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Baile funk

Globo divulga desaparecimento do repórter Tim Lopes

O repórter Tim Lopes, da TV Globo, está desaparecido desde domingo (2/6), quando fazia reportagem sobre um baile funk na favela de Vila Cruzeiro, na Penha. A investigação do jornalista era sobre traficantes que promoviam o baile para o qual eram aliciadas meninas menores de idade.

A Globo distribuiu comunicado à imprensa, informando que o jornalista ficou de se encontrar com o motorista da emissora às 20h. Apareceu e pediu que ele o esperasse mais um pouco. E não voltou mais.

Um corpo carbonizado foi encontrado pela polícia, ao lado de fragmentos de fita de vídeo. O Instituto Carlos Éboli está fazendo a perícia dos restos mortais.

Leia o comunicado da Globo

"A TV Globo comunica que está desaparecido desde ontem, quando realizava uma reportagem sobre bailes funks nos subúrbios do Rio de Janeiro, o repórter Tim Lopes, um de seus jornalistas mais premiados. Há duas semanas, moradores do bairro da Penha denunciaram a existência de um baile funk, com consumo de drogas e sexo explícito, na favela de Vila Cruzeiro, promovido por traficantes do morro, para o qual eram aliciadas meninas menores de idade. Os traficantes armavam um pequeno parque de diversões próximo à entrada da favela para atrair crianças e, assim, evitar que policiais entrassem atirando no caso de invasão do morro. O fato teria sido também denunciado à polícia diversas vezes.

Os moradores disseram a Tim Lopes que temiam pela degradação moral de suas famílias e se disseram impotentes diante do poder armado dos traficantes e da falta de ação da polícia. Eles se dispuseram a ajudar o repórter, para que ele pudesse registrar os excessos praticados pelos traficantes e o poderio bélico deles. Tim esteve na região quatro vezes, duas sem micro-câmeras e duas com o aparelho, a últimas delas no domingo, dia 02.

Ontem, Tim ficou de encontrar-se às 20h com o motorista que o acompanhava e que estacionara longe da favela. Mas, àquela hora, apareceu e disse ao motorista que iria se atrasar porque ainda não considerava encerrado o seu trabalho. Marcou novo encontro para às 22h, mas não mais apareceu. Hoje cedo, a emissora comunicou o seu desaparecimento às autoridades. No meio da tarde, uma equipe de policiais encontrou, no alto do morro, um corpo carbonizado ao lado de fragmentos de fita de oito milímetros (não usada em micro-câmeras).

Ainda não há qualquer confirmação de que o corpo seja do jornalista e todos nós, seus companheiros de trabalho, torcemos do fundo de nossos corações para que isto não aconteça. Neste momento, o corpo está sendo levado para o Instituto Carlos Éboli para que possa ser identificado. A TV Globo continuará dando todas as informações sobre o caso.

Central Globo de Comunicação

Rio de Janeiro, 03 de junho de 2002"

Revista Consultor Jurídico, 3 de junho de 2002, 22h57

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