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Salada russa

Parceria MSI/Corinthians será remetida ao MP Federal

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Foram ouvidos na investigação, como testemunhas, Rolando Wohlers (fls. 168/169), Antonio Roque Citadini (fls. 361/365) e Miguel Marques e Silva (fls. 393/396).

Foram ouvidos em declarações os advogados Alexandre Verri (fls. 351/354), Carlos Fernando Sampaio Marques (fls. 355/357) e Maurício Fleury Pereira Leitão (fls. 368/371), do escritório “Veirano Advogados”, contratado por Kia para viabilizar juridicamente seus negócios em território brasileiro. Da mesma forma, prestaram declarações Paulo Sérgio Scudiere Angioni (fls. 377/385), Alberto Dualib (fls. 401/406), Nesi Curi (fls. 422/425), Andrés Navarro Sanches (fls. 436/439) e Carlos Roberto de Mello (fls. 462/467), dirigentes do Sport Club Corinthians Paulista.

Procedeu-se à oitiva de Kiavash Joorabchian (fls. 482/488), com o auxílio de intérprete compromissada nos autos (fls. 481).

Determinou-se a remessa de cópia integral do procedimento administrativo criminal para conhecimento e eventuais providências administrativas no âmbito do Banco Central do Brasil (fls. 506).

Juntou-se, por derradeiro, relatório encaminhado pela Agência Brasileira de Informações -- ABIN, trazendo informações complementares acerca do objeto da investigação (fls. 508/511)

É o relatório necessário.

Consistente o resultado da investigação.

Cabia averiguar, em primeiro plano, a situação processual de Boris Berezovsky, apontado na representação inicial como investidor “oculto” da parceria. Sobre ele, vieram afirmadas “condenações por fraudes e remessas ilegais de capitais ao exterior”. Mais. Foram relatados seus contatos com o “submundo do crime, através de Badri Patarkatsishvili, por meio de quem eram realizados contatos com as máfias tchetchenas e com a Fraternidade Soltntsevo, considerada a maior e mais importante organização criminosa russa”.

Tais dados constam de um dos minuciosos relatórios produzidos pela Agência Brasileira de Informações -- ABIN (fls. 11/16). Também se vê daquele documento a ligação de Boris Berezovsky com sucessivos governos da antiga União Soviética e, posteriormente, da Rússia, fato que lhe propiciou a aquisição de empresas estatais a preços abaixo do valor real de mercado e, também, a acusação de ter representado “papel importante no desenvolvimento da ‘jihad’ islâmica ao financiar as ações de grupos armados na Tchetchênia em 1999”, assim, apontado como “banqueiro informal” dos movimentos tchetchenos, local que, nos dois anos seguintes, “se tornaria um centro para a ação de criminosos”, tendo sua capital, Grozny, listada como importante ponto para o “tráfico internacional de heroína”.

Nada obstante ter recebido asilo político do governo inglês ainda segundo o relatório ABIN (fls. 16), o fato é que, no curso da investigação, foi possível de se obter junto à INTERPOL cópia do pedido de prisão preventiva de Boris Berezovsky (fls. 473/477). O documento, aqui reproduzido eletronicamente, dá conta de que tal pessoa mereceu duas condenações criminais em território russo, cada uma delas de dez (10) anos de prisão, somados, assim, vinte (20) anos de prisão, inclusive por crime de lavagem de dinheiro.

Há destaque, no documento INTERPOL para a menção de Boris Berezovsky como membro de organização criminosa (fls. 476). Para o organismo internacional, Boris está incluído na chamada “Difusão Vermelha”, difundida pela Secretaria Geral da INTERPOL em Lion, na França, a pedido da Rússia (fls. 473) sendo, assim, procurado pela Justiça Russa em todo o mundo.

Documento ABIN, produzido quase ao final da investigação, veio confirmar a situação processual de Boris Berezovsky na Rússia. Ali está dito que “atualmente há sentença condenatória para Boris Berezovsky em processo no qual há provas de seu envolvimento em abuso financeiro” na direção da sociedade anônima. Há, também, acusação formal de roubo de bens de sociedade anônima, com utilização de meio fraudulento e, em complementação, há notícia de acusação formal por lavagem de dinheiro (fls. 509).

Badri Patarkatsishvili, de sua feita, “foi considerado culpado de crime previsto no artigo 313 do Código Penal da Rússia (organização de evasão coletiva com conclusão antecipada)”, sendo certo que em razão do processo foi emitido mandado de detenção em face de tal pessoa, que também “foi incluído na lista de procurados em nível federal, interestadual e internacional” (fls. 509).

Boris Berezoviski e Badri Patarkatsishvili, agora em co-autoria, foram processados em ação penal com provas de “atividades ilícitas dos mesmos em sociedade anônima”. Em razão de tal processo “foi-lhes imputado o crime de fraude em grandes volumes e formação de quadrilha, previsto no artigo 147 do Código Penal da Rússia” (fls. 509/510), sendo certo que continuam procurados, bem também a pessoa de Y. Dubov, também por conta de tais delitos.

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Claudio Julio Tognolli é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 14 de abril de 2005

Comentários

Comentários de leitores: 4 comentários

13/07/2007 14:21 Mazia (Outros)
"tendo por base a representação formulada pelo ...
"tendo por base a representação formulada pelo Deputado Estadual Romeu Tuma." - Estou enganado ou este Romeu Tuma é o pai de um dos conselheiros do Corinthians da oposição?? é o pai do conhecido como Tuma Jr. que é o nome forte da oposição para o Lugar do Dualib. Estou cansado do famoso jogo de interesse, não dá mais pra acreditar em nada neste pais. Porque não fizeram o mesmo tipo de investigação coma mafiosa Parmalat, quando "comprou" o Palmeiras, fica evidente que não há nenhuma diferença entre as transações da MSI com as da Parmalat na época, o que é mais ridiculo é a imprensa em momento nenhum questionar isso.
14/04/2006 09:34 Edison Bittencourt (Professor Universitário)
Suspeita: não pagaram o pedágio pedido ao esque...
Suspeita: não pagaram o pedágio pedido ao esquema de formação de quadrilha envolvendo Judiciário, Pol´picia Federal , Banco Central , Receita Federal, e PT. Alguém quer morder nesta grana. A MSI atua em vários paises do mundo inclusive nos Estados Unidos. É estranho tanto interesse na origem deste dinheiro , quando sequer a origem do dinheiro dos corruptores do processo de formação de quadrilha no governo é conhecida. Este meganha, o Tuma Jr, especializado em gravações suspeitas , é quem precisa ser investigado. Aliás no caso Celso Daniel ele foi um dos policiais atuando no imbroglio. Só aímorreram sete em condições suspeitíssimas .O cara é barra pesada. Também não entendo o que um Banco Central faz investigando negócios particulares, quando opera um negócio multibilionário de agiotagem. A origem dos dólares? O Federal Reserve , que os imprime.
15/04/2005 21:11 Vera (Advogado Autônomo - Família)
Não sei para que time torcem os acusadores. Por...
Não sei para que time torcem os acusadores. Porém, a questão é pequena diante da gravidade dos fatos. Penso que se o relatório publicado é o que está na investigação que fizeram, então aquelas pessoas investigadas não devem servir para time algum. A Justiça Brasileira não pode se calar por baixo de uma bandeira de futebol. Temos leis no Brasil. Há esperança.

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