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Carta aberta

Kajuru reafirma acusações contra Jaime Câmara Júnior

O jornalista Jorge Kajuru divulgou carta pública em que reafirma as acusações de favorecimento às Organizações Jaime Câmara pelo governo do estado de Goiás. Por causa das acusações, Kajuru foi condenado a 18 meses de detenção por crime de difamação. A Jaime Câmara é a filiada da Rede Globo em Goiânia.

Kajuru foi condenado pelo juiz Alvarino Egídio da Silva Primo, da 12ª Vara Criminal de Goiânia, em junho de 2003. Após ter sido negado seguimento ao recurso especial, os defensores de Kajuru perderam prazo para interpor recurso de agravo.

Em março deste ano, o desembargador Jamil Pereira de Macedo, presidente do Tribunal de Justiça de Goiás, confirmou a condenação, acatando pedido do advogado da Organização Jaime Câmara, Alex Neder, para a execução da pena, que deveria ser cumprida em regime aberto, na Casa do Albergado, em Goiânia. Na data em que deveria se apresentar para iniciar o cumprimento da pena, seus advogados conseguiram um prazo de 30 dias para tentar transferir a execução da pena para São Paulo, onde atualmente Kajuru vive e trabalha.

Leia a íntegra da carta

Prove publicamente e negue que não é verdade:

1. Que, em 2000, a Televisão Anhanguera comprou os direitos de transmissão exclusiva do campeonato goiano, para iniciar as transmissões em 2001, nas seguintes condições: por 5 anos de contrato exclusivo, a emissora da Globo pagou 800 mil reais (160 mil reais por ano) tendo a exclusividade de tudo: som e imagem para TV aberta, fechada, placas de publicidade e quaisquer outras imagens, incluindo até a publicidade nas camisas de todos os clubes. Repito: por 5 anos, a exclusividade global custou 800 mil reais. Foi o menor contrato de todo o futebol brasileiro naquele ano de 2000. Ainda lembro que a exclusividade não era só estadual. Também em nível nacional, a Rede Globo adquiriu (através de sua afiliada goiana) os direitos de todo o futebol goiano. [Leia abaixo trechos do contrato.]

2. Que, em 2001, a afiliada da Rede Globo em Santa Catarina (estado menor em população e talvez com força futebolística semelhante à de Goiás) pagou pelo Campeonato Catarinense os valores de 2 milhões e 300 mil reais, apenas por um ano, ou seja, no primeiro ano.

3. Que neste ano de 2001 a Televisão Anhanguera teve, através de mídia do governo de Goiás, seu maior patrocínio para as transmissões de futebol. Exatamente no mesmo ano em que o governo (conforme números oficiais anunciados pelo próprio governo, e de forma pública) apresentou seus maiores gastos com publicidade: 79 milhões de reais, mais que o dobro do que gastaram juntos os governos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Pasmem!

E, convenhamos, nem preciso informar que os veículos Jaime Câmara sempre tiveram direito a no mínimo 65% do que todos os governos gastaram em mídia nos últimos trinta anos em Goiás.

4. Que, ainda em 2001, o Goiás E. C. reagiu publicamente contra os valores irrisórios dos direitos de televisão e repudiou o fato de a TV Anhanguera ter transmitido ao vivo, para Goiânia, um jogo Goiás x Anápolis, realizado na mesma Goiânia. Ou seja, descumprindo contrato e tirando público do estádio

E mais

Se não foi por influência do governo, de quem foi? Afinal, neste mesmo ano de 2001, em Goiânia, a TV Serra Dourada/SBT queria os mesmos direitos para transmitir o Campeonato Goiano e oferecia 3 vezes mais. A TV Record também quis transmitir e pagava quatro vezes mais. E, repito, em Santa Catarina, Pará, Pernambuco e Ceará, as afiliadas da Rede Globo estavam pagando, somente naquele ano, valores de até 10 vezes mais. Pasmem, estou me referindo ao valor de 200 mil reais, que a TV Anhanguera pagaria apenas no segundo ano de contrato. Oportunidade, oportunismo ou favorecimento? Como definir?

Por fim, faço uma pergunta: para que tanta revolta e o desejo insaciável de me colocar na cadeia? Só pelo favorecimento, que critiquei tanto? Oras, todo o povo de Goiás sabe que o estado nunca teve e nem hoje possui comércio e indústria capazes de gerar grandes investimentos em mídia. Como alguém poderia construir tamanho império de comunicação em Goiás, Tocantins e Brasília, não fossem as verbas de propaganda dos governos? Como?

Em tempo: o que mudou na vida da organização e nas relações de seus veículos com as verbas do dinheiro público depois de tudo que eu, Jorge Kajuru, comentei, denunciei e, às vezes, até exagerei nas palavras indignadas de um jornalista? Ah, onde tudo começou?

Quando a Organização Jaime Câmara passou a me ter como inimigo mortal? Rigorosamente, em novembro de 1998, durante a disputa eleitoral Iris [Resende] x Marconi [Perillo] pelo governo do estado. Todos devem se lembrar da "famosa" pesquisa do Ibope que a Organização Jaime Câmara comprou para anunciar na Televisão Anhanguera e no jornal O Popular. Claro, não podemos esquecer da escandalosa fraude que foi a manipulação da divulgação dos números. Vamos recordar.

Revista Consultor Jurídico, 11 de maio de 2005, 20h27

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