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Comportamento suspeito

Italiano estava sozinho quando beijou filha

O gerente da barraca Croco Beach, Heitor Batista, disse que somente o italiano e a filha de 8 anos estavam na piscina quando o casal de turistas brasileiros acionou os funcionários do hotel, dizendo-se incomodado com o comportamento do pai. O italiano foi preso em flagrante na última terça-feira (1º/9) sob suspeita de ter abusado sexualmente da menina quando estava com ela na piscina.

A declaração de Heitor à Agência Brasil contradiz a mulher do empresário italiano. Ela disse que também estava na piscina com o marido e a filha. Além dela, afirmou a mulher, outro casal de amigos que mora na Itália estava na piscina. “Na piscina só estavam o italiano e a filha dele. O resto do pessoal estava em uma mesa consumindo, tinham almoçado, mas na piscina estava só o italiano e a filha”, disse o gerente à Agência Brasil.

Outro ponto conflitante entre as declarações do gerente e as informações da mãe da menina refere-se à fluência que o italiano e a filha têm da língua portuguesa. A mãe disse que o marido e a filha não falam português. Já o gerente da barraca explicou que eles frequentam o local há bastante tempo e que sempre viu a menina e o pai se comunicando normalmente. “A filha fala bem o português e fala italiano também porque ela nasceu lá. Ele fala português meio misturado com italiano. Mas é perceptível para quem vai atendê-lo. Ele se comunica bem, pelo menos na nossa área, que é a gastronomia”, disse o gerente.

Heitor contou ainda que no dia da prisão o italiano, a esposa e a filha estavam acompanhados de duas pessoas - uma vizinha da família que mora em Goidonia, província de Roma, e o filho dela. O gerente argumentou ainda que a imagem das câmeras de circuito interno da barraca mostra a família saindo do local e também que somente o italiano e a filha estão enrolados em uma toalha, enquanto a mulher e os outros dois acompanhantes estão de roupa. “Eles haviam acabado de sair da piscina. Não daria tempo de a mulher ter se secado”, comentou.

A mãe da menina afirmou ainda que em nenhum momento sua família foi abordada pelos funcionários da barraca, que tem 13 mil metros quadrados. No entanto, de acordo com os funcionários, eles a avisaram sobre a reclamação do casal de turistas brasileiros, quando ela estava em uma lan house localizada dentro da casa. De acordo com os funcionários, a mãe perguntou de quem era a reclamação e foi até eles para discutir. Irritado, o casal resolveu chamar a polícia.

O gerente informou ainda que a menina chorava muito durante a confusão. “Ela chorava e dizia que iriam prender o pai e que a culpa era dela.” Já o pai da menina tentava se justificar dizendo que estava apenas fazendo “um carinho” na filha.

O gerente afirmou que caso fique comprovado o crime de abuso sexual os monitores terão que ser demitidos. “Nossos monitores são treinados para ficar o tempo inteiro de olho na piscina, com o objetivo de não deixar que nenhuma criança se afogue. A Croco Beach teria que repensar a maneira que está preparando os funcionários em relação ao trato com o cliente, aos cuidados especialmente com crianças. Se realmente ficar comprovado que o italiano abusou da menina é uma falha muito grande de nossos funcionários. Pelo que o casal de turistas disse não foram só dois minutos. Segundo depoimento do casal, foi coisa de 30 minutos. Isso é imperdoável. Se for comprovado, nosso atendimento terá que ser repaginado”, disse o gerente.

Revista Consultor Jurídico, 7 de setembro de 2009, 17h46

Comentários de leitores

11 comentários

Prezado Marcelo

Mauricio_ (Outros)

Em nenhum momento, estou a desqualificar seu entendimento, nem poderia fazê-lo, pois é de todo respeitável e verossímil. Não é isso. Por favor, não me entenda mal.
Acho apenas que quem defende o turista italiano, apenas com base em informações veiculadas pela mídia, incorre no mesmo erro de quem o acusa por conta dessas mesmas informações precárias.
Uma mera notícia de jornal, caro Marcelo, é por demais escassa para formar em nosso espírito uma convicção de culpa ou de inocência de uma pessoa, notadamente em um caso tão delicado como esse.
De qualquer forma, perdoe se me fiz compreender mal e esperemos que a Justiça seja feita.
Um abraço.

TOLLITUR QUAESTIO

MARCELO-ADV-SE (Advogado Associado a Escritório)

Diletíssimo Mauricio,
Mais uma vez reconhecendo o seu talento argumentativo, e admirando a sua tenaz defesa de uma prisão totalmente destituída de sentido, remeto-lhe às palavras abaixo delineadas ex cathedra pelo Prof. Sergio Niemeyer, que bem representam o meu pensar a respeito do assunto.
Não é de meu intento, nessa via estreita de simples comentários, insistir numa polêmica infrutífera e vazia com vc, tanto mais porque há nítida distorção do meu ponto de vista ao pinçar fragmentos de minha opinião e criticá-los isoladamente, esquecendo-se de que meu diagnóstico do caso se deu com sondagem sistemática de todos os fatores embaraçantes.
Quanto à culpabilidade do italiano, o tempo mostrará se ele é criminoso ou não, esperando que, caso seja inocentado, a mídia dê a mesma cobertura e os acusadores sejam veementemente apenados, por terem despejado sob as costas de um inocente a pecha, persuadindo até pessoas do seu gabarito intelectual.

Prezado Marcelo

Mauricio_ (Outros)

Entendo que o fato de as testemunhas possuírem lanços matrimoniais entre si não possui o condão de desqualificar seus depoimentos, uma vez que, por não possuírem nenhum vínculo de inimizade com o suposto autor, não teriam motivos para lhe imputar falsamente a prática de um crime.
Se partimos do pressuposto de que todo e qualquer depoimento de testemunhas casadas são suspeitos e inválidos, estaríamos empurrando para a impunidade todos os delitos que tivessem apenas casais como testemunhas.
Por outro lado, não acredito que em um caso de repercussão internacional como esse o juiz tenha se atentado apenas para os aspectos formais do auto de prisão em flagrante, sem apreciar as provas produzidas e relaxar a prisão, se fosse manifestamente ilegal, o que, alías, seria um dever do magistrado, posto que, com a distribuição do auto de prisão pela autoridade policial em juízo, o magistrado que o recebe passa à condição de autoridade coatora da prisão e não mais o delegado de polícia.
Cabe ainda ressaltar que a maior parcela dos casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes ocorre justamente no seio familiar, envolvendo pais, padrastos, irmãos, primos e tios.
Em todo caso, como lhe falei anteriormente, acho que, apenas com base em matérias jornalísticas, sem termos tido nenhum contato com as provas produzidas, não temos como fazer juízos de valor sobre a culpa ou a inocência do turista italiano.
Acho que precipitado sairmos acusando ou inocentando o turista, sem conhecermos os reais motivos de sua prisão, apenas com base em versões veiculadas por jornalistas, que podem carecer de toda sorte de imprecisões jurídicas, uma vez que produzidas por leigos.

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