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Carta aberta

Kajuru reafirma acusações contra Jaime Câmara Júnior

O Ibope foi contratado para fazer quatro pesquisas. Estranhamente, apenas uma foi realizada, e a 80 dias das eleições. E o que aconteceu? O resultado desta primeira pesquisa trazia Iris com 20% de vantagem e, por conseqüência, assim permanecendo, seria eleito com folga no primeiro turno. Este resultado massacrante ficou sendo anunciado publicamente na TV Anhanguera e no jornal O Popular durante esses 80 dias, isto é, até sete dias antes da eleição. Como se fosse uma pesquisa atualizada.

A minha ex-Rádio K desvendou tudo. Nossa denúncia foi mostrada cinco dias antes das eleições. Marconi Perillo, então candidato - que sofreria derrota humilhante naquela pesquisa mentirosa - e hoje governador, chegou a fazer um agradecimento emocionado. Em entrevista à Rádio K, reconheceu a coragem de nossa emissora em desafiar, denunciar e desvendar toda a farsa.

"Kajuru, parabéns a você, a toda sua equipe, pela cobertura e pelo trabalho jornalístico exemplar. Corretíssimo. Você está dando uma lição de independência e a sua rádio está, sem dúvida, contribuindo para a democracia em Goiás. Vocês fizeram um trabalho sério, você chegou a ponto de colocar sua rádio em jogo para que a verdade prevalecesse. Você deu uma grande contribuição à democracia em Goiás. Você teve um gesto de civismo, ao colocar em jogo seu patrimônio, para que a verdade prevalecesse em Goiás. Você ajudou muito a democracia em Goiás, com a sua rádio e a pesquisa." (Marconi Perillo em 6/10/1998, às 19h35)

Entenderam tudo? Nem o dono do Ibope, Sr. Carlos Augusto Montenegro, entendeu tal manobra, nem os motivos. Vamos então relembrar as palavras do presidente do Ibope, transmitida em rede nacional, logo após as eleições de 1998, pela TV Cultura, no programa Roda Viva, em novembro:

Intervenção do jornalista e âncora Paulo Markun:

"Montenegro, por que em Goiás, na semana das eleições, o Ibope apontava a vitória tranqüila já no primeiro turno de Iris Resende, com diferença de 20% sobre o principal adversário, Marconi Perillo? No dia 4, para a surpresa de todos, Marconi sagrou-se vencedor e por muito pouco quase se elege no primeiro turno. Como o Sr. explica isso? O povo goiano é contraditório, vota exatamente ao contrário do que declara para o Ibope, ou é o Ibope que cometeu um erro de proporções assombrosas? A pergunta é de nosso telespectador Antônio Carlos Coelho, de Goiânia".

"O povo goiano vota muito bem, como na minha opinião vota todo o povo brasileiro... entendeu?", respondeu Montenegro.

Na seqüência, observação do jornalista José Roberto de Toledo, [então] da Folha de S.Paulo:

"Sr. Montenegro, só se colocando no lugar do eleitor de Goiás e Mato Grosso do Sul, que ficou com resultado defasado e quando chegou na hora da apuração teve uma surpresa..."

Montenegro: "Eu acho que o eleitor tem todo o direito de reclamar, se eu não me engano, com a TV Centro América do Mato Grosso e com a TV Anhanguera de Goiânia ou de Goiás. Tem todo o direito de chegar e mandar uma carta para a televisão e falar... Olha, foi horrível, o papel de vocês. Eu como eleitor daqui gostaria de acompanhar isso até o final, e, fiquei muito triste, muito chateado de vocês não terem contratado o Ibope até o final... Então, eu acho que o eleitor de Goiânia tem todo o direito. Agora, fazer pesquisa de graça, eu não faço".

Pergunto: qual a diferença entre Carlos Augusto Montenegro e Jorge Kajuru? O primeiro é dono do Instituto Ibope e seus clientes são emissoras e políticos. Daí, ele preferiu adjetivar como "papel horrível" o que fez a Tv Anhanguera. O segundo, eu, sou jornalista e naturalmente usei outros adjetivos para comentar sobre o "papel horrível".

Enfim, esta é a empresa de comunicação que sonha me colocar na cadeia, talvez consiga prender o meu corpo. As minhas opiniões e idéias continuarão livres e soltas.

Provas existentes

Tenho em meu poder cópia do contrato da compra do Campeonato Goiano de 2001 pela TV Anhanguera e, também, da negociação do Campeonato Catarinense. Possuo ainda a fita de vídeo com as declarações de Carlos Augusto Montenegro na íntegra e gravação em áudio das declarações de Marconi Perillo. Tudo à disposição de quem possa interessar.

Aproveito para reafirmar que meu advogado titular em Goiás sempre foi e será o respeitado e honrado Neiron Cruvinel. Infelizmente, por causa de seu estado de saúde nos últimos tempos e de uma cirurgia grave a que se submeteu, outro advogado, de seu escritório, ainda jovem e inexperiente (conforme sua própria confissão) não soube me defender. Nem quero chamá-lo de incompetente ou de outro adjetivo, como agora muitos amigos goianos vêm fazendo. Prefiro deixar o julgamento final para a OAB.

Agradeço desde já à revista Caros Amigos e ao programa de televisão Observatório da Imprensa, comandado por Alberto Dines, nossa referência maior no jornalismo brasileiro. Motivo: apenas estes dois espaços me foram oferecidos, para que eu possa exercer com liberdade e tempo os meus direitos de defesa, e sem me preocupar em perder o prazo.

Revista Consultor Jurídico, 11 de maio de 2005, 20h27

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