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Encontro marcado

Palocci depõe sobre propina em Ribeirão Preto na quinta

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O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci vai depor na próxima quinta-feira (27/4) em Brasília, em investigação sobre o suposto recebimento de propina de R$ 50 mil mensais da empresa Leão Leão, de Ribeirão Preto.

“Não divulgaremos o lugar, mas o ministro mora ainda em Brasília e a Polícia vai até ele”, explica o advogado de Palocci, José Roberto Batochio. “Acertamos para quinta-feira, dia 28 de abril, mas não divulgaremos horário, nem lugar.”

Quem tomará o depoimento de Palocci será o delegado de Polícia Civil Benedito Antonio Valencise. Há 15 dias, o delegado Valencise quis liquidar duas faturas ao mesmo tempo e ouvir Palocci enquanto ele falava à PF. Mas Palocci antecipou seu depoimento aos federais por um dia, frustrando a iniciativa de Benedito Valencise.

O delegado Valencise pretende indiciar Palocci, em sua casa, sob acusação de formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica e corrupção passiva.

A acusação de que Palocci recebia propina partiu do ex-assessor do petista na prefeitura de Ribeirão Preto, o advogado Rogério Buratti. Em depoimentos, Buratti afirmou que o ex-secretário de Fazenda de Palocci em Ribeirão Preto, Ralf Barquete, morto em 2004, entregava mensalmente ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, R$ 50 mil durante. As entregas, segundo Buratti, foram feitas durante o ano de 2001 e 2002.

A aproximação entre Buratti e Palocci começou em 1992, quando Buratti captou recursos para a campanha à prefeitura da cidade do interior paulista. Com a vitória de Palocci, Buratti se tornou seu homem-forte. Passados dois anos, deixou o cargo com o vazamento de gravação em que negociava a distribuição fraudulenta de obras com empreiteira.

Anos depois, Buratti assumiu um cargo administrativo na maior empreiteira da região de Ribeirão, a Leão Leão. Chegou a vice-presidente do grupo, onde ficou até 2004.

Polícia Federal

Será o segundo depoimento de Palocci a autoridades policiais este ano. No dia 5 passado, falando à PF, o ex-ministro sustentou sua versão sobre a violação de segredo bancário: a conversa de um jardineiro com um caseiro foi o canal através do teria tomado conhecimento de que Francenildo Santos Costa tinha uma movimentação atípica em sua conta bancária.

Foi isso que o ex-ministro contou em seu depoimento à Polícia Federal há 15 dias. Disse que a jornalista Helena Chagas, colunista do jornal O Globo, contou-lhe que seu jardineiro conhecia o caseiro e sabia que ele tinha recebido um bom dinheiro. Outra boa notícia que a jornalista teria dado ao ministro era que o jardineiro nunca vira Palocci na casa em que Francenildo trabalhava como caseiro.

No depoimento, Palocci contou também como recebeu o extrato de Francenildo das mãos do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, na noite do dia 16 de março, mesmo dia em que o sigilo bancário de Francenildo deixou de ser um segredo. Segundo Palocci, Mattoso foi à sua casa, entregou-lhe o envelope com os extratos de Francenildo e conversaram sobre assuntos de trabalho.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 20 de abril de 2006, 14h58

Comentários de leitores

1 comentário

Em matéria de escândalos, ainda somos um país d...

Embira (Advogado Autônomo - Civil)

Em matéria de escândalos, ainda somos um país de terceiro mundo. Não conseguimos produzir um escândalo com o glamour do caso Profumo, por exemplo. Esse foi um “affair” que envolveu sexo, política, espionagem e resultou na queda do ministro da guerra inglês. Os jornais estampavam a foto de Cristine Keeler, uma prostituta de 19 anos que nos deixava (jovens da mesma idade) boquiabertos. Nossa casa do “lobby”, também chamada de “casa dos prazeres”, não passa de um sobrado burguês onde amigos do interior tomavam água de alambique e levavam acompanhantes de segunda linha. Se houve algum caso de corrupção, também deve ter sido merreca, como as 20 pratas do mensalão recebidas pelo professor Luisinho. Se tivermos de balançar novamente a sapucaia para derrubar mais algum coco, que seja em razão de um escândalo decente.

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