Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Dia de julgamento

Rapaz que matou avó a facadas vai a Júri nesta quinta

O 1º Tribunal do Júri de São Paulo inicia nesta quinta-feira (27/4) o julgamento de Gustavo de Macedo Pereira Napolitano, acusado de matar em 2002 a avó e a empregada depois de cheirar cocaína. Os crimes aconteceram no Planalto Paulista, bairro de classe média alta, na Zona Sul da capital paulista. Napolitano responde por duplo homicídio triplamente qualificado (motivação fútil, meio cruel e emprego de recursos que impossibilitaram a defesa das vítimas).

A avó do acusado, Vera Kuhn de Macedo Pereira, de 73 anos, foi morta com 53 facadas, enquanto a empregada Cleide Ferreira da Silva, de 20 anos, levou 12 facadas. As duas foram assassinadas entre a madrugada e a manhã do dia 24 de novembro de 2002.

O crime aconteceu três semanas depois que a estudante Suzane von Richthofen foi presa por tramar o assassinato dos pais, sob a justificativa de que eles se opunham ao seu namoro.

A principal tese da defesa será a de que o acusado seria inimputável em razão de sua incapacidade de entender o caráter delituoso do fato. Os advogados vão se basear num laudo incidente de insanidade.

Fornecedor condenado

No ano passado, por sete votos a zero, o 1º Tribunal do Júri de São Paulo condenou Adriano Campelo da Silva, acusado de vender cocaína ao estudante Gustavo de Macedo Pereira Napolitano. O juiz Marcelo Matias Pereira, que presidiu o julgamento, fixou a pena em 3 anos de reclusão em regime fechado, por tratar-se de crime hediondo.

A dosagem da pena desagradou a Promotoria de Justiça, que recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça. O Ministério Público reclama o aumento da pena para o mínimo de 8 e o máximo de 10 anos de reclusão.

A tese do MP é a de que a aplicação da pena deve seguir os pressupostos estabelecidos na lei, principalmente no que diz respeito às circunstâncias e conseqüências do crime. Para o MP, o crime de tráfico de entorpecente, cometido por Adriano, não pode ser analisado isoladamente, pois a venda da droga teve como conseqüência a morte violenta de duas pessoas.

Adriano foi pronunciado para ir a Júri popular em sentença proferida pelo juiz Adalberto Anderson Filho. Na época, o magistrado determinou que o acusado, preso há 90 dias, aguardasse o julgamento em liberdade.

Na mesma decisão, o juiz manteve a prisão de Napolitano que estava internado na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, argumentando que, em liberdade, o estudante interromperia o tratamento médico para livrar-se do vício.

O Crime

Entre a madrugada e a manhã do dia 24 de novembro de 2002, o acusado esteve na favela da rua Mauro, no Jabaquara, para trocar objetos e carros por papelotes de cocaína. Ele adquiriu, no total, cerca de 60 papelotes. O veículo trocado pela droga era um Gol, que foi localizado dias depois em Diadema.

Depois, Napolitano esteve na favela para trocar um Vectra, mas o traficante não teria concordado. Segundo o delegado seccional Olavo Reino Francisco, o consumo exagerado de cocaína teria motivado o traficante a não concordar com a nova troca.

Segundo a Polícia Civil, o acusado assassinou a avó com facadas na garganta e no peito, por volta da 1h30. Há suspeitas de que, antes, ela tenha surpreendido o neto consumindo cocaína. Vera foi esfaqueada na cama. A Polícia acredita que ela estivesse dormindo quando foi atacada. Uma espada com marcas de sangue foi encontrada ao lado da cama, mas a Polícia afirma que apenas a faca foi usada no crime. Vera se locomovia com ajuda de cadeira de rodas.

A empregada foi esfaqueada por volta das 7h, quando chegava ao trabalho. Ela foi morta na cozinha e teve o corpo arrastado até um banheiro da casa. Por volta das 10h, o rapaz falou por telefone com a mãe, que havia dormido fora. Não contou, no entanto, sobre o crime. Os corpos foram encontrados por ela quando retornou para casa.

Ao ser detido, Napolitano tentou despistar a polícia. Disse que traficantes haviam cometido o crime por vingança. Não havia sinais de arrombamento na casa e o cachorro da família estava preso.

Revista Consultor Jurídico, 26 de abril de 2006, 18h27

Comentários de leitores

1 comentário

Dijalma Lacerda. Gente, sei lá, sou um jovem...

Dijalma Lacerda (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Dijalma Lacerda. Gente, sei lá, sou um jovem de 58 anos, nascido portanto após a bomba, e por mais modernismos que vi, e com alguns deles até convivi, no meu tempo de moço, em que aliás a mocidade era ávida por tudo o que era novo, não havia esse constância de acontecimentos horríveis como os que estão ocorrendo agora, pelo menos não tantos em tão pouco tempo. Será "sinal dos tempos"? Ora, não me lembro de sequer ter ouvido falar, naqueles tempos, de filho ou filha ter matado pai, ou mãe, ou pai e mãe conjuntamente. Não me lembro de alguém que tenha matado avô ou avó. Até mesmo o fraticídio era raro. O que será que havia?! Havia uma coisa que hoje é rara: RESPEITO . Quando meu pai (ou minha mãe que até hoje é viva, graças a Deus) simplesmente nos olhava, nós já sabíamos o que era para ser feito, ou o que não era para ser feito. Até hoje minha mãe tem um jeito especial de olhar-nos quando quer reprovar algo, e em cem por cento das vezes ela está certa. Ai, de qualquer um de nós, se alguém fosse em casa apresentar uma reclamação . Ai, igualmente, se a professora nos desse uns tabefes: apanhávamos em casa novamente. Hoje, coitada da professora que elevar o tom de voz com aluno. Nós colhíamos as melhores flores dos jardins para levar para as nossas professoras - estudei em colégio estadual, no Sud Mennucci em Porto Ferreira - e quando elas passavam por nós, na rua ou em qualquer lugar, nós nos levantávamos em sinal de respeito e as saudávamos com um sonoro bom dia, boa tarde, ou boa noite ! Quando ía chegando a noite e ainda nos encontrávamos na rua, qualquer amigo de nossos pais que por ali passassem, nos MANDAVAM embora para casa. Ai de nós se desobedecêssemos; teríamos de nos haver com nossos pais. Os mais velhos tinham que ser obedecidos. Ainda me pego, graças a Deus, - e isto não é raro - lembrando-me de minhas professoras, inclusive das do grupo escolar. Sei o nome de todas, e lembro-me perfeitamente de seus rostos, hoje passados já cinqüenta anos. Saudosismo? Sei lá ! Num dia desses uma professora de ginásio, de música e canto orfeônico, me telefonou. Quanta felicidade a da professora Rosa de Almeida, depois de tantos anos, e muito mais a minha. Lembro-me dela, e das outras, perfeitamente, e o sentimento que tenho por elas é de profundo RESPEITO. É impossível, - e levarei isto por toda a minha vida, - abdicar desse respeito que sempre tivemos por tudo o que de sagrado nos cercou: nossas professoras, nossos amigos, nossos irmãos, nossos pais, etc. etc. No meu tempo havia uma cadeira chamada Educação Moral e Cívica, onde se aprendia os preceitos básicos de cidadania, os símbolos nacionais, a bandeira, o hino nacional. A diretora de minha escola mandava fazer fila, os pequenos na frente e os grandes atras. Mãos à frente dizia ela, e ali estava Da. Olimpia Teixeira olhando nossas unhas, atrás de nossas orelhas, etc. etc.. Ela já vinha com uma tesourinha, e quem estivesse com as unhas grandes voltava para casa com elas aparadas. Enfim, minha gente, será que é a juventude que tem culpa pelos acontecimentos, ou será que o Estado está falhando em alguma coisa? Seria tão difícil assim resgatar aqueles princípios básicos? Acreditemos que não. Com a palavra, os nossos governantes. Dijalma Lacerda.

Comentários encerrados em 04/05/2006.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.