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15 março 2007

Por um lar

AMB lança campanha em favor da adoção de crianças de abrigos

Por Maria Fernanda Erdelyi

Os abrigos do país têm atualmente 80 mil crianças. Destas, apenas 8 mil estão disponíveis para a adoção porque não possuem mais nenhum vínculo familiar. Mas do total, poucas têm chances de serem adotadas. A maioria dos casais procura um perfil de criança que não é o da maioria. Normalmente, tem de ser branca, saudável, de zero a um ano de idade e sem irmãos.

Adotantes estrangeiros têm mais tolerância e aceitam o que os brasileiros costumam rejeitar: crianças negras, maiores de um ano, às vezes doentes e com irmãos. Mais de 90% dos casais brasileiros querem adotar crianças brancas e com menos de um ano de vida.

Com a intenção de tentar mudar essa realidade, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lançou, na quarta-feira (14/3), em Brasília, a campanha Mude um Destino — em favor das crianças que vivem em abrigos.

Com um pacote de iniciativas, a AMB pretende dar visibilidade a situação das crianças e jovens que vivem em abrigos. Um dos objetivos é incentivar o retorno desses jovens à família biológica, além de estimular a prática da adoção em todo o país.

De acordo com o presidente da AMB, Rodrigo Collaço, a maior causa do desabrigamento no país é a miséria e a falta de condições dos pais de criarem seus filhos. Outras causas: pais drogados ou que abusam sexualmente dos filhos. “Nossa intenção é levar um tema tão obscuro e esquecido à luz do dia”, explica.

Segundo o juiz da Infância e Juventude de Florianópolis, Francisco Oliveira Neto, que idealizou a campanha com a AMB, para um casal adotar uma criança o primeiro e mais importante requisito é que ele tenha convicção do que quer fazer. Oliveira Neto lembra que alguns casais chegam a desistir da criança depois da adoção concretizada.

Também é parte da iniciativa da Associação a distribuição de uma cartilha com orientações aos dirigentes de abrigos que vão desde como proceder com as crianças abrigadas, as obrigações dos abrigos e os direitos das crianças. Uma segunda cartilha apresenta o processo de adoção explicado detalhadamente.

O pacote da campanha conta, ainda, com o documentário O que o destino me mandar que mostra a história de crianças e jovens abrigados. Collaço explica que o vídeo dá voz às crianças e derruba alguns mitos como o de que o processo de adoção no Brasil é lento e burocrático.

Por fim, a AMB planeja um concurso para premiar os trabalhos desenvolvidos com o objetivo de melhorar a situação das crianças e adolescentes abrigados. E, no Prêmio AMB de Jornalismo deste ano, terá a categoria especial voltada aos jornalistas que abordarem o tema desta campanha em suas reportagens.

“O que essa campanha pode produzir de mais positivo é trazer à tona a realidade desses jovens, pouco conhecida pela sociedade. Ela mostrará o drama de cada uma dessas crianças e adolescentes à população”, explicou Rodrigo Collaço.

O ministro Patrus Ananias, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, compareceu à cerimônia de lançamento, representando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ananias garantiu que entregará todo o material de divulgação da campanha ao presidente Lula e transmitirá a ele suas impressões positivas em relação à iniciativa.

Maria Fernanda Erdelyi é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 15 de março de 2007

Comentários

Comentários de leitores: 1 comentário

16/03/2007 10:24 PEREIRA (Advogado Autônomo - Consumidor)
A idéia de que os estrangeiros tem mais tolerâ...
A idéia de que os estrangeiros tem mais tolerância para adoção do que os brasileiros é falsa, tanto que existem mais pessoas cadastradas para adoção do que crianças para serem adotadas. A realidade nua e crua, é outra. Na verdade, a incompetência do Judiciário e de seus técnicos, principalmente no estado de São Paulo, é que criam embaraços desnecessários a adoção tornando os abrigos em um deposito de meninos e meninas. A burocracia é tanta que até mesmo um mero pedido de cadastro para ingresso na fila de adoção chega a amargar anos. A forma com que são conduzidos os cadastros e a espera em fila, a falta de clareza e de inclusão dos pretendentes a adoção com as crianças a serem adotadas, contribuem incisivamente para que elas permaneçam nos abrigos provisorios eternamente. Há crianças brancas que amargam eternamente no abrigo a espera de adoção, não por que lhe faltam pretendentes, mas porque a burocracia do Judiciário assim o deseja. O cadastro não tem significado de escolha do tipo de criança que o individuo quer adotar, mas sim o contato. Pois, mesmo um branco de olhos azuis pode não satisfazer os pretendentes, de maneira que o contato pode também fazer com que se adote um negro ou vice e versa. O que mais desconhece o drama da criança abandonada é aquele de deveria estar protegendo-o, o Judiciário. Não precisa fazer campanha, é so desburocratizar e buscar atender ao bem estar das crianças.

A seção de comentários deste texto foi encerrada em 23/03/2007.