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8 julho 2008
Filhote do mensalão
Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas são presos pela PF
O banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o empresário Naji Nahas foram presos na manhã desta terça-feira (8/7) pela Polícia Federal, em operação que investiga desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. A operação batizada de Satiagraha, que significa resistência pela verdade, é um desdobramento do caso mensalão. Pitta e Nahas foram presos em suas casas, em São Paulo, e Daniel Dantas, no Rio de Janeiro.
Cerca de 300 policiais cumprem 24 mandados de prisão ( 21 acusados já foram presos) 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. Os mandados foram expedidos pelo juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A assessoria de imprensa da PF divulga, no entanto, que quem expediu os mandados foi a 2ª Vara Criminal Federal de SP.
Há dez diretores do Opportunity presos. Entre eles, estão: Veronica Dantas, irmã de Dantas; Dório Ferman, um dos mais antigos colaboradoes do banqueiro; Maria Amália Coutrim, diretora do banco que trabalha com Dantas há mais de dez anos; e Humberto Braz, que durante o processo de briga pela Brasil Telecom atuou na linha de frente do lobby pró-Dantas. Todos serão transferidos do Rio de Janeiro para São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, as investigações se iniciaram há quatro anos, como desdobramento do mensalão. O mensalão foi revelado no dia 6 de junho de 2005 em entrevista de Roberto Jefferson à Folha.
A partir de documentos enviados pelo Supremo Tribunal Federal para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto processo na 6ª Vara Criminal Federal. Na apuração foram identificadas pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos.
Com base em informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma grande organização criminosa, comandada por um banqueiro, envolvida com a prática de diversos crimes. Para a prática dos delitos, principalmente desvio de verbas públicas, o grupo possuía várias empresas de fachada.
Com o andamento da apuração, foi descoberta a existência de um segundo grupo formado por empresários e doleiros que atuavam no mercado financeiro como forma de "lavar" o dinheiro obtido em negócios escusos. Este grupo era comandado por um megainvestidor. Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização atuava no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Banco Central dos EUA), segundo versão da PF. O trabalho mostrou que as duas organizações criminosas atuavam de forma interligada, com vários níveis de poder e decisão, de acordo com a PF.
Sobre Nahas, o colunista Diogo Mainardi, da revista Veja, escreveu que "a Telecom Italia recebeu os 3,25 milhões de reais" dele. Segundo a revista italiana Panorama, o dinheiro foi parar na mão de políticos. Em entrevista à Veja, Nahas admitiu o pagamento mas negou que fosse para pagar políticos. "Não ganhei esse dinheiro sem trabalhar. Fiz acordos para resolver a disputa entre o Opportunity (banco de Daniel Dantas) e a Telecom Italia. Por meio de um deles, a Telecom Italia pôde lançar celulares com tecnologia GSM", disse ele à revista Veja.
Ecos
Os presos na operação deverão ser indiciados pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Eles devem permanecer na carceragem da Superintendência Regional da PF em São Paulo onde ficam a disposição da Justiça.
O advogado de Daniel Dantas, Nélio Machado, disse em entrevista à GloboNews que a prisão do banqueiro é "arbitrária e desnecessária". "Daniel Dantas é um empresário reconhecido pela competência e vem sendo estigmatizado como se fosse transformado em inimigo público", afirmou.
Notícia atualizada às 14h10 para acréscimo de informações
Revista Consultor Jurídico, 8 de julho de 2008
Arquivo
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Pelo visto o Dr. Sérgio Niemeyer (Advogado Autô...
Parabéns à PF, Prendeu uma porção de bandidos d...
A PF está de parabéns! E que ela continue in...
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