PF prende mafiosos que traficavam mulheres em Natal
O desbaratamento de uma quadrilha formada por seis italianos e oito brasileiros no inicio deste mês, pela Operação Corona, da Polícia Federal no Rio Grande do Norte, impediu que fosse inaugurado um novo tipo de negócio no submundo: a franquia na exploração de casas de prostituição.
A quadrilha, ligada ao grupo mafioso italiano Unitá Corona, especializado no tráfico de pessoas, estabeleceu sua base de atuação na praia de Ponta Negra, em Natal (RN). Lá explorava a boate Ilha da Fantasia, dois bares e uma pousada acoplada à boate. A pousada servia na verdade para hospedar fregueses das prostitutas que eram arregimentadas e exploradas pela quadrilha. Paralelamente, os italianos possuíam a boate Giralda, em Sevilha, na Espanha, destino das prostitutas que eles traficavam.
Tráfico de mulheres
A quadrilha só foi descoberta pela Polícia Federal depois que a prostituta L.B.C. que tinha aceitado ir de Goiânia para Natal de onde deveria viajar para a Espanha, resolveu fugir ao se ver tolhida em sua liberdade. Na capital de Goiás ela e outras oito moças foram arregimentadas por uma dupla de mulheres que funcionam como agenciadoras de prostitutas e são conhecidas como Vânia e Eliane. Foi com as duas que as oito moças viajaram para Natal, com todas as despesas pagas.
Na boate Ilha da Fantasia de Ponta Negra elas foram obrigadas a trabalhar fazendo programas para reembolsar as despesas da viagem. Como forma de atrair as mulheres, conforme informa a procuradora Cibele Fonseca, os italianos mafiosos adiantavam também os R$ 5 mil necessários para operações de implante de silicone nos seios ou mesmo lipoaspiração, feitas em clínicas de Natal.
A Polícia Federal suspeita que a quadrilha foi responsável pela remessa de algumas moças para a Espanha. Uma delas, a goiana M.H., conhecida como Cacau, viajou no dia 19 de janeiro, na companhia de Amirabille, como confirmam a lista de passageiros do vôo e as imagens do circuito de TV do aeroporto internacional Augusto Severo na capital potiguar. Outra mulher de nome Renata, segundo contam mulheres trabalhavam para a quadrilha em Ponta Negra, teria tentado fugir do domínio dos mafiosos na Espanha e nunca mais foi vista.
Máfias cruzadas
Um plano de expansão para outros estados brasileiros estava em andamento. O italiano Giuseppe Ammirabile, vulgo “dom Pino”, “Pepino” ou “Pingüim”, apontado como o chefe da quadrilha, negociava a abertura de boates, também chamadas de Ilha da Fantasia, nas cidades de São Paulo, Recife e Fortaleza. A Polícia Federal já tem em mãos, por exemplo os contratos sociais da boate Ilha de Recife e da Pousada Chantal, que estavam sendo abertas na capital pernambucana, tendo como sócio o antigo dono da boate de Ponta Negra (RN).
Em São Paulo, o interesse do grupo esbarrou no escândalo da máfia do apito. Ammirabile tinha negociado a compra de parte da sociedade em uma boate de prostituição com Ibrahim Luiz Fayad, que passaria a ser sócio do italiano. Ibrahim é irmão de Nagib Fayad, empresário de Campinas preso sob a acusação de envolvimento com a Máfia do Apito. A parte da boate que seria vendida pertencia a Nagib. Sua prisão acabou abortando o negócio.
O chefão italiano contaria com sócios nas filiais da rede de Ilhas da Fantasia. Segundo a procuradora da República Cibele Benevides Guedes da Fonseca, funcionariam como lojas de franquia, inclusive arregimentando meninas e mulheres para se prostituírem tanto em Natal como na boate de Sevilha, na Espanha.
Organização criminosa
Foram denunciados pela Procuradoria da República os italianos Giuseppe Amirabille, Salvatore Borelli, Paolo Quaranta, Vito Francesco Ferrante, Simone De Rossi, Paolo Balzano e os brasileiros Aldenilda Gomes de Araújo, Camila Ramos Martins, Odorico Martins, Cleyson Ramos de Barros, Daniel Amaro Vieira, João Henrique Bezerra Dantas, vulgo “Boca”, Edmilson Umbelino de Souza e Paulo Roberto Correia De Melo, vulgo “Paulinho” ou “Bolinha”.
Os 14 responderão por uma gama de crimes que inclui associação para formar organização criminosa, tráfico internacional e tráfico interno de pessoas, crimes contra o Sistema Financeiro, lavagem de dinheiro e exploração da prostituição. Sobre alguns deles, recai ainda a acusação de falsidade ideológica, conforme consta das 28 folhas de denúncia protocalada na última quarta-feira, na 2ª Vara Federal do Rio Grande do Norte.
Investidores estrangeiros
Os mafiosos estavam no Brasil desde dezembro de 2004. Ammirabile, Borrelli e Quaranta têm extensas fichas policiais tanto na Itália como em outros países já tendo cumprido pena por trafico de drogas, de armas e de pessoas e por contrabando entre outros crimes. Quaranta cumpriu pena por duplo homicídio no Canadá. Ammirabile foi preso, na Itália, por crimes como tráfico de drogas, de armas e de pessoas, lavagem de dinheiro e crimes financeiros.




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Por Marcelo Auler
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