Notícias
21 março 2009
Advocacia voluntária
Instituto Pro Bono discute atividade no CNJ
O diretor do Instituto Pro Bono, o advogado Marcos Roberto Fuchs, esteve reunido com o presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Gilmar Mendes, esta semana. O tema do encontro está relacionado a uma velha luta do instituto: a ampliação da advocacia voluntária (pro bono).
O CNJ aprovou, no início do ano, a Resolução 062/09 que disciplina, no âmbito do Poder Judiciário, o cadastramento e a estruturação dos serviços de assistência jurídica voluntária. “Essa resolução segue o mesmo caminho trilhado pelo instituto”, ressalta Fuchs. Segundo ele, o ministro disse que a nova resolução está ligada à preocupação do Conselho com o acesso à Justiça e o respeito à Constituição.
O Instituto Pro Bono nasceu há oito anos e defende a liberdade de atuação dos profissionais que desejam oferecer assistência gratuita. A discussão é polêmica e ainda sofre forte resistência na área jurídica. A Ordem dos Advogados do Brasil, por exemplo, ainda considera essa atividade uma transgressão da ética profissional e pode cassar ou suspender o registro de classe do advogado.
Em agosto de 2002, a seção São Paulo da OAB aprovou uma proposta de regulamentação da advocacia pro bono em todo o estado. Mas impôs regras: apenas entidades do terceiro setor podem receber o atendimento gratuito. Desde então, o Instituto busca a regulamentação nacional do projeto. No momento, a proposta segue em análise no plenário do Conselho Federal da OAB. “O diferencial será incluir o atendimento a pessoas físicas”, ressalta. “Será mais um passo democrático no acesso à Justiça”, completa.
Enquanto isso, Marcos Fuchs percorre o país tentando aprovar regulamentações regionais. “A ideia é fomentar, plantar esse ideal em cada estado até a aprovação no conselho”, conta. Durante o encontro com o ministro Gilmar Mendes, o Instituto Pro Bono firmou uma parceria com o CNJ para organizar um seminário sobre o tema. “A expectativa é promover um debate reunindo advogados, Defensoria Pública e Ouvidoria, voluntários e não voluntário. Quem sabe até o Conselho Federal”, adianta.
O diretor do Instituto Pro Bono alerta que o objetivo da assistência jurídica voluntária não é tirar emprego dos advogados. Para Marcos Fuchs, o trabalho pro bono pretende diminuir a violação de direitos, que segundo o advogado, é muito forte no Brasil. “Temos apenas um defensor público para cada 100 mil potenciais usuários”, diz.
O Instituto Pro Bono está investindo também em outra frente: a dos futuros profissionais da área. Está em fase inicial o projeto Pro Bono Junior, uma parceria com a Fundação Getúlio Vargas que pretende incentivar estudantes universitários a atuarem nesta causa. “Acho que os estudantes de Direito também têm sua responsabilidade social no país”, acredita.
David Prado é repórter da Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 21 de março de 2009
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 16/03/2009 Núcleo de Advocacia Voluntária no MA fez 300 atendimentos em um mês
- 02/03/2009 Tribunal de Justiça de Alagoas implantará advocacia voluntária
- 26/02/2009 Gilmar Mendes cria Núcleo de Advocacia Voluntária no Piauí
- 10/02/2009 CNJ cria cadastro de advogado voluntário e disciplina assistência jurídica
Comentários
Comentários de leitores: 1 comentário
parabéns
No Brasil..... a OAB estimula advocacia que pensa apenas em lucro e proibe a advocacia social, mas de forma curiosa o código de ética veda a mercantilizaçao e diz que a advocacia é social, logo precisamos de ter um dado sobre o aspecto social da advocacia no Brasil!! E o probono propoe isto !!
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 29/03/2009.