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14 novembro 2005
Isolamento social
Presidente do STJ defende construção de presídios em ilhas
O ministro Edson Vidigal, presidente do Superior Tribunal de Justiça, defendeu, em entrevista ao programa Justiça para todos, da TV Justiça, a criação de presídios a céu aberto, em ilhas oceânicas. “Precisamos pegar algumas ilhas oceânicas e fazer presídios a céu aberto com oficinas, escolas, uma cidade que será habitada por sentenciados, que estarão apartados da sociedade para um processo, uma experiência de ressocialização. Essa gente vai respirar ar puro, em vez de ficar trancafiada como sardinhas enlatadas”, afirmou.
Para Vidigal, a medida seria boa até mesmo para o turismo: “Vamos até estimular o turismo, porque podemos fazer hotéis de trânsito para as famílias visitarem os seus parentes e, se quiserem, poderão até morar lá também”.
O ministro defende que a idéia pode parecer antipática, mas não é absurda. Segundo ele, a Austrália é um dos maiores países do mundo e começou como uma grande penitenciária da Inglaterra. No Brasil, Vidigal afirma que “a ilha de Trindade poderá ser amanhã um grande estado do Brasil. Podemos utilizar outras ilhas também que, inclusive, estão em mãos de particulares”.
Leia a entrevista
Justiça para todos — Ministro, o senhor tem algumas idéias polêmicas, como a criação de presídios em ilhas oceânicas. Seria uma saída?
Vidigal — A sociedade brasileira vive acuada com a questão da segurança, as pessoas fazem mais discursos do que agem. O Brasil não tem, hoje, penitenciária federal. Será inaugurada uma em Campo Grande. O secretário de Política Penitenciária do Ministério da Justiça disse-me que o presídio do Paraná, o primeiro que fizeram, custa em média R$ 30 mil por preso. Isso é loucura! Prende-se o camarada e ele custa R$ 30 mil para o contribuinte? São experiências fracassadas. Precisamos pegar algumas ilhas oceânicas e ali fazer presídios a céu aberto com oficinas, escolas, uma cidade que será habitada por sentenciados, que estarão apartados da sociedade para um processo, uma experiência de ressocialização. Essa gente vai respirar ar puro em vez de ficar trancafiada como sardinhas enlatadas. Vamos até estimular o turismo, porque podemos fazer hotéis de trânsito para as famílias visitarem os seus parentes e, se quiserem, poderão até morar lá também. Vamos estimular experiências de artesanato, de carpintaria, de sapataria. Enfim, colocar os presos em um ofício, em uma profissão ou em uma escola.
Justiça para todos — Alguns acham a idéia antipática.
Vidigal — Precisamos acabar com a questão de o homem público jogar para a arquibancada. Ora, apenas porque a idéia é antipática não a colocarei em discussão? Essa é uma idéia que a turma dos direitos humanos pula lá fora e não quer saber. Mas a Austrália, por exemplo, é um dos maiores países do mundo e começou como uma grande penitenciária da Inglaterra. A ilha de Trindade poderá ser amanhã um grande estado do Brasil. Podemos utilizar outras ilhas também que, inclusive, estão em mãos de particulares.
Justiça para todos — Outra proposta polêmica é quanto à criação de varas agrárias federais. A justiça estadual acha que isso vai acabar tirando a competência dela.
Vidigal — A questão das varas agrárias foi-me sugerida, no começo da minha administração, pelo presidente Lula, que me pediu para providenciar isso. Eu disse: "Ótimo! O senhor sanciona mais uma lei de novas varas e vamos fazer agir." Criamos um grupo de trabalho com a participação mista de senadores, deputados, pessoas do Executivo e houve uma grande discussão sobre o tema. Enfrentei polêmica com a AMB – Associação dos Magistrados do Brasil. Moral da história: o Conselho aprovou e o Ministério da Justiça pediu o projeto que, até hoje, não foi para a Presidência da República. Senti a vontade do presidente da República em apertar o botão, mas a luz, infelizmente, não acendeu. A idéia morreu no Ministério da Justiça, certamente acionado pelo Ministério da Fazenda. Então, existe uma guerrinha no Brasil, quer dizer, o Governo trabalha sem muito entrosamento. Na administração do STJ, estamos dando exemplo de como administrar a coisa pública pensando no hoje e no amanhã.
Justiça para todos — Agilidade e transparência foram as metas estabelecidas quando assumiu a Presidência do STJ, em abril do ano passado. O senhor ampliou o horário de atendimento do Tribunal, que hoje funciona o dia inteiro, criou a Ouvidoria e está conseguindo acabar com o acúmulo de processos no STJ. Acredita que conseguiu cumprir, pelo menos, grande parte delas?
Vidigal — Estou satisfeito porque acertei na escolha da equipe, e o resultado é uma equipe entrosada. O trabalho em conjunto rende muito mais quando vem com uma carga de idealismo, de patriotismo, de compromisso, de sentimento e de responsabilidade. Esse é o segredo do sucesso que estamos colhendo. Para se ter noção, um recurso especial no STJ demorava, em média, dois anos e meio a três ou até a quatro anos. Hoje, a média é de 120 - 150 dias para o trâmite. Ainda é muito, mas, quando conseguirmos a informatização completa do processo judicial, a partir do escritório do advogado até a decisão do trânsito em julgado publicada no Diário da Justiça on-line, teremos uma justiça com a resposta rápida.
Revista Consultor Jurídico, 14 de novembro de 2005
Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
bis
Com a maior das vênias. Isso já vinha sendo te...
Apenas um detalhe; Se a aproximação com a famíl...
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