Notícias
8 agosto 2006
Santo de Casa
MP investiga envolvimento de agentes penitenciários com o PCC
O Ministério Público de São Paulo, por meio de seu grupo de elite, o Gaeco, toca em sigilo uma mega-operação contra funcionários públicos que estariam ligados à organização criminosa do Primeiro Comando da Capital, o PCC. A operação segue os moldes daquela que levou à cadeia advogados acusados de facilitarem a logística do comando criminoso.
A operação, cujos resultados serão divulgados em 15 dias, é concentrada exclusivamente na região oeste do estado de São Paulo, como nos presídios de Itapira, Getulina e Araraquara.
O foco da operação são funcionários do próprio estado. O MP dispõe de dados de contas bancárias com movimentações vultosas para quem ganha pouco como funcionário público estadual. Segundo as investigações, agentes penitenciários venderiam celulares para integrantes da facção criminosa por até R$ 20 mil.
O número de investigados chegou a bater a casa de cem pessoas, mas, inadvertidamente, dados referentes a tais investigados acabaram vazando quando do depoimento das advogadas ligadas ao PCC junto à CPI do Tráfico de Armas. A partir desse vazamento, o Ministério Público Estadual restringiu a lista de investigados.
Desta vez, o MP descartou os serviços de inteligência do Serviço Reservado da PM e do próprio Departamento de Investigações Criminais, o Deic. Quem fornece dados é o serviço de inteligência da Secretaria de Assuntos Penitenciários.
O Ministério Público trabalha com transferências monstruosas de somas, via bancária, e com interceptação legal de conversas: é desse cruzamento que surge a nova operação. Procurado pela reportagem da revista Consultor Jurídico, o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Gaeco, disse que não comenta investigações. Mas declarou que “o MP tem certeza de que o crime organizado corrompeu esferas da sociedade que jamais imaginávamos que pudessem ser corrompidas”.
Claudio Julio Tognolli é repórter especial da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 8 de agosto de 2006
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 07/08/2006 MP não se intimidará com ataques do PCC, diz Conamp
- 07/08/2006 Criminosos atacam MP de SP em nova onda de violência
- 03/08/2006 Juiz determina seqüestro de dinheiro do PCC
- 02/08/2006 Justiça nega liberdade para advogada de Marcola
- 27/07/2006 OAB anuncia faxina contra advogados envolvidos no crime
- 26/07/2006 Promotora acredita que PCC mandou matar advogado
- 25/07/2006 TJ paulista mantém regime diferenciado a líder do PCC
- 21/07/2006 Advogados do PCC continuam proibidos de advogar
- 19/07/2006 Busato defende punição severa a advogado criminoso
- 17/07/2006 Promotores avaliam risco de mandar jovens para a cadeia
- 07/07/2006 MP de SP detalha como agiam advogados acusados
Comentários
Comentários de leitores: 7 comentários
Não é de se ficar espantado com essa investigaç...
O acompnahmento da eviolução patrimonial é uma ...
Dijalma Não apoiar o Ministério Público ne...
Ver todos comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 16/08/2006.