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Filhote do mensalão

Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas são presos pela PF

O banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o empresário Naji Nahas foram presos na manhã desta terça-feira (8/7) pela Polícia Federal, em operação que investiga desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. A operação batizada de Satiagraha, que significa resistência pela verdade, é um desdobramento do caso mensalão. Pitta e Nahas foram presos em suas casas, em São Paulo, e Daniel Dantas, no Rio de Janeiro.

Cerca de 300 policiais cumprem 24 mandados de prisão ( 21 acusados já foram presos) 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. Os mandados foram expedidos pelo juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A assessoria de imprensa da PF divulga, no entanto, que quem expediu os mandados foi a 2ª Vara Criminal Federal de SP.

Há dez diretores do Opportunity presos. Entre eles, estão: Veronica Dantas, irmã de Dantas; Dório Ferman, um dos mais antigos colaboradoes do banqueiro; Maria Amália Coutrim, diretora do banco que trabalha com Dantas há mais de dez anos; e Humberto Braz, que durante o processo de briga pela Brasil Telecom atuou na linha de frente do lobby pró-Dantas. Todos serão transferidos do Rio de Janeiro para São Paulo.

Segundo a Polícia Federal, as investigações se iniciaram há quatro anos, como desdobramento do mensalão. O mensalão foi revelado no dia 6 de junho de 2005 em entrevista de Roberto Jefferson à Folha.

A partir de documentos enviados pelo Supremo Tribunal Federal para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto processo na 6ª Vara Criminal Federal. Na apuração foram identificadas pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos.

Com base em informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma grande organização criminosa, comandada por um banqueiro, envolvida com a prática de diversos crimes. Para a prática dos delitos, principalmente desvio de verbas públicas, o grupo possuía várias empresas de fachada.

Com o andamento da apuração, foi descoberta a existência de um segundo grupo formado por empresários e doleiros que atuavam no mercado financeiro como forma de "lavar" o dinheiro obtido em negócios escusos. Este grupo era comandado por um megainvestidor. Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização atuava no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Banco Central dos EUA), segundo versão da PF. O trabalho mostrou que as duas organizações criminosas atuavam de forma interligada, com vários níveis de poder e decisão, de acordo com a PF.

Sobre Nahas, o colunista Diogo Mainardi, da revista Veja, escreveu que "a Telecom Italia recebeu os 3,25 milhões de reais" dele. Segundo a revista italiana Panorama, o dinheiro foi parar na mão de políticos. Em entrevista à Veja, Nahas admitiu o pagamento mas negou que fosse para pagar políticos. "Não ganhei esse dinheiro sem trabalhar. Fiz acordos para resolver a disputa entre o Opportunity (banco de Daniel Dantas) e a Telecom Italia. Por meio de um deles, a Telecom Italia pôde lançar celulares com tecnologia GSM", disse ele à revista Veja.

Ecos

Os presos na operação deverão ser indiciados pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Eles devem permanecer na carceragem da Superintendência Regional da PF em São Paulo onde ficam a disposição da Justiça.

O advogado de Daniel Dantas, Nélio Machado, disse em entrevista à GloboNews que a prisão do banqueiro é "arbitrária e desnecessária". "Daniel Dantas é um empresário reconhecido pela competência e vem sendo estigmatizado como se fosse transformado em inimigo público", afirmou.

Notícia atualizada às 14h10 para acréscimo de informações

Revista Consultor Jurídico, 8 de julho de 2008, 9h54

Comentários de leitores

54 comentários

Pelo visto o Dr. Sérgio Niemeyer (Advogado Autô...

ALBANY (Delegado de Polícia Federal)

Pelo visto o Dr. Sérgio Niemeyer (Advogado Autônomo) entende tudo de investigação. Deve ter larguíssima experiência em investigações criminais, sobretudo nos crimes fiscais e de lavagem de dinheiro. São investigações simplórias, fáceis e ágeis para se realizar, assim, jamqais demandariam tando tempo. Caro Doutor: Por acaso o senhor sabe quanto tempo se leva para se obter uma decretação de quebra de sigilo fiscal ou bancário? Sabe quanto tempo as instituições bancárias demoram para fornecer os documentos, após a autorização judicial? Sabe quanto tempo se leva para se analizar tantos documentos? Aliá, o Senhor tem idéia de quantos documentos são fornecidos em situações similares? Tem idéia? Mil? dois mil? dez mil? cem mil? Pelo visto o Senhor não sabe. Será que o senhor tem idéia de quantos volumes formam um inquérito desta estirpe? Caso o senhor tenha ciência de tudo isso e ainda assim mantenha sua opinião e acredite ser capaz de colocá-la em prática, eu sugeriria que a Polícia Federal lhe contratasse, mesmo sem concurso, e que lhe pagasse dez vezes mais do que paga a qualquer Delegado em final de carreira, porque nesta hipótese o senhor seria um superdelegado. Valeria por centenas de Delegados.

Parabéns à PF, Prendeu uma porção de bandidos d...

Zerlottini (Outros)

Parabéns à PF, Prendeu uma porção de bandidos de colarinho branco. Agora, as perguntas de 1 milhão de dólares: 1. Eles vão FICAR NA CADEIA? 2. Eles vão DEVOLVER O QUE ROUBARAM? Alguém quer fazer uma aposta? Eu JURO que não. Semana que vem, eles já estarão nas ruas, rindo da nossa cara e da cara da PF. É assim que funciona o Brasil!!! Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG

A PF está de parabéns! E que ela continue in...

Comentarista (Outros)

A PF está de parabéns! E que ela continue investigando e prendendo os criminosos do colarinho branco, que, desde a descoberta deste país até o final do (des)governo do falastrão e hoje quase gagá FFHH, viviam em "berço esplêndido" mas hoje estão provando o "gostinho" da lei... Ou alguém arriscaria dizer, antes do atual governo, que figurões (como os ora presos ou até mesmo presidente de TJ em exercício, por exemplo) pudessem ser presos?!? Se dissesse, certamente seria motivo de piada... Mas hoje a coisa mudou e a cadeia está tendo a "honra" de hospedar figuras ilustres, algo dantes impensável. Por essas e outras é que, talvez, o Sapo Barbudo continue com aprovação popular recorde e, caso fosse permitido, certamente seria reeleito pela terceira vez (mas acho que ele vai preferir eleger seu sucessor...). É isso, simples assim.

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