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Efeitos colaterais

Pfizer é acusada de intimidar testemunhas nos EUA

Ganhou um novo capítulo o caso em que o maior laboratório do mundo, a farmacêutica Pfizer, é processada em 1,2 mil ações por causa dos efeitos colaterais gerados pela droga Neurontin, um controlador de ataques epiléticos que estaria levando pacientes ao suicídio. Agora, a Pfizer é acusada de usar ex-agente da CIA, a central de inteligência dos EUA, para intimidar testemunhas. As informações são do site Litigation Daily.

Uma dessas ações foi encerrada abruptamente, em 29 de julho deste ano. A família de Susan Bulger retirou o processo em que o laboratório era acusado pelo suicídio. Susan se matou, por enforcamento, em 2004, após ter tomado a droga Neurontin. A informação oficial da família Bulger foi a de que “um amigo familiar” ofereceu-se a custear todos os estudos da filha de dez anos da suicida, caso a ação fosse encerrada. A assessora da Pfizer, Amy Schulman, emitiu declaração oficial afirmando que a farmacêutica nada tinha a ver com esse acordo. E que também não havia “nenhuma evidência científica” de que o Neurontin gerasse suicídios.

Agora, o site Litigation Daily especula os bastidores do caso e informa que a Pfizer teria contratado um ex-agente da CIA para supostamente ameaçar as vítimas, as testemunhas ou costurar acordos. O cientista David Franklin, uma das principais testemunhas da Promotoria contra o uso do Neurontin, diz que sua família foi ameaçada pelo agente da CIA aposentado. A acusação fez com que a juíza Patti Saris, de Boston, emitisse ordem restritiva, em que proíbe a Pfizer ou seus sub-contratados de se aproximarem de testemunhas.

A Pfizer emitiu nota de desculpas, por meio dos escritórios de advocacia Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom e Boies, Schiller & Flexner. Os escritórios sustentam que o cientista acusador inventou os fatos “para atrair a atenção da mídia”. E que o ex-agente da CIA “seguiu os protocolos padrão e não foi hostil ao cientista e à sua família”. A Pfizer ajuizou recurso em que postula o direito de o ex-agente da CIA poder transitar livremente junto à família do cientista acusador.

Segundo a acusação, a mulher do cientista, Ann Laquerre, teria recebido, em 27 de julho de 2009, ligações de um investigador particular que se dizia trabalhar para os escritórios de advocacia que defendem a Pfizer. Ela diz que se sentiu ameaçada quando o agente teria dito que “nada acabaria” ali.

O cientista David Franklin ficou rico e famoso pela ação que entrou em 1996 contra o laboratório Warner Lambert, comprado pela Pfizer no ano 2000, em que acusava a empresa de marketing ilegal da droga Neurontin. A Pfizer foi condenada por violação de leis de marketing da saúde pública e pagou por isso a soma de US$ 430 milhões, em 2004. O cientista Franklin levou US$ 24,6 milhões nesse acordo.

Revista Consultor Jurídico, 10 de agosto de 2009, 16h49

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