Notícias
23 julho 2008
Patrimônio nacional
Empresa alemã desiste de registro da marca Rapadura
A empresa alemã Rapunzel Naturkost abriu mão do registro da marca Rapadura. A informação foi dada pelo presidente da seccional da OAB do Ceará, Hélio Leitão, ao presidente do Conselho Federal da OAB, Cezar Britto.
A marca Rapadura foi registrada pela empresa alemã nos escritórios de marcas e patentes dos Estados Unidos e da Alemanha. Logo que a OAB cearense tomou conhecimento dos registros, informou o governo brasileiro, que deu início às negociações para recuperar a marca do doce brasileiro.
A empresa alemã chegou a sinalizar a intenção de abandono voluntário dos registros, mas no ano passado apresentou uma proposta, que acabou rechaçada pelo Itamaraty: de transferência de titularidade do registro para o governo brasileiro com licença de uso para a própria empresa.
Segundo o secretário da Divisão de Propriedade Intelectual do Itamaraty, Fábio Schmidt, a proposta foi rejeitada porque a legislação internacional prevê que marcas sem distintividade não podem ser objeto de registro de marca por empresas. “Seria como registrar o termo chocolate e impedir qualquer outra empresa de colocar esse termo no nome de seu produto, sob a justificativa de que a palavra chocolate está registrada”, explicou Schmidt.
Recentemente, o governo apresentou uma nova proposta, que foi aceita pela empresa: de registro de marca composta. De acordo com a legislação brasileira, ainda segundo Fabio Schmidt, marca composta — aquela formada por um elemento genérico e outro distintivo — pode ser registrada, desde que sem exclusividade sobre o termo genérico. “O termo chocolate ou rapadura podem ser utilizados por qualquer empresa. Dessa forma, ficou resguardado o interesse brasileiro”, acrescentou o secretário do Itamaraty.
Depois de acolher a proposta do governo brasileiro, a empresa informou que fará seu registro composto — Rapadura Rapunzel —, sem que haja qualquer direito de exclusividade sobre o termo rapadura. A Embaixada brasileira em Berlim já informou oficialmente ao governo brasileiro que a empresa renunciará ao registro.
O governo federal já havia informado à OAB nacional que aceitaria uma parceria com a entidade para endurecer as negociações caso a empresa não se mostrasse disposta a voltar atrás. Em reunião no Itamaraty, foi discutida a possibilidade de um acordo para estabelecer parcerias com escritórios de advocacia na Alemanha e nos Estados Unidos para defender os interesses brasileiros em relação ao registro do produto. Não foi preciso.
O Itamaraty e a OAB também atuam na tentativa de cassar os registros de outros produtos tipicamente brasileiros, como o açaí e o cupuaçu. Nomes de plantas naturais da Amazônia e suas propriedades, como a andiroba e a copaíba, também foram registradas por empresas de outros países.
Em 1998, o cupuaçu tornou-se marca comercial no Japão, onde foi patenteado pelas empresas transnacionais Asahi Foods e Cupuaçu International. Em 2004, o Escritório de Marcas e Patentes do Japão anulou o registro, depois de uma mobilização da comunidade amazônica e de um trabalhoso processo na Justiça japonesa.
Revista Consultor Jurídico, 23 de julho de 2008
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 06/07/2008 OAB e Itamaraty se unem para resgatar patentes
- 07/04/2008 OAB tenta anular patente da rapadura feita na Alemanha
- 09/06/2007 OAB cearense contesta registro da marca rapadura
- 28/06/2005 INPI vai mapear produtos para combater a biopirataria
- 03/03/2004 Registro da marca cupuaçu é invalidado no Japão
- 24/07/2003 Comunidades protestam contra registro de fruta no Japão
Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
A Rapadura é nossa, SÔ! Olha parece...
Que tal patentearmos "chucrute" heheheheh
É seu Fritz, a rapadura é doce mas não é mole!
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 31/07/2008.