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31 julho 2008
Desculpas públicas
Procurador que chamou Eduardo Jorge de PC Farias se retrata
O procurador da República em Santa Catarina, Walmor Alves Moreira, enviou carta ao jornal Diário Catarinense retratando-se publicamente da entrevista em que chamou o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge, de PC Farias do governo Fernando Henrique Cardoso. A publicação da nota no dia 21 de maio de 2008 (leia abaixo), foi resultado de acordo que encerrou ação penal na Justiça Federal movida por Eduardo Jorge contra o procurador.
Na entrevista de maio do ano passado, Moreira afirmou: “Parece que cada governo tem um laranja” e exemplificou: “Collor tinha o Paulo César Farias; Eduardo Jorge trabalhava para Fernando Henrique; o Lula tinha dois, Delúbio Soares e Silvio Pereira”.
Eduardo Jorge ajuizou Ação Penal pedindo o enquadramento do procurador nos crimes de difamação e injúria. “A inclusão do nome do querelante como ‘laranja’, e a equiparação de seu nome ao de PC Farias, que passou a ser tido como um dos maiores corruptos que o país teve em anos recentes, e, ainda, a Delúbio Soares e Silvio Pereira, envolvidos em recentes escândalos por desvio de verbas públicas, é claramente ofensiva à sua honra”, argumentou a advogada Ana Luisa Rabelo Pereira, que representa Eduardo Jorge.
No Tribunal Regional Federal da 4ª Região (Porto Alegre), Eduardo Jorge ganhou a ação depois de acordo entre as partes. O procurador teve que pagar indenização e se retratar publicamente no mesmo jornal em que deu a entrevista.
Quando a ação foi ajuizada, o procurador, que mostrou sua coragem ao dar opinião tão firme em público, pediu segredo de justiça para se defender. A Justiça Federal catarinense concedeu-lhe o benefício. No entanto, no decorrer do processo o Ministério Público Federal deu razão a Eduardo Jorge e deu parecer pelo prosseguimento da ação.
Precedente
No ano passado, o Conselho Nacional do Ministério Público puniu outros dois procuradores acusados de empreender perseguição política contra o Eduardo Jorge. O procurador-regional da República Luiz Francisco de Souza foi suspenso por 45 dias e seu colega Guilherme Schelb sofreu pena de censura.
Na representação encaminhada ao CNMP no ano passado, o ex-secretário de Fernando Henrique sustentou que os procuradores utilizaram notícias jornalísticas como “indícios veementes” para acusá-lo perante a opinião pública e o Senado, violando seus direitos constitucionais.
Saldo com a imprensa
Na empreitada contra os órgãos de imprensa que divulgaram informações infundadas, Eduardo Jorge está com o saldo positivo. Ele já ganhou ações contra os jornais O Globo, Correio Braziliense e Folha de S.Paulo e contra as revistas Veja e IstoÉ. As indenizações variam de R$ 50 mil a R$ 200 mil.
Em abril passado, ele ganhou mais uma. Foi a vez do jornal O Estado de Minas ser obrigado a pagar indenização de R$ 30 mil. A decisão foi da 4ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Eduardo Jorge espera, ainda, o resultado de outras duas ações, ainda sem decisão de primeira instância, contra o Jornal do Brasil e Correio de Minas. Em todas, ele se diz vítima de ataques infundados da imprensa. O ex-secretário processa também a União e os procuradores Guilherme Schelb e Luiz Francisco de Souza, que o denunciaram.
No caso de O Estado de Minas, o ex-secretário processou também as jornalistas Ana d'Ángelo e Bertha Maakaroun. “A razão dessa inclusão é que quando a matéria foi publicada, no fim de 2002, nenhum jornalista podia, a meu ver, sequer alegar boa fé, pois o assunto já estava suficientemente esclarecido. E eu já tinha avisado que, dali por diante, processaria também os jornalistas que insistissem nas acusações”, explicou o ex-secretário. Na ocasião, acrescentou que o valor do dano moral é pequeno, mas foi justo por se tratar de apenas um texto.
Leia a retratação no Diário Catarinense na página 38 da edição de 21 de maio de 2008
Diante do teor da entrevista publicada pelo DC no dia 27 de maio de 2007, à pagina 36, na qual constou a assertiva de que o senhor Eduardo Jorge trabalhava para Fernando Henrique Cardoso, “equiparando-o” a PC Faria e, ainda, a Delúbio Soares e a Sílvio Pereira, o subscritor desta se retrata, uma vez que “injusta e desonrosa” a imputação, pois não tem conhecimento de que o senhor Eduardo Jorge era “laranja” do ex-presidente ou de quem quer que seja, bem como de qualquer prática de ilícito civil ou criminal.
Walmor Alves Moreira
Procurador da República
Revista Consultor Jurídico, 31 de julho de 2008
Arquivo
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