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Salada russa

Parceria MSI/Corinthians será remetida ao MP Federal

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Por derradeiro, o relatório ABIN destacou que há processo em andamento no qual é investigada a participação de Boris Berezovsky, durante sua permanência no cargo de Secretário Adjunto do Conselho de Segurança da Rússia, na organização e atuação “em grupos armados ilegais na região do Cáucaso Norte” (fls. 510), fato que poderá valer condenação por organização de grupo armado ilegal e abuso de poder, delitos tipificados nos artigos 33, 208 e 285 do Código Penal da Rússia.

Para efeitos da lavagem de dinheiro, tipificada na Lei Federal no. 9.613/98, tal como evidenciado nos documentos obtidos no curso da investigação, Boris Berezovsky está direta ou indiretamente ligado com crimes praticados contra o sistema financeiro da Rússia, delitos diversos praticados por organização criminosa, e, também, por acusações de financiamento de guerrilhas islâmicas, equivalentes a atos de terrorismo (1). Os documentos ABIN falam expressamente em “financiamento de ações de grupos armados na Tchetchênia em 1999” (fls. 16) e “acusação por organização de grupo armado ilegal” (fls. 510).

A questão, então, estava em saber se Boris Berezovsky e Badri Patarkatsishvili, seu apontado companheiro de crimes, estavam ou não ligados à parceria MSI-Corinthians. Aqui, nada obstante a negativa formal de todos os envolvidos na parceria, sem exceção, o fato é que desde o início os indícios colhidos apontavam neste sentido, muito embora a ABIN não tenha obtido dados disponíveis sobre a relação dos russos com a MSI.

A investigação do GAECO é que avançou neste sentido.

A primeira evidência decorreu da própria constituição das empresas ligadas à parceria, sempre elaborada com o propósito de, em verdadeira cascata de “offshores”, tentar afastar qualquer ligação direta ou indiciária com aquelas duas pessoas mencionadas no início da investigação.

Foi constituída na Inglaterra, quase que simultaneamente ao final das tratativas com os dirigentes corintianos, a MSI Inglesa (fls. 76 do apenso I). Tal empresa, antes desconhecida, associada a outras duas, a DEVETIA LIMITED e a JUST SPORT LIMITED, respectivamente constituídas nas Ilhas Virgens Britânicas em 10 de junho de 2004 (fls. 38 do apenso I) e 07 de junho de 2004 (fls. 133 do apenso I), tornaram-se as únicas proprietárias da MSI Brasileira (fls. 3/16 do apenso I), representadas pela pessoa de Paulo Sérgio Scudiere Angioni (fls. 11 do apenso I).

Em demonstração de que as empresas são utilizadas com único propósito de ocultar a identidade dos investidores e o ramo de atividade onde produzidos os recursos, Paulo Angioni foi ouvido nos autos e declarou, de forma surpreendente, não conhecer quaisquer dados das empresas estrangeiras das quais estava aceitando, com remuneração, ser procurador (Just, Devetia e MSI Londrina), bem como não saber por qual motivo havia assinado documentos bancários variados e desconhecidos, inclusive para possibilitar a continuidade de transferência de recursos financeiros da MSI Brasileira ao Corinthians (fls. 377/381).

Pouco antes, um dos advogados do Veirano afirmou que as transações eram realizadas por determinação de Reza Irani Kermani, iraniano trazido em confiança por Kia Joorabchian, que de Londres geria a empresa brasileira por telefone ou e-mail (fls. 370/371), em uma demonstração evidente de que Paulo Angioni tinha papel decorativo trazido ao negócio com o único propósito de conferir aspecto de legalidade formal ao que estava sendo realizado.

Vale dizer, Angioni era o representante das empresas estrangeiras, que, nada obstante, atuavam no Brasil a mando de um iraniano de confiança de Kia, que, para atingir sua finalidade -- ordem de transferência de milhões e milhões de dólares -- operava com o auxilio de uma conta de e-mail gratuito (hotmail), formalmente declinada a fls. 382. O expediente de utilização de provedor internacional gratuito é conhecido justamente por dificultar a quebra de sigilo por parte de autoridades brasileiras, constituindo forma segura e informal para transações clandestinas.

Ao mesmo tempo em que as operações financeiras se realizavam com a utilização de “offshores” situadas em paraísos fiscais, expediente bastante difundido entre organizações criminosas, quando da primeira remessa de dinheiro ao Corinthians, no valor de US$ 2.000.000,00 (dois milhões de dólares), a título de empréstimo ao clube brasileiro, surgiu como remetente a pessoa-física de ZAZA TOIDZE, oriundo o dinheiro de Tibilizi, Capital da Geórgia, base operacional de Badri Patarkatsishvili, apontado parceiro de Boris Berezovsky.

O fato não conferiu com as declarações inicialmente prestadas pela MSI Brasileira -- que apontava o remetente como a DEVETIA -, e a operação, para não ficar perdida, teve que ser novamente declarada pelo Banco Bradesco S.A., instituição escolhida para o ingresso dos recursos. Assim, constou que ZAZA mandava os recursos direto de Tbilizi, a mando da DEVETIA, operação que acabou denunciada ao COAF (fls. 341/342).

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 14 de abril de 2005, 15h14

Comentários de leitores

4 comentários

"tendo por base a representação formulada pelo ...

Mazia (Outros)

"tendo por base a representação formulada pelo Deputado Estadual Romeu Tuma." - Estou enganado ou este Romeu Tuma é o pai de um dos conselheiros do Corinthians da oposição?? é o pai do conhecido como Tuma Jr. que é o nome forte da oposição para o Lugar do Dualib. Estou cansado do famoso jogo de interesse, não dá mais pra acreditar em nada neste pais. Porque não fizeram o mesmo tipo de investigação coma mafiosa Parmalat, quando "comprou" o Palmeiras, fica evidente que não há nenhuma diferença entre as transações da MSI com as da Parmalat na época, o que é mais ridiculo é a imprensa em momento nenhum questionar isso.

Suspeita: não pagaram o pedágio pedido ao esque...

Edison Bittencourt (Professor Universitário)

Suspeita: não pagaram o pedágio pedido ao esquema de formação de quadrilha envolvendo Judiciário, Pol´picia Federal , Banco Central , Receita Federal, e PT. Alguém quer morder nesta grana. A MSI atua em vários paises do mundo inclusive nos Estados Unidos. É estranho tanto interesse na origem deste dinheiro , quando sequer a origem do dinheiro dos corruptores do processo de formação de quadrilha no governo é conhecida. Este meganha, o Tuma Jr, especializado em gravações suspeitas , é quem precisa ser investigado. Aliás no caso Celso Daniel ele foi um dos policiais atuando no imbroglio. Só aímorreram sete em condições suspeitíssimas .O cara é barra pesada. Também não entendo o que um Banco Central faz investigando negócios particulares, quando opera um negócio multibilionário de agiotagem. A origem dos dólares? O Federal Reserve , que os imprime.

Não sei para que time torcem os acusadores. Por...

Vera (Advogado Autônomo - Família)

Não sei para que time torcem os acusadores. Porém, a questão é pequena diante da gravidade dos fatos. Penso que se o relatório publicado é o que está na investigação que fizeram, então aquelas pessoas investigadas não devem servir para time algum. A Justiça Brasileira não pode se calar por baixo de uma bandeira de futebol. Temos leis no Brasil. Há esperança.

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