Notícias
23 julho 2009
Onda de interceptações
Juiz e delegado são denunciados por escutas ilegais
O juiz Carlos Adel e o delegado Maurílio Pinto de Medeiros, ex-secretário-adjunto de Segurança Pública, do estado do Rio Grande do Norte, vão responder a processo por instalarem ilegalmente 1.864 grampos telefônicos entre 2003 e 2007. A denúncia do Ministério Público Estadual foi recebida, nesta quarta-feira (22/7), pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. As informações são da Folha de S.Paulo.
De acordo com a denúncia, o delegado pedia os grampos ao juiz por meio de um simples ofício, com uma indicação sumária dos números que queria interceptar. Para a Promotoria, o juiz não tinha competência para ordenar as escutas, já que era da área de execução penal (que cuida do acompanhamento da pena) e não pode interferir na investigação e instrução penal.
Além disso, o Ministério Público argumenta que não havia processos nem inquéritos para justificar as investigações e que não houve respeito às condições definidas pela legislação que trata das escutas.
Entre os grampeados pela dupla, segundo o Ministério Público, estão advogados, jornalistas, empresários e autoridades que não respondiam a processos na Justiça nem apresentavam motivos para a interceptação.
Em maio, o juiz foi punido pelo Conselho Nacional de Justiça por negligência e violação à legislação. Foi determinada sua remoção compulsória para uma vara não criminal para alertar "a gravidade de sua atuação, prevenindo novas práticas viciadas", segundo a decisão. Desde então, ele está afastado sob licença médica.
Maurílio Pinto deixou o cargo de secretário-adjunto há cerca de um ano e hoje é o responsável da Delegacia de Capturas da Polícia Civil.
O advogado que defende Medeiros e Adel, Cleto de Freitas Barreto, afirmou que faltam provas para sustentar a denúncia e que seus clientes agiram "no cumprimento do dever legal, com resultado positivo para a sociedade".
Ele acrescenta que "não houve nenhum prejuízo para cidadãos de bem, pelo contrário, vários crimes foram solucionados com as escutas".
Revista Consultor Jurídico, 23 de julho de 2009
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 26/05/2009 Juiz que autorizou 1,8 mil grampos em cinco anos é punido pelo CNJ
- 09/05/2009 CPI das escutas desmantelou esquema de grampos clandestinos
- 25/04/2009 CPI não prendeu ninguém mas expôs o submundo do grampo no país
- 26/01/2009 Rigor para autorizar interceptações favorece grampo ilegal, diz delegado
- 01/09/2008 Supremo cobra do presidente Lula fim dos grampos ilegais
- 31/08/2008 Juízes pedem punição aos responsáveis por grampos ilegais
- 16/07/2008 PF investiga acusados de fazer grampos ilegais
- 12/07/2007 MP denuncia detetives particulares por grampos ilegais
- 18/01/2004 Já são mais de 100 os juízes no banco dos réus do País
Comentários
Comentários de leitores: 4 comentários
Criticas ao Judiciario
Logo vem a questão, o Senado Federal conta com 81 Senadores.
O mesmo Senado Federal, conta com 10.000 mil servidores.
O Poder Judiciário, com suas falhas, conta com milhões de processos distribuidos todos os dias e o numero de servidores nunca aumenta.
Aliás, não aumenta o numero de servidores e também nao recebem aumento de salários, isso acontece em São Paulo.
Peço vênia a Assembleia Legislativa, para uma idéia, para evitar greve do funcionalismo público estadual no proximo ano, será que alguem poderia apresentar um projeto de lei, propondo o congelamento dos preços das tarifas púlicas ou administradas pelo poder público, como conta de água, luz, gás, telefone, condominio, cexta basica entre outros?, criticar é muito fácil, resolver o problema é mais facil ainda, só o estado, união e municipios são réus em inumeros processos, qual o nome que se dá a isso, se respondo a um processo é porque deixei de cumprir com uma obrigação, se os entes da federação também são réus é porque tambem deixaram de cumprir com suas obrigações, dai pergunto qual o intresse do estado em melhorar as condições de trabalho dos servidores do juciario? eventuais disvios de comportamento de alguns juizes, desembargadores ou ministros, deve ser punido sem com isso macular o festejado poder judiciário.
Defensoria Pública
viva o país das contradições
Ver todos comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 31/07/2009.