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20 outubro 2008
Seqüestro de Eloá
Denúncia contra Lindemberg deve ser apresentada em 15 dias
O promotor Antonio Nobre Folgado, do Tribunal do Júri de Santo André (SP), tem 15 dias para oferecer denúncia contra Lindemberg Fernandes Alves, que manteve a ex-namorada Eloá Cristina Pimentel e a estudante Nayara da Silva reféns, durante quatro dias, em um apartamento em Santo André, na Grande São Paulo. Eloá foi baleada na cabeça e morreu no sábado (18/10). Nayara foi baleada no rosto, mas sobreviveu.
De acordo com a Folha Online, o promotor receberá o inquérito elaborado pela Polícia Civil em dez dias. A partir daí, terá cinco dias para preparar a denúncia contra Lindemberg.
O Ministério Público Militar investigará a atuação do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) no seqüestro. De acordo com a promotora militar Eliana Passarelli, foram solicitadas todas as informações referentes ao caso. O fato de a menina Nayara ter voltado ao apartamento será considerado grave. “Ela não poderia ter voltado, mesmo como exigência do seqüestrador”, declarou.
Em nota, o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, também criticou a decisão dos policiais. "Jamais aquela jovem que tinha tido sua vida ameaçada pelo seqüestrador e fora libertada deveria ter tido autorização, de quem quer que seja, para voltar e ser submetida à condição de refém novamente, ficando em situação de risco", diz D'Urso.
Segundo ele, é preciso refletir sobre as técnicas e o treinamento oferecido aos policiais. “Precisamos de homens que recebam treinamentos constantes e capacitação em negociação com seqüestradores para que saibam quando e como agir para poupar vidas e restabelecer a segurança pública”, defende.
O seqüestro
Elóa foi rendida em sua própria casa pelo ex-namorado na segunda-feira (13/10). Lindemberg estava inconformado com o fim do namoro de três anos e rendeu também três amigos da adolescente — dois garotos libertados no mesmo dia e a amiga Nayara que, após passar 33 horas em cárcere privado, foi libertada, mas voltou ao apartamento na quinta-feira (16/10), de acordo com a Polícia, para ajudar na negociação.
Eloá Cristina Pimentel ficou mais de cem horas na mão do seqüestrador. Na sexta-feira (17/10), a polícia invadiu o apartamento depois de ter ouvido um disparo. A garota foi baleada na cabeça e teve morte cerebral confirmada na noite de sábado (18/10). Nayara, baleada no rosto, passa bem, mas permanece internada no hospital municipal de Santo André. Ela receberá alta médica na próxima quarta-feira (22).
Segundo a Polícia Civil, Lindemberg poderá responder pela morte de Eloá e duas tentativas de homicídio, além de cárcere privado e periclitação de vida (por colocar a vida de pessoas em risco).
Revista Consultor Jurídico, 20 de outubro de 2008
Comentários
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