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Tiros na rua

José Maria de Mello Porto, juiz do TRT do Rio, é assassinado

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O juiz José Maria de Mello Porto, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro), foi assassinado com sete tiros, dentro de um automóvel Audi A3 cinza, na Avenida Brasil, uma das mais movimetadas do Rio. O crime ocorreu na altura da favela Parque Alegria, em direção a Linha Amarela, na noite desta quinta-feira (3/8).

Mello Porto seguia para casa em companhia de um procurador aposentado que dirigia o carro. O Audi foi fechado por dois veículos. Oito bandidos teriam participado da ação. O procurador contou que três deles desceram e anunciaram o assalto. Armados com pistolas, fuzis e revólveres, ordenaram que as vítimas saíssem do Audi. Ao receber ordem para deixar o carro, o juiz correu pela calçada e o procurador pelo meio da pista. Os assaltantes então dispararam na direção de Mello Porto e fugiram nos carros em que estavam.

O juiz Mello Porto era uma figura polêmica do judiciário fluminense. Chegou a ensaiar sua candidatura ao governo do estado do Rio ao tempo em que era presidente do TRT e estabeleceu uma longa história de disputas judiciais com jornalistas. Moveu ações contra a colunista Danuza Leão e o jornalista Orlando Carneiro, ambos então no Jornal do Brasil, e contra Marcelo Auler, à época em O Dia.

Processou também os procuradores da República que investigaram sua gestão à frente do TRT-RJ e chegou a prestar depoimento na CPI do Judiciário sobre supostas irregularidades na construção de prédios da Justiça do Trabalho no Rio.

Presidente do TRT entre 1992 e 1994, Mello Porto era primo do ex-presidente Fernando Collor e do ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior eleitoral Marco Aurélio. Ontem, participou de reunião da Sessão Especializada do tribunal, entre 13h e 16h45, durante a qual foram julgados 63 processos em dissídios individuais.

Ao final, quando deixava a sala, sua toga esbarrou num copo de água, que apesar de ter caído num grosso carpete e a menos de 60cm do chão, espatifou-se por completo. Ele virou-se e saiu sem fazer comentários, indo para sua sala.

O procurador que o acompanhava, dono do veículo, não atuava no TRT. Ambos costumavam voltar para casa sempre juntos. Bastante assustado e sem querer se identificar para os jornalistas que chegavam ao local, o procurador disse não acreditar em execução. Mas a opinião não é unânime, inclusive entre desembargadores do órgão.

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ronaldo Lopes Leal, divulgou nota lamentando a morte do juiz. “Deploramos o assassinato de um juiz do Trabalho, fuzilado numa região perigosa do Rio de Janeiro. Essa situação não pode continuar. Como presidente do Tribunal Superior do Trabalho, peço às autoridades estaduais o máximo de rigor nas investigações de um crime que choca não só a magistratura trabalhista brasileira, bem como toda a sociedade”, afirmou.

 é jornalista.

Revista Consultor Jurídico, 3 de agosto de 2006, 20h17

Comentários de leitores

2 comentários

Curiosamente meu comentario anterio...

hammer eduardo (Consultor)

Curiosamente meu comentario anterior "tomou Doril e sumiu" apesar de ter ficado por mais de 24 horas no ar. Continuo considerando simplesmente fantastica a capacidade da policia carioca em apresentar um "suspeito" num periodo de tempo tão curto. Nos jornais de final de semana tomei conhecimento de que o indice medio de homicidios não esclarecidos no Rio de Janeiro chega a impressionantes 95% o que nos garante um lugar de destaque me qualquer Guiness Book da incompetencia publica. O assassinato do Juiz ( dando os devidos descontos à sua polemica figura) ficou inicialmente rotulado com "tentativa de roubo" do Audi do Magistrado. A reação do Juiz ocasionou o tiroteio subsequente em que marginais com "fantastica pontaria" acertaram varios disparos na cabeça e sem atirar no tal acompanhante. Lembremos que o local do crime e frequentado por milhares de pessoas diariamente por se tratar de um importante ponto de onibus na Av.Brasil quase em frente ao Instituto Osvaldo Cruz, incrivel que ninguem tenha sido atingido por uma das famosas "balas perdidas". Antes de bater palmas para tanta eficiencia momentanea da Policia, prefiro aguardar levando-se em conta ocorrencias parecidas no passado. Por um momento lembrei de uma passagem do famoso filme Casablanca em que apos um crime na corrupta metropole no tempo da guerra, o comandante frances da policia local ordena que seus comandados prendam os "suspeitos de sempre" numa obvia tentativa de mostrar serviço. Para o carioca medio, sofrido ,assustado e acuado em suas casa , cada vez com mais medo de sair às ruas, fica a constatação de que a investigação rapida via de regra ocorre apenas quando a vitima tem algum grau de "notoriedade publica" , lembremos a pouquissimos meses a morte brutal do musico do conjunto Detonautas na Av.Marechal Rondon , conhecido campo de "safari" para quadrilhas variadas que ali atuam. Vamos esperar para ver o que ocorrerá daqui para a frente, o passado recomenda.

Meu pai vivia dizendo: "a quem a violência deve...

Richard Smith (Consultor)

Meu pai vivia dizendo: "a quem a violência deverá atingir para que finalmente sejam tomadas as medidas necessárias?". Faço minhas as suas palavras. AONDE ESTÃO OS HOMENS DE BEM DESTE PAÍS?!

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