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18 junho 2006

Refúgio ou extradição

Brasil decide dia 30 se dá refúgio a guerrilheiro colombiano

Por Ronaldo Herdy

O Comitê Nacional para Refugiados vai analisar no dia 30 de junho o processo no qual o guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, padre Medina, pede refúgio político no Brasil. A data foi marcada depois que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, mandou oficiar Ministério da Justiça e o Conare pedindo urgência na tomada da decisão.

O STF depende da manifestação administrativa para decidir sobre o pedido de extradição feito pelo governo colombiano. Segundo o artigo 34 da Lei 9.474/97, “a solicitação de refúgio suspenderá, até decisão definitiva, qualquer processo de extradição pendente, em fase administrativa ou judicial, baseado nos fatos que fundamentaram a concessão do refúgio”.

Medina está detido no Presídio da Papuda desde setembro de 2005. O caso é polêmico, pois o colombiano tem influentes amigos no Brasil. Assim que foi preso, deputados e senadores, entre outros políticos, foram visitá-lo na prisão ou fizeram gestões a seu favor junto ao governo Lula. Além disso, sites na internet defendem até hoje sua libertação.

Não há uma orientação oficial para tratamento do caso. A decisão será tomada na sessão do Conare com base em relatórios técnicos já concluídos. Cada pessoa votará de acordo com sua avaliação.

O órgão interministerial, criado pela Lei 9.474/97, reúne segmentos representativos da área governamental (ministérios da Justiça, Educação, Saúde, Trabalho e da Polícia Federal), da sociedade civil (Caritas do Rio de Janeiro e de São Paulo, por exemplo) e das Nações Unidas (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados Políticos).

Representantes do governo acham estranho que o governo colombiano tenha demorado tanto a pedir a extradição de Medina, já que o ataque que ele teria comandado a uma unidade do Exército ocorreu em 1991. Medina vive no Brasil desde 1997. Mas as autoridades reconhecem que as Farc lutam com armas contra um governo eleito nas urnas e que há notícias sobre o envolvimento do grupo com o narcotráfico.

Prisão especial

A prisão de Medina ocorreu com o pedido de extradição formulado pelo governo do presidente Álvaro Uribe, que o acusa de praticar em território colombiano atos de terrorismo e homicídio com fins políticos. Ao ser detido na Rodoviária do Tietê, em São Paulo, pela Polícia Federal (representando a Interpol), quando tentava embarcar para Brasília, Medina, 59 anos, carregava um laptop, disquetes, agenda e US$ 3 mil.

Assim que foi detido e recolhido à carceragem da Polícia Federal em Brasília, Medina entrou com pedido de prisão domiciliar. Ao mesmo tempo e coincidentemente, a Polícia Federal informou ao Supremo que não tinha condições para alojar o padre em seu xadrez. Diante da situação, o STF solicitou que o padre fosse alojado no Centro de Internamento e Reeducação do Distrito Federal.

As coisas estavam assim arranjadas, quando o procurador Luiz Francisco de Souza, que nada tinha a ver com o caso, entrou em ação e pediu à Justiça do Distrito Federal que o colombiano fosse devolvido à Polícia Federal. Sem dar ciência ao Supremo, o pedido foi encampado pelas autoridades interessadas do Distrito Federal — Ministério Público, Polícia Civil e pelo juiz da Vara de Execuções Criminais, Nelson Ferreira Junior.

No dia 5 de maio, o ministro Gilmar Mendes determinou que o colombiano fosse retirado da carceragem da PF em Brasília e reconduzido ao Presídio da Papuda, no Distrito Federal.

Campanha eleitoral

Seis meses antes da prisão, o padre provocou uma crise política no Brasil por causa de uma reportagem publicada pela revista Veja. O texto mencionava uma suspeita não comprovada de doação de US$ 5 milhões das Farc para a campanha do PT em 2002.

A semanal alegou à época que se baseou em relatos e documentos da Agência Brasileira de Inteligência. Os dirigentes do órgão negaram o fato. O PT nega que tenha recebido qualquer quantia das Farc e repudiou a reportagem de Veja na ocasião.

Ronaldo Herdy é jornalista.

Revista Consultor Jurídico, 18 de junho de 2006

Comentários

Comentários de leitores: 7 comentários

22/06/2006 22:10 Xaxau (Jornalista)
Estimados Cidadãos! Padre é apenas pseudônimo d...
Estimados Cidadãos! Padre é apenas pseudônimo dele. Na verdade foi assim que ele conseguiu passar a fronteira e se refugiar no Brasil. Gostaria de ter uma grande espaço aqui, mas assim sendo, digo a todos o seguinte: Ele não é "terrorista". Ele apenas cometeu o "erro" de defender seu povo. Como membro do Fórum Permanente de Luta do Paraná, fui um dos, dentre muitos, que lutaram para soltá-lo da 1º prisão em Foz do Iguaçu. Para se ter uma idéia como existe muita mentira em torno dele, quanto a ter repassado dinheiro a um Partido Brasileiro, Muitos fizeram parte de uma "vaquinha" para pagar o Advogado para soltá-lo dentro da Lei. Antes de se concluir apressadamente sobre a vida de uma pessoa, peço a todos que busquem conhecer um pouco da luta do povo colombiano. Lá, quem não entra para o Exército, ou entra para grupos para-militares a serviço dos yankes, cujo objetivo e matar pessoas em favor do imperialismo ou se obriga a fugir para o campo e no campo quem manda é a FARC. NMa verdade, eles estão num "mato sem cachorro". Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. No entanto o que ele realmente faz, são palestras explicando um pouco mais a fundo o que acima relatei. Agora, não se enganem se num futuro próximo, não iremos sofrer do mesmo mal. Muitos Países estão de olho nas nossas riquezas naturais. Já estamos cercados de Bases Americanas. Porquê será? Temos que agradecer a nossa Justiça que sempre está alerta para evitar coisas, como a Base de Alcântara por exemplo. Se não fossem o Patriotismo dos nossos Ministros da Justiça, hoje já teríamos perdido a Soberania daquele território.
21/06/2006 11:14 gleice (Estudante de Direito)
A influência no BRASIL é uma pouca vergonha...
A influência no BRASIL é uma pouca vergonha...
20/06/2006 09:18 Neto (Engenheiro)
Com certeza o gerverno dará o asilo a esse terr...
Com certeza o gerverno dará o asilo a esse terrorista, pois a organização que ele participa detém um largo relacionamento fraterno com o atual governo e seu partido, pois um terrorista que invade o congresso nacional e quase assassina um dos seguranças sentava-se a mesma mesa do presidente da república e compartilhava das benesses do poder junto dele. E aos outros comentaristas que defendem esse terrorista disfarçado de padre, dêem sua mulher ou seu filho para ser homem bomba da FARC já que eles são na verdade revolucionários, e lembrem-se da máxima "tudo pela causa".

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