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Imunes à crise

Escritórios de advocacia continuam a crescer

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A crise financeira, que começou nos Estados Unidos e faz os demais países temerem entrar em recessão, está aumentando o faturamento dos escritórios de advocacia. Serviços como consultorias na renegociação de contratos e nas recuperações judiciais, além do contencioso nas áreas trabalhista, consumerista e tributária são hoje os setores mais rentáveis das bancas, depois do desaparecimento de trabalhos ligados a IPO´s e investimentos em infraestrutura.

A Lei de Recuperações Judiciais e Falências (Lei 11.101/05) se tornou o grande motivo das consultas recebidas pelo escritório Bumachar Advogados Associados entre outubro e dezembro do ano passado, apesar de a lei estar em vigor desde 2005. “A principal dúvida é sobre os benefícios no fluxo de caixa que as empresas em dificuldade terão caso entrem em recuperação”, conta a advogada Juliana Bumachar, sócia do escritório. Ela afirma que, desde que a crise começou, em setembro do ano passado, o escritório registrou aumento de faturamento.

O Siqueira Castro – Advogados, que também sofreu com a escassez de IPO´s, conseguiu contornar a situação com o aquecimento de outras áreas da banca, como a trabalhista, a societária e a de contencioso, fechando 2008 com um incremento de 35% no faturamento. O ótimo desempenho animou o escritório a abrir novas filiais em Manaus e Belém. “Foi nosso melhor ano”, afirma o sócio Carlos Fernando Siqueira Castro. Para 2009 — ano em que as previsões econômicas continuam pessimistas —, a banca almeja crescer de 15% a 20%. “Alguns setores crescem por causa da crise”, explica.

No Veirano Advogados, os IPO´s praticamente acabaram, depois de serem o carro-chefe do faturamento em 2007. A banca foi obrigada a redirecionar o trabalho dos especialistas da área para o setor de fusões e aquisições e de consultoria. Deu certo. “O aumento de trabalho nessas áreas foi de 100%”, revela o sócio Leonardo Morato. O crescimento na quantidade de consultorias aconteceu principalmente em relação a operações financeiras, depois que as exportadoras viram o prejuízo levado pela Sadia e pela Aracruz com derivativos, que fez as ações das companhias despencarem. As duas empresas apostaram na queda contínua do dólar frente ao real no ano passado e firmaram contratos no mercado de capitais baseados na expectativa, em operações de hedge. Com a explosão da crise, o dólar disparou e fez a Aracruz perder R$ 1,95 bilhão e a Sadia, R$ 760 milhões. “Há uma série de empresas na mesma situação, que tentam renegociar os contratos de hedge com as instituições financeiras”, diz o advogado, que tem nos bancos seus principais clientes.

O escritório também teve um crescimento de 30% na demanda envolvendo ações trabalhistas desde que o medo da crise chegou ao país. “Houve muitas consultas sobre negociação coletiva para redução de jornada de trabalho e de salário, férias coletivas, licença remunerada, banco de horas e até planos para desligamentos e despedidas”, conta o advogado Cláudio Dias de Castro. Segundo ele, o número de processos trabalhistas tende a aumentar até 2010, já que o prazo para reclamações na Justiça do Trabalho é de dois anos após as rescisões.

Mesmo bancas que estavam longe de operações de IPO´s, como o Koury Lopes Advogados, sentiram a desaceleração da economia, mas nem assim deixaram de crescer. “O setor de fusões e aquisições teve uma queda por causa do abatimento gradativo do mercado financeiro no decorrer do ano passado”, afirma a sócia Maria Cristina Junqueira. Mesmo assim, o crescimento da banca foi de 25%. “Se não fosse a crise, poderia ser maior”, diz.

Serviço completo

A explicação para a imunidade à crise está na polivalência das bancas que prestam full service. “Em épocas de grande crescimento econômico, o trabalho é voltado para fusões e aquisições e áreas ligadas ao mercado de capitais e infraestrutura. Já em tempos de crise, os setores com maior movimento são o de pré-litígios societários, que envolvem renegociações, e os de contencioso tabalhista, tributário e de consumo”, explica Carlos Fernando Siqueira Castro, do Siqueira Castro - Advogados. Nos últimos seis meses, a banca, que atende a 400 clientes, registrou aumento de 12% no número de processos trabalhistas de clientes na Justiça. O acréscimo de cerca de seis mil ações “trouxe um impacto grande no caixa”, afirma o advogado. “Ainda há o trabalho invisível, que é o de negociações coletivas com os trabalhadores antes que eles entrem na Justiça.”

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 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 14 de fevereiro de 2009, 6h30

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