de aula pelo seu professor de matemática Lívio. A mãe se surpreendeu com o conteúdo do texto e decidiu procurar a diretoria da escola.

Segundo o boletim de ocorrência, o professor foi chamado à sala da diretora e confirmou que havia aplicado as questões, mas sem esclarecer sobre os motivos que o levaram a formular o exercício. O professor teria dito ao padrasto da vítima que como a jovem não havia respondido as questões em sala de aula como fora orientada não era mais necessário respondê-las.

Investigações
O delegado titular da Dise, Francisco Garrido Fernandes, instaurou inquérito para apurar o caso e afirmou que o professor e a diretora da escola já foram intimados. Eles deverão prestar depoimento na próxima segunda-feira. Caso seja condenado por "apologia ao crime", o professor poderá receber punição de três a seis meses de detenção. “É um delito de menor potencial ofensivo e se o juiz condenar pode aplicar pena de prestação de serviços”.

O delegado afirmou ainda que não tem conhecimento da existência de bandidos na cidade com os apelidos de "Zaróio", "Biroka", "Jamanta", "Rojão", "Chaveta" e "Pipôco", utilizados como personagens nas questões.

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que, após receber as informações da ocorrência da direção da escola, determinou, nos termos da lei, a instauração de procedimento preliminar para apuração de responsabilidades e também o afastamento do docente. "Enquanto não houver a conclusão desse procedimento, a administração não dará mais informações sobre o caso, pois terá de atuar como instância de decisão, não podendo, portanto, correr o risco de caracterizar prejulgamento".

Revista Consultor Jurídico, 19 de fevereiro de 2011, 11h02

Comentários de leitores

5 comentários

Upa, faltou um pedacinho...

Richard Smith (Consultor)

Para cima de mim, caro Jaderbal "funcionário público" (que tecla em horário de expediente!)?!
.
Sátira é uma coisa e deve ser adequada a cada faixa etária e circunstância. Ainda que o dito APOLOGISTA (e não "apologeta", viu?) usasse o seu exemplo acerca dos políticos, estaria errado, pois estaria denegrindo um dos Poderes da República perante jovens alunos e instilando o nihilismo nos mesmos.
.
O que é muito diferente de discutir bandalheiras pontuais em sala de aula e estimular os jovens a repudiar políticos corruptos e a procurar votar o mais corretamente possível, não acha?
.
Então não me venha com essa de "crítica" ou "sátira", até porque parece que o referido docente (porém nada decente, na minha opinião) É CONTUMAZ NESSE TIPO DE PROCEDIMENTO! Trata-se de tornar banal e corriqueiro o mundo da marginalidade e das drogas perante jovens e imaturos alunos! E isso poderia ser tipificado como CRIME, sim.
.
Depois, funcionário público, você que parece ser da turma de admiradores do "Fessô" PeTralha e etc., poderia me explicar a pertinência do comentário delle, que eu ainda não consegui compreender, em relação ao assunto tratado?
.
Passar bem

Cuméquié?!

Richard Smith (Consultor)

Para cima de mim, caro Jaderbal "funcionário público" (que tecla em horário de expediente!)?!
.
Sátira é uma coisa e deve ser adequada a cada faixa etária e circunstância. Ainda que o dito APOLOGISTA (e não "apologeta", viu?) usasse o seu exemplo acerca dos políticos, estaria errado, pois estaria denegrindo um dos Poderes da República perante jovens alunos e instilando o nihilismo nos mesmos.
.
O que é muito diferente de discutir bandalheiras pontuais em sala de aula e estimular os jovens a repudiar políticos corruptos e a procurar votar o mais corretamente possível, não acha?
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Então não me venha com essa de "crítica" ou "sátira", até porque parece que o referido docente (porém nada decente, na minha opinião). Trata-se de tornar banal e corriqueiro o mundo da marginalidade e das drogas perante jovens alunos! E isso poderia ser tipificado como CRIME, sim.
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Depois, funcionário público, você que parece ser da turma de admiradores do "Fessô" PeTralah e etc., poderia me explicar a pertinência do comentário delle, que eu ainda não consegui compreender, em relação ao assunto tratado?
.
Passar bem

Satirizar o crime não é fazer apologia a ele

Jaderbal (Advogado Autônomo)

No dia em que esse professor receber qualquer punição estará decretada a morte da criatividade e o triunfo da mediocridade.
Um comentarista da "folhaonline", parodiando o criativo professor, criou um problema mais ou menos assim: Um senador cobra propina de 500 mil reais pela aprovação de uma lei que irá causar um prejuízo de 38 milhões de reais aos cofres públicos, os quais irão para o bolso do corruptor. Dado que o corruptor pretende gastar no máximo 25% deste valor com propinas, quantos senadores ele poderá corromper?
Aí, fica a pergunta: estarei eu também sendo um apologeta do crime?
A diferença entre a apologia e a sátira é exatamente o tom absurdo. O tom absurdo vem da própria ideia de transformar o crime em um problema de matemática.
O tom absurdo garante boas risadas, estimula a atenção do adolescente e - por que não dizer? - aproxima o estudante que tem um pé na criminalidade (que entende o jargão, etc.) do mundo escolar.
Parabenizo o professor pelo real espírito didático que demonstrou possuir.
Quanto aos que cogitaram de o condenar, sugiro que assistam, na televisão, aos filmes indicados para a faixa etária dos alunos (vítimas?) do tal professor.

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